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Câncer de boca e suas características

Tuesday, June 28, 2022
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Câncer de boca e suas características

O que é câncer de boca?

O câncer de boca ou câncer oral é uma lesão que afeta os lábios e outras estruturas da boca, como gengivas, bochechas, céu da boca, assoalho da boca (região embaixo da língua) e língua. O tipo mais frequente do câncer de boca é o chamado carcinoma espinocelular ou carcinoma epidermoide, que aparece com maior frequência na língua e no lábio inferior.

Tumores malignos também podem se desenvolver nas glândulas salivares, nas amígdalas na parte de trás da boca e na parte da garganta que conecta a boca à traqueia. No entanto, esses tumores são menos comuns e têm um comportamento diferente do câncer de cavidade oral.

Quais são as causas do câncer de boca?

A maioria dos cânceres de boca são devidos a mutações de células escamosas das mucosas que revestem os lábios e o interior da boca. Não está claro o que causa as mutações nessas células, mas há evidentes fatores que aumentam o risco de câncer de boca:

  1. fumar cigarro ou utilizar outros produtos derivados do tabaco;
  2. consumo imoderado de bebidas alcoólicas;
  3. exposição ao sol, sem proteção;
  4. excesso de gordura corporal;
  5. exposição prolongada ao pó de amianto, poeira de madeira, couro, cimento, formaldeído, sílica, fuligem de carvão, solventes orgânicos e agrotóxicos;
  6. infecção pelo papilomavírus humano (HPV).

Qual é o substrato fisiopatológico do câncer de boca?

Os cânceres de boca ocorrem quando as células localizadas nos lábios ou na boca experimentam mutações em seu DNA. O DNA determina o papel a ser desempenhado pelas células e as mutações “dizem” a elas para continuar crescendo e se dividindo quando as células saudáveis morrerem. A massa de células mutadas acumuladas pode formar um tumor. Com o tempo, essas células podem se espalhar para outras partes do corpo. Como dito acima, mais comumente, os cânceres de boca começam nas células escamosas que revestem os lábios e o interior da boca.

Leia sobre "Prevenção do câncer", "Manchas brancas na gengiva: pode ser leucoplasia" e "Marcadores tumorais".

Quais são as características clínicas do câncer de boca?

O câncer de boca é mais comum em homens que em mulheres, numa proporção de cerca de 2,7:1, sendo o quarto tumor mais frequente no sexo masculino na região Sudeste do Brasil. Quase sempre ocorre numa idade acima dos 40 anos.

Os sinais e sintomas do câncer de boca são muito variáveis, na dependência de sua localização, mas no geral incluem:

  • uma ferida no lábio ou na boca que não cicatriza em duas semanas;
  • uma mancha branca ou avermelhada no interior da boca ou língua (principalmente nas bordas da língua);
  • dentes soltos;
  • crescimento ou caroço dentro da boca;
  • dor na boca ou ouvido;
  • deglutição difícil ou dolorosa.

Como diagnosticar o câncer de boca?

A maioria dos casos de câncer de boca é diagnosticada em estágios avançados, seja porque a princípio os tumores são assintomáticos e mais difíceis de serem notados, seja porque são confundidos com outras lesões benignas da boca.

O diagnóstico deve cumprir alguns passos sequenciais a começar pela história clínica e seguir por um exame físico e outros procedimentos. No exame físico, o médico ou o dentista (muitas vezes o primeiro profissional a ter contato com as lesões) examinará os lábios e boca e constatará a presença e a natureza das lesões. Se for encontrada lesão suspeita, o médico ou dentista removerá uma amostra de células para biópsia. No laboratório, as células são analisadas para câncer ou alterações pré-cancerosas que indicam um risco de câncer futuro.

Uma vez que o câncer de boca tenha sido diagnosticado, o médico procurará determinar a extensão e estágio do câncer. Ademais, por meio de uma pequena câmera, inspecionará a garganta do paciente. Durante um procedimento chamado endoscopia, o médico pode passar uma câmera pequena e flexível equipada com uma luz na garganta para procurar sinais de que o câncer se espalhou além da boca.

Outros exames de imagem (radiografias, tomografia computadorizada, ressonância magnética e tomografia por emissão de pósitrons, entre outros) podem ajudar a determinar se o câncer está limitado à boca ou se já se espalhou para outros órgãos além dela. Esses exames devem ser individualizados porque nem todo paciente precisará de todos eles.

Como o médico trata o câncer de boca?

O tratamento para o câncer de boca depende da localização e estágio do câncer, bem como da saúde geral do paciente. As opções de tratamento incluem cirurgia, radioterapia e quimioterapia.

A cirurgia é feita para remover o tumor. Tumores menores podem ser totalmente removidos através de pequenas cirurgias; tumores maiores podem exigir procedimentos mais extensos como, por exemplo, remoção de uma seção do maxilar ou de uma parte da língua. Se as células cancerígenas já tiverem se espalhado para os gânglios linfáticos do pescoço, eles também devem ser removidos. Dependendo dos efeitos dessa cirurgia, uma outra pode ser necessária para reconstruir a boca eventualmente deformada, para ajudar o paciente a recuperar a capacidade de falar e comer.

A radioterapia é a emissão de ondas de alta frequência dirigidas ao tumor para matar as células cancerosas que tenham restado no local. Quase sempre é usada após a cirurgia, mas às vezes pode ser usada sozinha, se o câncer estiver em estágio inicial. Antes ou após a cirurgia e a radioterapia, o médico pode recomendar ao paciente uma visita ao dentista para avaliar a situação dos seus dentes.

A quimioterapia é um tratamento que usa produtos químicos para matar as células cancerosas que já tenham se espalhado para outros locais do corpo. A quimioterapia pode aumentar a eficácia da radioterapia, de modo que os dois são frequentemente combinados.

Outros tratamentos possíveis consistem na terapia medicamentosa, com medicamentos agindo diretamente no câncer, visando alterar aspectos específicos das células cancerígenas. A imunoterapia usa o sistema imunológico para combater o câncer ativando esse sistema. As células cancerígenas produzem proteínas que cegam as células do sistema imunológico em relação a elas. A imunoterapia funciona interferindo nesse processo, tornando mais ativo o sistema imunológico.

Veja também sobre "Câncer de Cabeça e Pescoço", "Parar de fumar: como é" e "Alimentação saudável".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites do INCA - Instituto Nacional do Câncer, do Hospital Israelita Albert Einstein e da NHS – National Health Service.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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