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Câncer in situ e câncer invasivo

Tuesday, October 22, 2024
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Câncer in situ e câncer invasivo

O que é câncer in situ e câncer invasivo?

O câncer in situ (latim: "in situ" = no lugar) ou carcinoma in situ, recebe esse nome por dois motivos: (1) é composto por células anormais que possuem a capacidade de se multiplicar de forma descontrolada; e (2) essas células permanecem confinadas em uma área específica do órgão, sem capacidade de se disseminar para camadas mais profundas ou para outras partes do corpo, como vasos sanguíneos, linfáticos ou órgãos distantes.

Esse termo também é usado para descrever o estágio inicial de um câncer, em que as células malignas estão presentes, mas ainda não invadiram os tecidos adjacentes nem se espalharam para outras áreas. Ou seja, o câncer está confinado ao local de origem, sendo considerado uma etapa pré-maligna.

No câncer invasivo (ou infiltrante), as células cancerígenas invadem estruturas mais profundas do órgão, alcançando a corrente sanguínea ou linfática. Com isso, podem se disseminar para outras camadas do órgão e para diferentes partes do corpo, formando novos focos da doença (metástases).

Leia sobre "Câncer - informações importantes" e "Prevenção do câncer".

Tipos mais comuns de câncer in situ e de câncer invasivo

Os tipos mais comuns de câncer in situ incluem:

  1. Carcinoma ductal in situ, o tipo mais comum de câncer de mama in situ.
  2. Carcinoma lobular in situ, outro tipo de câncer de mama que ocorre nos lóbulos mamários. Embora não seja um câncer verdadeiro, aumenta significativamente o risco de desenvolvimento de câncer invasivo em ambas as mamas.
  3. Carcinoma in situ de cólon e reto, que ocorre no revestimento interno do cólon ou reto, sendo uma fase inicial do câncer colorretal.
  4. Carcinoma in situ do colo do útero, um estágio precoce do câncer cervical.
  5. Carcinoma in situ da pele.
  6. Carcinoma in situ da bexiga, que ocorre no revestimento interno da bexiga.
  7. Carcinoma in situ do pulmão, também conhecido como carcinoma bronquioloalveolar, em que as células malignas estão confinadas aos alvéolos pulmonares.

Os tipos mais comuns de câncer invasivo incluem:

  1. Câncer de mama, mais frequente em mulheres, mas que também pode ocorrer em homens.
  2. Câncer de pulmão, que afeta tanto homens quanto mulheres e está frequentemente associado ao tabagismo, mas também pode ocorrer em não fumantes.
  3. Câncer colorretal, que envolve o cólon e o reto.
  4. Câncer de próstata, mais comum em homens mais velhos.
  5. Câncer de pele (não melanoma), como o carcinoma basocelular e o carcinoma espinocelular, geralmente relacionados à exposição ao sol.
  6. Câncer de estômago, prevalente em algumas regiões, como a Ásia Oriental, e associado à infecção por H. pylori.
  7. Câncer de fígado, relacionado a infecções crônicas por hepatite B ou C e ao consumo excessivo de álcool.
  8. Câncer de esôfago, com fatores de risco como tabagismo, consumo de álcool e refluxo gastroesofágico.
  9. Câncer de pâncreas, frequentemente diagnosticado tardiamente, resultando em alta taxa de mortalidade.
  10. Câncer de bexiga, mais comum em homens e frequentemente ligado ao tabagismo ou à exposição a substâncias químicas.

Quais são as causas do câncer in situ e do câncer invasivo?

As causas do câncer são multifatoriais, envolvendo mutações genéticas, exposição a carcinógenos, alterações hormonais, inflamações crônicas, dieta inadequada, sedentarismo, consumo de álcool, obesidade, entre outros. Não se pode atribuir o desenvolvimento do câncer a um único fator, pois esses elementos atuam de forma combinada. Alguns desses fatores são evitáveis, enquanto outros estão relacionados à constituição genética da pessoa e ao ambiente em que ela vive, como a qualidade do ar e a exposição à radiação solar.

Tanto o câncer in situ quanto o câncer invasivo compartilham causas semelhantes, envolvendo uma combinação de fatores genéticos e ambientais. No entanto, para que o câncer in situ se torne invasivo, outras mutações precisam ocorrer, permitindo que as células malignas invadam tecidos adjacentes. Fatores como mudanças na matriz extracelular, crescimento de novos vasos sanguíneos (angiogênese) e um sistema imunológico comprometido também podem contribuir para a progressão da doença.

Quais são as características clínicas do câncer in situ e do câncer invasivo?

As principais características clínicas do câncer in situ incluem:

  • As células cancerígenas permanecem confinadas ao local de origem, sem se espalharem para tecidos vizinhos ou outras partes do corpo.
  • Não há metástases.
  • Frequentemente, não há sintomas ou eles são leves e inespecíficos.
  • Muitas vezes, é detectado em exames de rotina, como mamografias, colonoscopias e exames de Papanicolau.
  • O prognóstico geralmente é muito bom, pois o câncer in situ é mais fácil de tratar devido à sua localização limitada.

As principais características dos cânceres invasivos são:

  • Invasão e destruição de tecidos normais ao redor do tumor primário.
  • Potencial para metástases, com disseminação para outras partes do corpo por meio da corrente sanguínea ou do sistema linfático.
  • Requer tratamentos mais agressivos, como cirurgia, radioterapia e quimioterapia.
  • O prognóstico varia amplamente dependendo do tipo de câncer, do estágio em que foi diagnosticado, da localização e da extensão da invasão.
Saiba mais sobre "O que são metástases", "Radioterapia" e "Quimioterapia".

Como o médico diferencia o câncer in situ do câncer invasivo?

A detecção precoce e precisa desses tipos de câncer é essencial para um tratamento eficaz e um melhor prognóstico. A biópsia é uma das técnicas mais decisivas, pois no câncer in situ as células estão confinadas ao local de origem, enquanto no câncer invasivo as células já romperam a membrana basal e invadiram tecidos vizinhos. Exames de imagem podem revelar massas metastáticas além do tumor original.

Em casos de câncer in situ, especialmente os de pele, o exame físico pode identificar lesões suspeitas. No câncer invasivo, o médico pode detectar massas ou nódulos palpáveis. Estudos histopatológicos das amostras cirúrgicas podem confirmar a invasão, incluindo a penetração em vasos sanguíneos ou linfáticos. Além disso, alguns tipos de câncer produzem marcadores tumorais, que podem ser detectados no sangue.

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites do Hospital Israelita Albert Einstein e do INCA - Instituto Nacional do Câncer.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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