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Como a via de administração define a absorção dos fármacos

Friday, August 22, 2025
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Como a via de administração define a absorção dos fármacos

A administração de medicamentos é um processo fundamental na farmacologia, e o modo como um fármaco é absorvido pelo organismo depende diretamente da via de administração utilizada. Cada via apresenta características farmacocinéticas próprias, que influenciam a velocidade, a eficiência e a biodisponibilidade do medicamento, definida como a fração da dose administrada que atinge a circulação sistêmica na forma ativa.

1. Via oral

A via oral é a mais comum e conveniente para a administração de medicamentos, sendo preferida pela facilidade de uso, baixo custo e boa aceitação pelos pacientes. Quando ingerido, o medicamento percorre o trato gastrointestinal, sendo absorvido principalmente no estômago e no intestino delgado. A absorção ocorre por difusão passiva (movimento de moléculas através de membranas biológicas sem gasto energético), transporte ativo (movimento contra o gradiente de concentração com gasto energético) ou difusão facilitada (transporte passivo mediado por proteínas carreadoras), dependendo das propriedades físico-químicas do fármaco, como solubilidade, grau de ionização e lipofilicidade.

No estômago, o pH ácido pode influenciar a ionização do medicamento, favorecendo ou dificultando sua absorção. O intestino delgado, devido à extensa área de superfície proporcionada por vilosidades e microvilosidades e ao pH mais próximo da neutralidade, é o principal local de absorção. Após absorção, o fármaco passa pelo sistema porta hepático e pode sofrer o efeito de primeira passagem, no qual o fígado metaboliza parte da dose antes de atingir a circulação sistêmica, reduzindo a biodisponibilidade.

  • Vantagens: fácil administração; segurança relativa; baixo custo.
  • Limitações: absorção mais lenta; efeito de primeira passagem; possibilidade de irritação gastrointestinal.

2. Vias sublingual e bucal

As vias sublingual (sob a língua) e bucal (entre a gengiva e a bochecha) permitem absorção direta pela mucosa oral, altamente vascularizada, com entrada imediata na circulação sistêmica, evitando o metabolismo de primeira passagem. São indicadas para medicamentos que requerem início de ação rápido, como a nitroglicerina nas crises de angina. A absorção sublingual tende a ser mais rápida que a bucal devido à maior vascularização.

  • Vantagens: início rápido; evita metabolismo hepático; útil em emergências.
  • Limitações: dose limitada pelo tamanho da área de absorção; necessidade de manter o fármaco no local; desconforto e inadequação para formulações de liberação prolongada.
Leia sobre "Informações importantes sobre medicamentos", "Polifarmácia" e "Os perigos da automedicação".

3. Via intravenosa

A administração intravenosa (IV) consiste na injeção direta na corrente sanguínea, garantindo biodisponibilidade de 100%. A ação é imediata, essencial em emergências como parada cardíaca ou sepse grave. Pode ser administrada em bolus (injeção rápida) ou infusão contínua.

  • Vantagens: absorção instantânea; controle preciso da dose; adequada para fármacos instáveis no trato gastrointestinal.
  • Limitações: risco de infecção, embolia ou reação adversa grave; necessidade de técnica estéril e profissionais treinados; custo elevado.

4. Via intramuscular

Na via intramuscular (IM), o medicamento é injetado no tecido muscular, com absorção proporcional à vascularização do local e à formulação do fármaco (soluções aquosas absorvidas mais rapidamente que oleosas). Locais comuns incluem deltoide, glúteo e vasto lateral da coxa.

  • Vantagens: absorção relativamente rápida; adequada para doses maiores que a via subcutânea; útil para liberação sustentada.
  • Limitações: dor no local; risco de lesão nervosa; absorção variável conforme local e condição clínica.

5. Via subcutânea

Consiste na injeção no tecido subcutâneo, logo abaixo da pele, com absorção mais lenta que a intramuscular devido à menor vascularização. Usada para insulina, heparina e fármacos de liberação prolongada. O volume máximo geralmente é de 2 mL.

  • Vantagens: técnica simples; absorção relativamente previsível.
  • Limitações: absorção lenta; volume limitado; possibilidade de irritação local.

6. Vias tópica e transdérmica

A via tópica destina-se à ação local, enquanto a transdérmica objetiva absorção sistêmica por meio da pele, observada em sistemas como adesivos de nicotina ou fentanil. A camada córnea da epiderme é a principal barreira, e a absorção depende da lipofilicidade do fármaco e da integridade da pele.

  • Vantagens: efeito local (tópica) ou sistêmico prolongado (transdérmica); administração não invasiva.
  • Limitações: absorção lenta; restrita a fármacos lipofílicos; risco de irritação cutânea.

7. Via inalatória

Permite entrega direta aos pulmões, útil para doenças respiratórias, como asma e DPOC. A grande área alveolar e a intensa vascularização favorecem absorção rápida, tanto para efeito local quanto sistêmico.

  • Vantagens: início rápido; menor dose para efeito local; evita metabolismo de primeira passagem.
  • Limitações: requer técnica adequada, dispositivos específicos e é restrita a certos medicamentos.

8. Via retal

Utiliza supositórios ou enemas, com cerca de 50% da absorção evitando o metabolismo hepático inicial. Indicado para pacientes com dificuldade de deglutição, apresentando vômitos ou que estejam inconscientes.

  • Vantagens: útil quando a via oral não é viável; absorção parcial sem efeito de primeira passagem.
  • Limitações: absorção irregular; aceitação cultural limitada; desconforto.

9. Outras vias

Incluem as vias intranasal, oftálmica, ótica e vaginal, que podem ter efeito local ou sistêmico. Exemplo: desmopressina intranasal para diabetes insipidus e colírios antibióticos para infecções oculares.

Veja também sobre "Uso de medicamentos em crianças" e "Como agem os medicamentos no organismo".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites MSD Manuals e do Jornal da USP.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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