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Oncogênese - Como se dá o processo de formação do câncer?

Tuesday, March 15, 2022
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Oncogênese - Como se dá o processo de formação do câncer?

O que é oncogênese?

A oncogênese (latim: onco = tumor + genesis = início, origem), que também pode ser chamada de carcinogênese, é um complicado processo de formação de tumores malignos, que se passa em várias etapas que acontecem lentamente, podendo levar vários anos, e pelas quais as células normais são transformadas em células cancerosas.

Os oncogenes (genes que levam ao câncer) são genes relacionados com o aparecimento e crescimento de tumores, malignos ou benignos, e foram descobertos a partir de estudos feitos com retrovírus. Os tumores surgem quando os processos que controlam a divisão, localização e mortalidade da célula deixam de ocorrer adequadamente. Essa mudança envolve modificações genéticas que criam os oncogenes, os quais fazem com que as células cresçam e se comportem de maneira anormal.

Os chamados proto-oncogenes (células que podem dar surgimento aos oncogenes) são genes que normalmente ajudam as células a crescer, mas que quando sofrem mutações podem ficar permanentemente “ligados” ou ativados, fazendo com que as células cresçam desordenadamente, dando origem ao câncer.

Leia sobre "Câncer - o que é", "Prevenção do câncer", "Entendendo o que são metástases" e "Linfonodo sentinela".

Como se dá o processo de formação do câncer?

As células do organismo são formadas por três partes: (1) membrana celular, a parte mais externa, que envolve a célula; (2) citoplasma, que é o “corpo” da célula; e (3) núcleo, que contém os cromossomos – os quais, por sua vez, são compostos de genes.

Os genes são arquivos que guardam e fornecem instruções para a organização das estruturas, formas e atividades das células no organismo. Toda informação genética do indivíduo encontra-se inscrita nos genes, numa “memória química” que é o ácido desoxirribonucleico (DNA).

O câncer surge a partir de uma mutação dos genes, ou seja, de uma alteração no DNA da célula, que passa a receber instruções erradas para seu funcionamento. As alterações podem ocorrer em genes especiais, denominados proto-oncogenes, que a princípio são inativos em células normais. Quando ativados, os proto-oncogenes tornam-se oncogenes, responsáveis por transformar as células normais em células cancerosas.

O processo de formação do câncer é lento, podendo levar vários anos para que uma célula cancerosa se prolifere e dê origem a um tumor visível. O início, promoção e progressão do tumor depende dos efeitos cumulativos de diferentes agentes cancerígenos. No entanto, devem ser consideradas também as características individuais, que facilitam ou dificultam a instalação do dano celular.

Esse processo de formação do tumor é composto por três estágios: 

  1. Estágio de iniciação, em que os genes sofrem a ação dos agentes cancerígenos, que provocam modificações em alguns deles. Nessa fase, as células já se encontram geneticamente alteradas, mas ainda não é possível detectar um tumor clinicamente. Elas encontram-se “preparadas” para a ação de um segundo grupo de agentes que atuará no próximo estágio.
  2. Estágio de promoção, em que as células geneticamente “preparadas” sofrem o efeito dos agentes cancerígenos e são, lenta e gradualmente, transformadas em células malignas. Alguns componentes da alimentação e a exposição excessiva e prolongada a hormônios são exemplos que levam à transformação de células “preparadas” em malignas. A suspensão do contato com esses agentes muitas vezes interrompe o processo nesse estágio pré-maligno.
  3. Estágio de progressão, que corresponde à multiplicação descontrolada e irreversível das células alteradas. Nesse estágio, o câncer já está instalado, evoluindo até o surgimento das suas primeiras manifestações clínicas.

As causas dos cânceres obedecem a um conjunto complicado de fatos e circunstâncias. Na maioria das vezes, são múltiplos os fatores que concorrem para causar um câncer. Qualquer fator que danifique o DNA ou cause certas mudanças genéticas, por exemplo, aumentam o risco de câncer. Chama-se carcinógenos a esses fatores ou substâncias que têm a potencialidade de levar a um câncer.

Por exemplo, a exposição excessiva à radiação solar, que aumenta o risco de câncer de pele; a exposição a substâncias presentes nos cigarros, que aumentam o risco de câncer de pulmão; ou a reposição hormonal, que pode levar ao câncer de mama; etc.

Algumas substâncias não causam danos diretos ao DNA, mas alteram a codificação genética de uma maneira que torna o câncer mais provável. No momento em que uma célula se torna cancerosa, ela adquiriu uma série de mutações genéticas que continua a transmitir às suas células filhas à medida que se divide.

As interrupções na função celular normal também podem aumentar o risco de câncer, como acontece, por exemplo, no refluxo gastroesofágico, uma condição na qual as células da parte terminal do esôfago não estão se comportando normalmente, mas ainda não estão agindo como células cancerígenas totalmente desenvolvidas. Há evidências crescentes de que esse e outros tipos de inflamação crônica também podem aumentar o risco de câncer.

As infecções por certos tipos de vírus também podem aumentar o risco de câncer. Em alguns casos, eles podem inserir material genético em células normais e, em outros casos, podem perturbar o sistema imunológico, aumentando assim o risco de tumores malignos.

Por fim, são também de grande importância tanto a história familiar como a idade. A pessoa pode ter herdado de seus pais certos genes mais propícios ao câncer e, embora haja certos cânceres que ocorrem quase exclusivamente em crianças, o risco da maioria dos cânceres aumenta com a idade.

Quais são as diferenças entre o câncer e um tumor benigno?

Os tumores benignos compartilham algumas características com o câncer. Eles podem também ter adquirido alguns arranjos genéticos que os fazem se comportar de maneira diferente do tecido normal e se dividir de forma descontrolada. Porém, um tumor benigno não é propenso à disseminação no corpo, enquanto um câncer verdadeiro tem a capacidade de invadir tecidos próximos e/ou criar metástases por todo o corpo.

Em raras circunstâncias, o tumor benigno pode passar a ser maligno e se espalhar, mas geralmente isso não acontece. Contudo, isso não quer dizer que o tumor benigno não gere problemas. Ele pode, por exemplo, crescer em demasia e/ou pressionar um órgão vital ou um vaso sanguíneo importante adjacente.

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Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da U.S. National Library of Medicine e da Oxford Medicine.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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