A relação entre saúde bucal e doenças do coração

A saúde bucal exerce influência importante sobre todo o organismo, inclusive sobre o sistema cardiovascular. Estudos científicos das últimas décadas demonstraram que a doença periodontal, especialmente a periodontite, pode contribuir para o desenvolvimento ou agravamento de doenças cardiovasculares. As doenças da cavidade oral podem favorecer inflamação sistêmica de baixo grau, disseminação de bactérias pela corrente sanguínea e alterações imunológicas capazes de afetar o coração e os vasos sanguíneos.
Embora a associação entre saúde bucal e doenças cardiovasculares seja bem estabelecida, a relação de causa e efeito ainda continua sendo investigada, pois ambas compartilham diversos fatores de risco, como tabagismo, diabetes mellitus, obesidade e envelhecimento. Por isso, a manutenção da saúde bucal tornou-se também uma importante medida de proteção cardiovascular.
- O que é saúde bucal?
- Qual é a importância da saúde bucal para o coração?
- Como as bactérias da boca chegam ao coração?
- Qual é a relação entre a saúde bucal e as doenças cardiovasculares?
- Quais outros fatores atuam na relação entre saúde bucal e doenças cardiovasculares?
- Como prevenir problemas cardíacos relacionados à saúde bucal?
O que é saúde bucal?
Saúde bucal é o estado de equilíbrio e normalidade das estruturas da boca, incluindo dentes, gengivas, língua, mucosas, glândulas salivares e ossos maxilares. Uma boca saudável permite mastigação adequada, fala normal, ausência de dor, boa estética e proteção contra infecções. As principais doenças bucais incluem:
- Cárie dentária
- Gengivite
- Periodontite
- Abscessos dentários
- Infecções endodônticas
- Perda dentária
- Halitose (mau hálito)
- Lesões da mucosa oral
Entre elas, a periodontite, uma inflamação crônica das estruturas que sustentam os dentes, especialmente o ligamento periodontal, a gengiva e o osso alveolar, é a doença que mais se relaciona com problemas cardiovasculares. Ela geralmente se inicia como gengivite e, quando não tratada, progride, destruindo os tecidos de suporte dentário. A periodontite crônica pode durar anos e produzir efeitos sistêmicos relevantes.
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Qual é a importância da saúde bucal para o coração?
A saúde bucal possui relação significativa com a saúde cardiovascular. A boca deve ser compreendida como parte integrante do organismo e, dessa forma, cuidar dela também é uma forma de cuidar da saúde cardiovascular e da qualidade de vida como um todo.
O coração e a boca mantêm relação particularmente importante por meio da inflamação e da circulação sanguínea. Mesmo sintomas bucais aparentemente simples não devem ser negligenciados. Doenças periodontais, por exemplo, podem favorecer inflamação sistêmica, disfunção endotelial, bacteremia e aumento do risco de complicações cardiovasculares, incluindo infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral (AVC) e endocardite infecciosa.
Diversos estudos mostram que o tratamento periodontal reduz marcadores inflamatórios sistêmicos. Após raspagem periodontal e melhora da higiene oral, observa-se redução de substâncias inflamatórias relacionadas à aterosclerose, como a proteína C-reativa (PCR) e algumas citocinas inflamatórias. Embora ainda existam pesquisas em andamento para definir exatamente o impacto do tratamento odontológico sobre a redução de eventos clínicos cardiovasculares, há evidências de que manter gengivas saudáveis contribui para menor carga inflamatória sistêmica. Portanto, o cuidado odontológico integra o conceito moderno de medicina preventiva.
Atualmente, médicos e cirurgiões-dentistas reconhecem cada vez mais a importância da integração entre saúde bucal e saúde geral. O organismo funciona de maneira interdependente, e alterações localizadas podem repercutir em sistemas distantes.
Como as bactérias da boca chegam ao coração?
A cavidade oral possui rica vascularização. Quando a gengiva está inflamada, ocorre maior fragilidade dos vasos sanguíneos locais. Atividades simples, como mastigar, escovar os dentes ou usar fio dental, podem permitir que bactérias presentes na placa bacteriana penetrem na circulação sanguínea. Esse fenômeno, denominado bacteremia transitória, costuma ser rapidamente controlado pelo sistema imunológico em indivíduos saudáveis.
Entretanto, em pessoas suscetíveis, essas bactérias podem alcançar os vasos sanguíneos e o coração e aderir às válvulas cardíacas, ao endotélio vascular ou a áreas previamente lesionadas do sistema cardiovascular. Além das bactérias propriamente ditas, substâncias inflamatórias produzidas na gengiva também entram na circulação, contribuindo para a inflamação sistêmica.
Qual é a relação entre a saúde bucal e as doenças cardiovasculares?
