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Câncer de pâncreas: fatores de risco, sinais e sintomas, diagnóstico, tratamento

Tuesday, October 1, 2013
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Câncer de pâncreas: fatores de risco, sinais e sintomas, diagnóstico, tratamento

Algumas considerações sobre o câncer de pâncreas

O pâncreas é uma glândula com dupla função, endócrina (secreta insulina e glucagon) e exócrina (secreta enzimas digestivas). Ele é localizado na parte superior do abdome, posteriormente ao estômago. O tipo mais comum de câncer de pâncreas é o adenocarcinoma, tumor que se origina no tecido glandular (90% das neoplasias malignas desse órgão). Outros tipos podem ser: pseudotumores, tumores endócrinos, neoplasias císticas, neoplasias sólidas, mesenquimais ou hematopoiéticas. O câncer de pâncreas é raro antes dos 30 anos e mais frequente após os 60 anos e ligeiramente mais comum em homens que em mulheres e em negros que em brancos. Esse tipo de câncer é a quinta causa de morte por malignidade no ocidente. No Brasil, ele representa 2% de todos os tipos de câncer e 4% do total de mortes por câncer. A taxa de mortalidade devido ao câncer de pâncreas é alta, seja porque o diagnóstico geralmente é tardio, seja pela sua característica extremamente agressiva. A sobrevida média após cinco anos é baixa. Após o diagnóstico, o tempo de vida é de 4 a 6 meses, em média.

O câncer de pâncreas pode ocorrer em qualquer parte do órgão (cabeça, processo uncinado, corpo, colo e cauda), mas é mais comum na cabeça do pâncreas.

Fatores de risco para o câncer de pâncreas

Alguns fatores aumentam a possibilidade do indivíduo vir a sofrer um câncer de pâncreas:

  • Tabagismo.
  • Uso crônico de álcool.
  • Obesidade.
  • Hábitos dietéticos como a ingestão de gorduras e de carne em excesso.
  • Pancreatite crônica.
  • Aplicações anteriores de radioterapia.
  • Diabetes mellitus tipo 2.
  • Exposição prolongada a determinados produtos químicos.
  • Certas síndromes genéticas.
  • Cirurgias para tratamento de úlceras ou retirada da vesícula biliar.
  • Câncer de mama ou melanoma familiar.

Quais são os principais sinais e sintomas do câncer de pâncreas?

O crescimento do tumor pancreático geralmente é lento e não apresenta sintomas específicos nos primeiros momentos, o que dificulta o diagnóstico precoce. Suas primeiras manifestações podem ser dor abdominal, perda de apetite, emagrecimento (frequente), fraqueza, cansaço, diarreia, tontura, icterícia, urina escura, fezes claras com cor de argila e diabetes mellitus tipo 2. Os sintomas dependem da região onde esteja localizado o tumor.

Como o médico diagnostica o câncer de pâncreas?

A suspeita do câncer de pâncreas é feita por meio de uma história clínica e um exame físico bem feitos. A presença de uma vesícula biliar distendida, sem a presença de dor, é um forte indicativo de câncer pancreático. A monitoração sanguínea dos marcadores tumorais pode ajudar no diagnóstico (o mais usado é o CA 19-9). A ultrassonografia, a tomografia computadorizada, a colangiografia, a ressonância magnética, o PET e, por fim, a biópsia do tecido pancreático ajudam a fechar o diagnóstico. Como os sintomas iniciais do câncer de pâncreas podem ser confundidos com manifestações de outras enfermidades, deve ser feito um rigoroso diagnóstico diferencial.

Como o médico trata o câncer de pâncreas?

O único tratamento possível visando à cura é a cirurgia, com a retirada de todo o tumor respeitando-se margem de segurança livres da doença, assim como a retirada dos gânglios regionais. Este procedimento, contudo, somente está indicado em pacientes em que o câncer esteja localizado, sem metástases.

Tumores da cauda do pâncreas podem ser removidos através de uma pancreatectomia distal. Em casos avançados, onde uma cirurgia radical não é mais possível, uma cirurgia de bypass pode ser realizada paliativamente para diminuir a obstrução e melhorar a qualidade de vida do paciente.

Quimioterapia e radioterapia podem ser associadas à cirurgia, usadas para evitar recidivas do tumor ou como tratamentos paliativos para aliviar os sintomas. Deve-se ter em conta que a pancreatectomia é uma cirurgia de grande porte, exigindo que o paciente esteja em bom estado geral para a sua realização.

Como prevenir o câncer de pâncreas?

Não há como prevenir o câncer de pâncreas de maneira absoluta, mas há como diminuir a influência dos fatores de risco: não fumar e evitar o excesso e o uso crônico de álcool. Pessoas com pancreatite crônica, diabetes mellitus, histórico familiar para câncer ou submetidas a certas cirurgias de estômago, duodeno e vesícula biliar devem manter um acompanhamento médico regular, por estarem sob um maior risco da enfermidade. 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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