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A gravidez e o Coronavírus

Friday, March 27, 2020
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A gravidez e o Coronavírus

A gravidez apresenta algum tipo de cuidado especial nesses tempos de coronavírus?

Estar grávida não é apenas gestar, é uma condição que ocupa um âmbito muito maior na vida da mulher, envolvendo (1) o planejamento para engravidar; (2) a preparação para receber o bebê; (3) o acompanhamento da gestação através do seguimento pré-natal; (4) o parto e o pós-parto; (5) a amamentação; (6) o recebimento de cumprimentos e visitas pelo nascimento do bebê e (7) os cuidados com o bebê.

Cada uma dessas etapas precisa sofrer algumas mudanças em relação ao que ocorre tradicionalmente devido à situação atual com o coronavírus.

O que se sabe até agora é que não existe uma incompatibilidade formal entre gravidez e infecção pelo coronavírus, mas apenas alguns incômodos que podem ser minimizados ou mesmo evitados.

Até o momento, não se detectou nenhum caso de transmissão vertical, de mãe para filho. Nem se constatou a presença do vírus no líquido amniótico, no sangue do cordão umbilical, no leite materno ou em secreções orofaríngeas de recém-nascidos. Também não há demonstrações de que as chances das gestantes se contaminarem sejam diferentes das demais pessoas.

As grávidas, como todo mundo, devem procurar evitar a contaminação lavando frequentemente as mãos com água e sabão, usando álcool em gel para desinfetar as mãos e os objetos e superfícies que tenham que tocar e evitando locais de aglomeração de pessoas.

Leia sobre "Mastite", "Diferenças entre pré-eclâmpsia e eclâmpsia", "Aleitamento materno", "Teste de Apgar","Icterícia neonatal" e "Fototerapia para a icterícia do recém-nascido".

Examinemos cada uma das etapas envolvidas na gravidez:

O planejamento para engravidar

Embora a gravidez não seja mais que um estado fisiológico, não há dúvidas que ela demanda uma condição de maiores exigências habituais. A mulher deve cuidar agora de duas vidas – a sua e a do bebê – e, para que a gravidez transcorra normalmente, precisa que seu organismo esteja na plenitude de seu funcionamento normal. Não só o coronavírus, mas qualquer outra condição que debilite o organismo, tem o potencial de prejudicar a gravidez. Por isso, a mulher deve adiar um pouco seus planos de engravidar se tem a possibilidade de contrair o coronavírus.

A preparação para receber o bebê

De uma maneira geral, tão logo constate a gravidez, a mulher começa com os preparativos para receber o bebê, tais como preparar o berço do bebê, adquirir seu enxoval, arranjar seu quartinho e tomar outras providências. Isso implica em comprar produtos ou ganhar vários deles de presente. Em tempos de isolamento social estrito ou não, isso fica muito comprometido e deve ser recebido com cuidados especiais. O bebê talvez tenha uma recepção mais simples, mas mais segura.

Comprometimento do pré-natal

O acompanhamento pré-natal é essencial para o desenvolvimento normal da gravidez, para detectar precocemente algum eventual problema e para ter um parto seguro. Ele visa tanto garantir uma evolução normal do bebê quanto a higidez da mulher. Porém, o pré-natal impõe frequentar salas de espera e laboratórios, geralmente cheios de pessoas doentes, e aumentar, assim, os riscos de contaminação, indo na contramão das recomendações de isolamento social. Restringir o pré-natal significa aumentar as chances de ter problemas durante a gravidez. E isso precisa ser conversado e equilibrado entre o obstetra e a gestante, levando em conta as consultas fundamentais para o desenvolvimento saudável do bebê e a manutenção da saúde materna. 

O parto e o pós-parto

Ao que se sabe, não há maiores dificuldades para o parto e o pós-parto se uma paciente estiver contaminada pelo coronavírus. No entanto, o parto e o pós-parto são eventos que exigem um maior desempenho do organismo da mulher e por isso o ideal é que ela esteja na plenitude de suas condições físicas. Além disso, se ela é ou não contaminada, ela será internada, mesmo que seja por um período breve, o que aumenta seus contatos com outras pessoas e profissionais de saúde, aos quais pode transmitir o vírus e dos quais pode recebê-lo.

As mulheres que estejam em boas condições gerais de saúde podem fazer, normalmente, o parto vaginal. No entanto, aquelas com restrição respiratória e baixa taxa de oxigenação devem ser submetidas à cesárea, a despeito do risco anestésico, e algumas terão de fazer uma interrupção precoce da gravidez, conforme avaliação e decisão médicas.

A amamentação

A mãe não contaminada pode amamentar normalmente o bebê, mas deve higienizar bem as mãos antes de fazê-lo. Também poderá fazer a ordenha de seu leite e ministrá-lo ao bebê por meio de mamadeiras, caso seja necessário. Se a mulher estiver contaminada, o vírus não se transmite pelo leite e, teoricamente, a mãe contaminada não precisa deixar de amamentar por esse motivo.

Como há a possibilidade de que a mãe contaminada possa transmitir a doença através de gotículas respiratórias, ela deve sempre usar máscara ao amamentar. Será um sofrimento muito grande se ela tiver de isolar-se por vários dias de seu bebê e procurar alimentá-lo por outros meios, por isso todas as medidas preventivas devem ser adotadas, evitando tal afastamento entre mãe e filho.

O impedimento de receber visitas

Quem tiver qualquer condição infeciosa, por mais simples que seja, não deve visitar recém-nascidos. Como as pessoas infectadas pelo coronavírus podem não apresentar sintomas, esses cuidados devem ser redobrados com relação a essa doença. Nesses tempos de coronavírus, a mulher e seu bebê devem evitar receber visitas, embora isso aumente a solidão e certa depressão que podem ocorrer no período pós-parto, e suprima as alegrias e júbilos compartilhados com outras pessoas. Criar novas formas de contato social pode ajudar, como chamadas por vídeo para mostrar o bebê a quem gostaria de visitá-lo ou mandar uma foto do bebê junto com a mamãe e o papai para os familiares. Isso pode alegrar toda a família, que em breve poderá conhecer pessoalmente o recém-chegado.

Os cuidados com o bebê

Toda criança recém-nascida é mais susceptível às infecções virais, inclusive ao coronavírus, porque seu sistema imunológico ainda é imaturo.

Não há evidências que sugiram que a separação do bebê de uma mãe infectada seja necessária, ainda é cedo para termos esse tipo de informação. O impacto dessa separação, mesmo que adotada por precaução, pode ter um efeito muito deletério para o bebê e a mãe. A situação deve ser decidida caso a caso, com a ajuda do obstetra, do pediatra e, se necessário, de um psicólogo.

Cuidar de um recém-nascido não é tarefa fácil, mas pode ser muito prazerosa se realizada com tranquilidade e coragem. E sem ter em mente que os cuidados precisam ser perfeitos. Toda mulher nasce naturalmente com o dom de cuidar da própria cria e é capaz de fazer isso. Se a mulher tiver que fazer isso sozinha, nesses tempos de coronavírus, ela vai conseguir e precisa acreditar na sua força. Os pais podem e devem ajudar, já que as avós, que geralmente estão sempre por perto nessa fase, precisarão se resguardar em casa neste período.

Veja também sobre "Dieta saudável na gravidez", "Amamentação - alimentos que as mães devem evitar", "Peso normal de um bebê durante a gestação" e "Cólicas do Recém-nascido".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas dos sites da SBMFC - Sociedade Brasileira de Medicina da Família e Comunidade e FIOCRUZ - Brasil.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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