Diversos estudos demonstraram associação entre periodontite e aterosclerose, havendo vários mecanismos envolvidos. A doença periodontal aumenta a produção de mediadores inflamatórios, como interleucina-6 (IL-6), fator de necrose tumoral alfa (TNF-α) e proteína C-reativa (PCR), que favorecem inflamação vascular e contribuem para o desenvolvimento das placas ateroscleróticas. Além disso, as toxinas bacterianas podem danificar o endotélio vascular, facilitando o acúmulo de colesterol e a formação de placas.
A inflamação sistêmica também pode aumentar a agregação plaquetária e favorecer trombose, elevando o risco de infarto e AVC. Por outro lado, a presença de DNA de bactérias periodontais em placas ateroscleróticas demonstra que esses microrganismos podem alcançar os vasos sanguíneos, embora isso não prove, isoladamente, que sejam responsáveis pela formação das placas.
Pacientes com doença periodontal apresentam maior risco cardiovascular quando comparados à população sem periodontite. Alguns estudos sugerem aumento significativo do risco de eventos coronarianos em indivíduos com inflamação gengival grave. Isso não significa que a periodontite seja a única causa do infarto, mas que ela pode atuar como um fator adicional de risco dentro de um conjunto de fatores cardiovasculares já conhecidos.
Uma das mais conhecidas relações entre boca e coração é a endocardite infecciosa. Ela ocorre quando bactérias entram na corrente sanguínea e aderem a estruturas cardíacas predispostas, como válvulas cardíacas protéticas, válvulas previamente lesionadas ou determinadas cardiopatias congênitas. Procedimentos odontológicos invasivos, especialmente em pessoas com doenças cardíacas predisponentes, podem causar bacteremia importante.
A endocardite pode ser grave e potencialmente fatal. Por esse motivo, as diretrizes atuais recomendam profilaxia antibiótica para pacientes com condições cardíacas de alto risco, antes de determinados procedimentos odontológicos que envolvam manipulação da gengiva, da região periapical dos dentes ou perfuração da mucosa oral. Essa indicação deve seguir recomendações específicas do médico e do cirurgião-dentista, não sendo necessária para a maioria dos pacientes.
Quais outros fatores atuam na relação entre saúde bucal e doenças cardiovasculares?
O diabetes mellitus constitui importante elo entre saúde bucal e saúde cardiovascular. Pacientes diabéticos apresentam maior predisposição à doença periodontal devido a alterações imunológicas, inflamatórias e vasculares. Ao mesmo tempo, a inflamação periodontal dificulta o controle glicêmico. Assim, forma-se um ciclo prejudicial: o diabetes favorece a periodontite; a periodontite aumenta a inflamação sistêmica; a inflamação piora a resistência à insulina; e o diabetes mal controlado aumenta o risco cardiovascular. Portanto, cuidar da saúde bucal também ajuda no controle metabólico e cardiovascular do diabético.
A perda de dentes também tem sido associada a maior risco cardiovascular. Isso pode ocorrer porque frequentemente reflete doença periodontal avançada, prejudica a mastigação, favorece dietas inadequadas e relaciona-se com maior inflamação sistêmica. Além disso, pessoas com poucos dentes muitas vezes consomem menos frutas, vegetais e fibras, aumentando a ingestão de alimentos ultraprocessados e ricos em gorduras e açúcares.
O mau hálito, ou halitose, geralmente está relacionado à proliferação bacteriana oral. Embora nem sempre indique doença, pode ser um sinal indireto de higiene bucal inadequada, doença periodontal ou outras condições da cavidade oral. A persistência da halitose, apesar da higiene bucal adequada, deve motivar avaliação odontológica.
Como prevenir problemas cardíacos relacionados à saúde bucal?
A prevenção de problemas cardiovasculares associados às doenças bucais depende principalmente de hábitos adequados de higiene oral e do controle dos fatores de risco cardiovasculares. As medidas mais importantes incluem escovação dos dentes com creme dental fluoretado pelo menos duas vezes ao dia, preferencialmente após as refeições e antes de dormir, uso diário do fio dental, limpeza da língua e consultas odontológicas periódicas.
Além disso, é fundamental manter alimentação saudável, evitar o tabagismo, controlar o diabetes, a pressão arterial e os níveis de colesterol, praticar atividade física regularmente e seguir o tratamento das doenças cardiovasculares quando presentes.
A integração entre os cuidados médicos e odontológicos representa uma das estratégias mais eficazes para reduzir a inflamação sistêmica e promover saúde de forma abrangente.
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Referências:
As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da UNIFOR - Universidade de Fortaleza, da Faculdade de Medicina da UFMG e do CFO - Conselho Federal de Odontologia.

