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Como é o processo de produção e eliminação da urina?

Friday, May 17, 2024
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Como é o processo de produção e eliminação da urina?

O que é sistema urinário?

O aparelho urinário é o conjunto de órgãos responsáveis pela produção e eliminação da urina. Ele é constituído por dois rins, dois ureteres, uma bexiga e uma uretra.

Os rins são órgãos localizados nos flancos superiores do abdômen, um de cada lado do corpo, e têm a função de produzir a urina, além de secretar a renina, substância responsável pelo controle da pressão arterial. Eles têm cerca de 10 cm de comprimento, peso entre 120-280 g e formato que lembra um feijão, apresentando uma borda convexa e uma borda côncava. Na parte côncava há uma região denominada hilo renal, por onde entram e saem vasos sanguíneos e nervos e por onde emergem os ureteres.

Os rins são responsáveis pela produção da urina através da filtração do sangue e os demais órgãos são responsáveis pela condução dela para o exterior. Logo depois de ser filtrada nos rins, a urina desce por ductos de 4 a 5 mm de diâmetro e 25 a 30 cm de comprimento, chamados ureteres, que terminam por alcançar a bexiga. Esta, por sua vez, é um órgão muscular oco que serve de reservatório para a urina e que distende gradativamente conforme esse produto se acumula.

Por fim, a uretra conecta a bexiga com o exterior. No homem, a uretra tem um comprimento médio de 20 cm e, na sua parte terminal, percorre toda a extensão do pênis e desemboca na extremidade dele. Na mulher, a extensão da uretra é de cerca de apenas 4 centímetros.

Como é o processo de produção da urina?

Para que a urina seja produzida é necessário, antes de tudo, que o sangue chegue aos rins em quantidade suficiente. A formação da urina então ocorre nos néfrons (unidades renais) por meio de três processos básicos: filtração, reabsorção e secreção. Esses processos garantem a eliminação de produtos indesejáveis do metabolismo ou dos que estejam em excesso no organismo.

A filtração, primeira etapa da formação da urina, é um processo passivo caracterizado pela saída do filtrado do interior do glomérulo para a cápsula renal que o envolve. Esse filtrado contém substâncias que são fundamentais para o organismo e que devem ser reabsorvidas pelos chamados túbulos néfricos, o que é importante para evitar a perda excessiva delas, tais como água, sódio, glicose e aminoácidos, entre outras.

No entanto, em condições patológicas, algumas substâncias estão em concentrações tão elevadas no filtrado que não são completamente reabsorvidas e parte delas é perdida na urina (glicose, proteínas, sais, etc.).

Após isso, algumas substâncias presentes no sangue e que são indesejáveis ao organismo são eliminadas pelas células do túbulo néfrico, num processo chamado secreção. Assim, a urina formada é conduzida até os ureteres, que a levarão até a bexiga, onde permanecerá até sua eliminação através da uretra.

Saiba mais sobre "Avaliação da função renal", "Índice de filtração glomerular" e "Obstrução das vias urinárias".

Como é o processo de eliminação da urina?

A produção de urina pelos rins é um processo contínuo e ininterrupto. A urina aí produzida já está na sua forma final de excreção e não sofrerá novas alterações. Através dos ureteres é conduzida à bexiga, onde fica armazenada para posterior eliminação. Assim que a bexiga atinge a sua capacidade plena, tem início o ato de urinar.

Quando uma pessoa tem vontade de urinar, seus músculos da bexiga começam a se contrair, o que aumenta a pressão na bexiga e empurra a urina para fora. Ao mesmo tempo, a musculatura do esfíncter vesico-uretral (que controla a retenção e soltura da urina) e da uretra relaxa, permitindo que a urina flua para fora da bexiga e do corpo.

Quando a bexiga se esvazia completamente, a contração dos músculos vesicais diminui e a micção é concluída. Esses eventos são controlados pelo sistema nervoso central.

Quais são as anormalidades possíveis no processo de produção e eliminação da urina?

Os transtornos da produção e eliminação da urina podem ocorrer em qualquer uma das suas três fases.

