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Clonorquíase: sintomas, diagnóstico, tratamento e risco de câncer das vias biliares

Há 1 semana
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Clonorquíase: sintomas, diagnóstico, tratamento e risco de câncer das vias biliares

A clonorquíase é uma infecção parasitária causada pelo verme Clonorchis sinensis, adquirida principalmente pelo consumo de peixes de água doce crus ou mal cozidos em regiões da Ásia. O parasita instala-se nas vias biliares, podendo causar inflamação crônica, colangite, cálculos biliares e fibrose hepática.

O diagnóstico baseia-se na história epidemiológica, exame parasitológico de fezes e exames de imagem, e o tratamento é feito principalmente com praziquantel. Quando não tratada, a infecção crônica aumenta significativamente o risco de colangiocarcinoma.

O que é clonorquíase?

A clonorquíase é uma doença parasitária causada pelo trematódeo hepático Clonorchis sinensis, um verme achatado que parasita as vias biliares. Trata-se de uma helmintíase que acomete principalmente as vias biliares intra-hepáticas, onde o parasita pode sobreviver por 20 a 30 anos quando não tratado.

Essa parasitose é endêmica em vários países da Ásia Oriental, sobretudo China, Coreia do Sul, Coreia do Norte, Vietnã e regiões do Extremo Oriente da Rússia. Embora seja rara no Brasil, pode ocorrer em viajantes ou imigrantes provenientes dessas áreas endêmicas, ou ainda em pessoas que consumiram peixes de água doce crus durante viagens internacionais.

Quais são as causas da clonorquíase?

A clonorquíase é adquirida pela ingestão de peixes de água doce crus, mal cozidos, salgados, defumados ou preparados por marinagem, contendo larvas infectantes do parasita, chamadas metacercárias. O ciclo biológico do Clonorchis sinensis é relativamente complexo e envolve três hospedeiros:

  1. O hospedeiro definitivo, representado pelo ser humano e outros mamíferos piscívoros, como cães, gatos e suínos
  2. O primeiro hospedeiro intermediário, constituído por caramujos de água doce
  3. O segundo hospedeiro intermediário, formado por peixes de água doce, principalmente da família Cyprinidae.

Os ovos do parasita são eliminados nas fezes dos hospedeiros definitivos e, ao alcançarem ambientes aquáticos, são ingeridos pelos caramujos, nos quais o parasita sofre sucessivas transformações evolutivas. Posteriormente, as cercárias são liberadas na água, penetram nos peixes de água doce e transformam-se em metacercárias, que representam a forma infectante para o homem.

A infecção humana ocorre principalmente devido a hábitos alimentares tradicionais envolvendo consumo de peixe cru ou insuficientemente cozido. Pratos preparados com peixe de água doce cru, mesmo quando marinados ou fermentados, não eliminam adequadamente as metacercárias e favorecem a transmissão da doença.

Infográfico - Clonorquíase

Qual é a fisiopatologia da clonorquíase?

Após a ingestão das metacercárias presentes no peixe contaminado, as larvas são liberadas no duodeno e migram através da ampola de Vater para os ductos biliares, onde amadurecem e se transformam em vermes adultos. Os parasitas aderem ao epitélio das vias biliares e passam a produzir ovos continuamente, que são eliminados pela bile e posteriormente pelas fezes.

A presença persistente dos helmintos provoca lesão mecânica, inflamação crônica, hiperplasia do epitélio biliar, hipersecreção de muco, fibrose periductal e estase biliar. Com o tempo, os ductos biliares tornam-se espessados e dilatados, especialmente os ductos intra-hepáticos. A obstrução parcial da drenagem da bile favorece infecções bacterianas secundárias, formação de cálculos biliares pigmentares e episódios recorrentes de colangite.

A inflamação crônica persistente, associada ao estresse oxidativo e à proliferação contínua do epitélio biliar, pode induzir alterações celulares pré-neoplásicas. Por esse motivo, a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS), classifica o Clonorchis sinensis como carcinógeno do Grupo 1, sendo a infecção crônica um importante fator de risco para o desenvolvimento de colangiocarcinoma. A intensidade das alterações depende principalmente da carga parasitária, da duração da infecção e da ocorrência de reinfecções repetidas.

Leia também sobre "Parasitoses - quais são as principais", "Ascaridíase" e "Oxiuríase".

Quais são as características clínicas da clonorquíase?

Muitos indivíduos infectados permanecem assintomáticos durante anos, especialmente quando apresentam baixa carga parasitária. Entretanto, casos moderados ou graves podem apresentar manifestações clínicas variadas.

Os sintomas mais comuns incluem:

  • dor abdominal, principalmente no hipocôndrio direito;
  • desconforto digestivo;
  • náuseas;
  • perda do apetite;
  • distensão abdominal;
  • diarreia;
  • fadiga;
  • e emagrecimento.

Alguns pacientes também apresentam dispepsia e sensação de plenitude pós-prandial.

Quando há comprometimento importante das vias biliares, podem surgir icterícia, febre, calafrios, hepatomegalia, episódios de colangite e sensibilidade à palpação do hipocôndrio direito. Infecções prolongadas podem produzir inflamação crônica das vias biliares, alterações estruturais hepáticas e aumento progressivo do risco de colangiocarcinoma.

