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Usos e abusos dos diuréticos

segunda-feira, 18 de junho de 2018
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Usos e abusos dos diuréticos

O que são diuréticos?

Os diuréticos são medicamentos que atuam nos rins aumentando o volume da excreção de urina. Eles também promovem a eliminação de eletrólitos como o sódio, o potássio e o cloro. As substâncias diuréticas podem ser classificadas em (1) diuréticos propriamente ditos, quando aumentam a excreção de água, mas não de eletrólitos; (2) natriuréticos, que aumentam a eliminação de sódio e (3) saluréticos, que aumentam a excreção de sódio e cloreto.

Existem também substâncias naturais que podem ter efeito diurético, como a cafeína, o álcool e alguns tipos de chás, no entanto, o efeito diurético delas é muito fraco e não serve para tratar doenças que demandam um aumento relevante na excreção de sódio e água pelos rins.

Qual é o mecanismo de atuação dos diuréticos?

Resumidamente, eis alguns informes sobre a fisiologia renal que ajudam a compreender o mecanismo de ação dos diuréticos: o rim tem cerca de um milhão de néfrons. O néfron é a unidade funcional básica dos rins, que é constituído por (1) glomérulo, (2) túbulos contorcidos proximal e distal, (3) alça de Henle e (4) ducto coletor.

O sangue é ultrafiltrado no glomérulo (120ml/minuto), deixando a urina livre de substâncias celulares não filtráveis, como as hemácias, leucócitos e proteínas plasmáticas. Este fluido então passa pelo lúmen do néfron, onde a água, os eletrólitos, a glicose e a ureia em grande parte sofrem reabsorção no túbulo renal. O que resta desse filtrado (cerca de 1,5L/dia) é, então, eliminado como urina.

Os diversos diuréticos podem ter seu alvo de ação na filtração glomerular, na reabsorção tubular ou na excreção tubular. Embora possam ter diferentes mecanismos de ação, todos os diuréticos têm em comum o fato de fazerem os rins filtrarem mais água e sódio que o normal, por consequência aumentando a eliminação desses elementos através da urina.

Grande parte dos diuréticos atuam diminuindo a reabsorção de sódio, o qual carrega com eles maior quantidade de água. Assim, promovem a redução dos edemas e, além disso, atuam também como anti-hipertensivos, diminuindo os níveis da pressão arterial, ao diminuírem a quantidade de líquidos no organismo.

Como existem diferentes tipos de diuréticos, cada qual com seus mecanismos específicos de ação, só um médico é capaz de dizer que tipo de diurético é melhor adaptado ao objetivo específico de um determinado tratamento. Quando usados incorretamente, os diuréticos podem provocar desequilíbrios eletrolíticos e outros problemas como desidratação ou arritmias cardíacas, por exemplo.

Por que usar e por que não usar os diuréticos?

Os diuréticos são usados principalmente para o tratamento coadjuvante da hipertensão arterial e dos quadros de edema. Também se aplicam ao tratamento da insuficiência renal, insuficiênia cardíaca ou cirrose hepática, todos quadros clínicos que requerem uma redução de líquidos no organismo.

Ademais, para que o diurético exerça integralmente seu papel, é preciso que o paciente limite sua ingestão de sal durante o uso da medicação. Para haver resposta clínica, é preciso sair mais sal na urina do que a quantidade que é consumida pela dieta. Dentre as doenças que podem requerer o uso de diuréticos, destacam-se ainda a síndrome nefrótica, hipercalemia (potássio elevado), hipocalemia (potássio baixo), diabetes insípidus, quadros edematosos, edema cerebral e glaucoma

Saiba mais sobre "Desidratação", "Insuficiência renal", "Insuficiência cardíaca", "Cirrose hepática", "Hipertensão arterial", "Síndrome nefrótica" e "Diabetes insípidus".

Muitas vezes, os diuréticos são usados de maneira indevida e sem orientação médica, especialmente por pessoas que desejam perder peso. O uso dos diuréticos deve ser administrado com cuidados especiais ou mesmo ser vedado a paciente com insuficiência renal, pré-coma ou coma hepático, hipopotassemia severa (diminuição drástica do nível de potássio no sangue), hiponatremia grave, desidratação, queda de pressão sanguínea e alergia a qualquer dos componentes da fórmula da medicação.

Mesmo pessoas sem essas condições devem ser acompanhadas de perto pelo médico ao iniciarem o tratamento com diuréticos, pois os níveis de sódio, potássio e creatinina tendem a ficar alterados. Mulheres grávidas, lactantes, crianças e idosos devem receber cuidados especiais, pois são mais sensíveis aos efeitos dos diuréticos.

Quais efeitos deletérios podem advir do uso dos diuréticos?

Os diuréticos podem causar hipovolemia (diminuição do volume de sangue), hipocalemia, hiponatremia (nível baixo de sódio), alcalose ou acidose metabólica e hiperuricemia (níveis altos de ácido úrico no sangue). Cada um desses efeitos são riscos próprios a certos tipos de diuréticos e se apresentam com sintomatologias diferentes.

Em geral, os sintomas que podem gerar são náuseas, vômitos, queda da pressão arterial, principalmente ao se levantar, taquicardia ou arritmia cardíaca, sede, xerostomia (boca seca), câimbras, fadiga muscular, sonolência, fraqueza e letargia, tontura, agitação, sensibilidade à luz, alterações na habilidade de concentração e de reação. Quando essas condições e sintomas são devidos apenas ao uso dos diuréticos, eles são inteiramente reversíveis quando a medicação é suspensa.

Leia sobre outros tipos de medicamentos: "Laxantes", "Antidepressivos", "Anti-inflamatórios não esteroides (AINES)" e "Corticoides".

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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