Na fase pré-renal eles se devem a quaisquer condições que impeçam a chegada da quantidade normal de sangue aos rins. Entre essas condições pode-se citar:

  • a desidratação, que pode ser causada por uma variedade de fatores, incluindo vômitos, diarreia, suor excessivo e uso excessivo de diuréticos;
  • a hipovolemia (redução do volume de sangue circulante), que pode ser causada por uma perda súbita de líquidos, como a perda de sangue devido a lesão ou cirurgia;
  • a hipotensão, ou pressão arterial baixa, que também pode ser causada por uma perda súbita de líquidos, como a perda de sangue devido a lesão ou cirurgia, ou por uma condição médica subjacente, como insuficiência cardíaca ou sepse;
  • e constrição dos vasos renais ou que dão acesso aos rins, o que pode ser causado por uma variedade de fatores, incluindo o uso de medicamentos vasoconstritores e a presença de doenças subjacentes, como a doença renal arterial.

As anormalidades da fase renal podem se referir a quaisquer desvios na função normal dos rins e pode levar a vários problemas de saúde, como insuficiência renal, hipertensão, desequilíbrio eletrolítico e outros problemas relacionados à função renal. As causas de anormalidades na fase renal podem incluir: doenças crônicas, como diabetes e doenças cardiovasculares; lesões nos rins; infecções; uso excessivo de medicamentos; entre outros fatores. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são importantes para prevenir complicações graves e preservar a função renal a longo prazo.

As anormalidades da fase pós-renal referem-se a problemas que ocorrem após a função renal, na excreção de urina pelo trato urinário. Se resumem a uma condição na qual há uma obstrução na saída da urina, resultando em uma retenção urinária. Esta fase pode ser afetada por vários problemas, incluindo obstruções do trato urinário, como pelo deslocamento de cálculos renais; uma bexiga hiperativa ou hipertrofia prostática em homens; ou outras condições que possam impedir a liberação completa da urina, como uma lesão na coluna vertebral, por exemplo.

Em alguns casos, as anormalidades da fase pós-renal podem levar a problemas graves, como infecções do trato urinário e insuficiência renal, se não forem tratadas. O tratamento dependerá da causa subjacente e poderá incluir medicamentos, procedimentos médicos ou cirurgia.

Em geral, as anormalidades da fase pré-renal podem ser tratadas aumentando o volume de fluidos corporais e estabilizando a pressão arterial. Em casos graves, pode ser necessário o uso de medicações específicas e a hospitalização para monitoramento e tratamento adequados.

O tratamento das anormalidades da fase renal dependerá da causa subjacente, que podem ser várias. Algumas das condições mais comuns são:

  • insuficiência renal, que pode exigir medidas como o uso de diuréticos e terapia de substituição renal, como diálise ou transplante renal;
  • doenças vasculares, como aterosclerose ou hipertensão, que demandam medidas para controlar a pressão arterial, como o uso de medicamentos anti-hipertensivos, além de mudanças no estilo de vida;
  • doenças inflamatórias renais, como glomerulonefrite ou nefrite intersticial, a serem tratadas com medicamentos imunossupressores e outros para controlar a inflamação;
  • e lesões que, conforme sua natureza (traumatismo, radiação, etc.), exigem medidas para proteger o rim e promover a cura, como repouso e medicação.

O tratamento das anormalidades da fase pós-renal depende da causa subjacente da obstrução. Algumas das opções de tratamento incluem:

  • a remoção de cálculos urinários através de procedimentos como litotripsia, ureteroscopia ou nefrolitotomia percutânea;
  • na obstrução por hiperplasia prostática benigna (aumento do tamanho da próstata), o tratamento pode ser feito com medicamentos ou com cirurgia;
  • cirurgia, radioterapia e/ou quimioterapia no caso de tumores;
  • e, em casos de estenose ureteral, pode ser necessário tratá-la com dilatação ureteral, stent ureteral ou cirurgia.

É importante que a retenção urinária seja tratada o mais rápido possível, pois pode levar a complicações graves, como infecção urinária e insuficiência renal.

Leia sobre "Principais distúrbios urinários", "Usos e abusos dos diuréticos", "Oligúria: o que é isso" e "Importância do exame de urina".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da UNESP, da UFRGS e da UFJF.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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