Em crianças, infestações intensas podem associar-se a atraso do crescimento, desnutrição e anemia.

Nos casos mais graves, a obstrução biliar persistente pode evoluir para insuficiência hepática ou hipertensão portal, embora essas complicações sejam relativamente incomuns.

Como o médico diagnostica a clonorquíase?

O médico baseia o diagnóstico na combinação de história clínica, antecedentes epidemiológicos, exames laboratoriais e métodos de imagem. A principal pista diagnóstica é o antecedente de consumo de peixe de água doce cru ou mal cozido em regiões endêmicas.

O exame parasitológico de fezes permanece sendo o método diagnóstico mais utilizado e consiste na identificação microscópica dos ovos do parasito, preferencialmente em amostras seriadas, o que aumenta a sensibilidade do exame. Em infecções leves, a eliminação de ovos pode ser pequena, reduzindo a sensibilidade do exame parasitológico.

Os exames laboratoriais podem demonstrar eosinofilia, alterações leves das enzimas hepáticas, aumento da fosfatase alcalina, elevação da gama-glutamiltransferase (GGT) e hiperbilirrubinemia nos casos obstrutivos.

A ultrassonografia abdominal, a tomografia computadorizada, a colangiorressonância magnética e, em situações selecionadas, a colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE) auxiliam na avaliação das alterações hepatobiliares. Esses exames podem revelar dilatação dos ductos biliares intra-hepáticos, espessamento das vias biliares, cálculos e sinais de inflamação crônica.

Testes sorológicos e métodos moleculares, como a reação em cadeia da polimerase (PCR), podem ser utilizados em centros especializados, principalmente quando há baixa eliminação de ovos nas fezes ou dificuldade na diferenciação entre espécies de trematódeos hepáticos.

Como o médico trata a clonorquíase?

O tratamento tem como objetivo eliminar o parasita, reduzir a inflamação das vias biliares e prevenir complicações. O medicamento de escolha é o praziquantel, administrado por via oral na dose de 25 mg/kg, três vezes ao dia, durante dois a três dias consecutivos, esquema recomendado pela Organização Mundial da Saúde e pela maioria das diretrizes internacionais. O fármaco atua aumentando a permeabilidade da membrana do verme aos íons cálcio, provocando paralisia e morte do parasita.

Como alternativa, pode ser utilizado o albendazol, na dose de 10 mg/kg por dia, durante sete dias, embora seja considerado uma opção secundária. A tribendimidina também apresentou eficácia contra a clonorquíase em estudos clínicos, mas sua disponibilidade é limitada e ela não faz parte da prática clínica rotineira na maioria dos países.

Além do tratamento antiparasitário, podem ser utilizados analgésicos, antibióticos nos casos de colangite bacteriana e medidas específicas para o tratamento das complicações hepatobiliares. Nos pacientes com obstrução significativa das vias biliares, a CPRE pode ser necessária para drenagem biliar, retirada de cálculos ou desobstrução dos ductos, sendo o tratamento cirúrgico reservado para situações selecionadas.

Como evolui a clonorquíase?

A evolução da clonorquíase costuma ser lenta e silenciosa. Muitos pacientes descobrem a infecção apenas durante a investigação de alterações hepáticas ou biliares detectadas em exames de rotina. A evolução depende principalmente da intensidade da infestação, da duração da infecção e da ocorrência de reinfecções. Infecções leves frequentemente permanecem assintomáticas durante muitos anos e apresentam excelente resposta ao tratamento. Já infecções crônicas prolongadas podem evoluir lentamente para doença hepatobiliar significativa.

Como os vermes adultos podem sobreviver por décadas nos ductos biliares, a inflamação contínua favorece alterações estruturais progressivas. Quando diagnosticada precocemente e tratada adequadamente, a maioria dos pacientes apresenta evolução favorável. Entretanto, alterações fibróticas e dilatações permanentes dos ductos biliares podem persistir mesmo após a erradicação do parasita, especialmente em infecções antigas.

Quais são as complicações possíveis com a clonorquíase?

As complicações decorrem principalmente da inflamação crônica e da obstrução das vias biliares. Entre as principais encontram-se:

  • a colangite, caracterizada por febre, dor abdominal e icterícia;
  • a colelitíase, especialmente por cálculos pigmentares;
  • a pancreatite, decorrente da obstrução da drenagem pancreática próxima à ampola de Vater;
  • a fibrose periductal e hepática;
  • a colangiopatia crônica com estenoses biliares;
  • e, em casos prolongados, cirrose biliar secundária.

A complicação mais importante é o colangiocarcinoma, cujo risco aumenta significativamente em indivíduos com infecção crônica e repetidas reinfecções. Por esse motivo, pacientes provenientes de áreas endêmicas com infecção prolongada devem permanecer em acompanhamento clínico, especialmente quando apresentam alterações estruturais persistentes das vias biliares.

Veja sobre "Síndrome de Caroli", "Pancreatite aguda", "Pancreatite crônica" e "Cirrose Hepática".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Mayo Clinic e da Pontifícia Universidade de Católica de Goiás.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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