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Complicações do diabetes mellitus

Monday, September 20, 2021
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Complicações do diabetes mellitus

O que é o diabetes mellitus?

O Diabetes Mellitus é uma doença caracterizada pela elevação persistente da taxa de glicose no sangue. Isso pode ocorrer devido a defeitos na secreção ou na ação do hormônio insulina, que é produzido pelas chamadas células beta do pâncreas.

A função principal da insulina é promover a entrada de glicose nas células do organismo de forma que ela possa ser usada nas diversas atividades celulares. Se houver uma deficiência na produção de insulina ou um defeito na sua atuação, a glicose ingerida tem dificuldades de penetrar nas células e se acumula no sangue, ocasionando uma hiperglicemia.

Há dois principais tipos de Diabetes Mellitus:

Diabetes tipo 1, que resulta da autodestruição das células beta pancreáticas pela formação de anticorpos pelo próprio organismo contra essas células, levando à deficiência de insulina. Em geral, essa forma de Diabetes costuma acometer mais crianças e adultos jovens, mas pode ser desencadeada em qualquer idade.

Diabetes tipo 2, que inclui cerca de 90% dos pacientes diabéticos. Nele, a insulina é produzida normalmente pelas células beta pancreáticas, porém sua ação de fazer a glicose penetrar nas células está dificultada, caracterizando um quadro a que se chama de resistência insulínica. A instalação do quadro clínico é mais lenta e os sintomas podem demorar vários anos até se apresentarem. Se não reconhecido e tratado a tempo, também pode evoluir para um quadro grave de desidratação e coma. Ao contrário do Diabetes tipo 1, acomete principalmente adultos a partir dos 50 anos de idade. Contudo, pode também acometer adultos jovens e até crianças.

Há outros tipos de diabetes, bem mais raros, em decorrência de defeitos genéticos na ação da insulina, de doenças do pâncreas ou de outras doenças endócrinas e de certos medicamentos. Uma forma de Diabetes, geralmente detectado no terceiro trimestre da gravidez, o chamado Diabetes Gestacional, pode ser transitório ou não. Neste último caso, principalmente quando a paciente tiver uma predisposição anterior para a doença.

As complicações do Diabetes Mellitus incluem problemas que podem se desenvolver rapidamente, de forma aguda, e outros que surgem ao longo do tempo, de maneira crônica, podendo afetar muitos sistemas orgânicos. As complicações costumam ser muito mais graves em pessoas com níveis descontrolados de açúcar no sangue e alguns fatores de risco podem contribuir para uma maior gravidade tais como:

Leia sobre "Como medir a glicose no sangue", "Glicemia de jejum", "Teste de tolerância à glicose" e "Hemoglobina glicada".

Quais são as principais complicações agudas do diabetes mellitus?

As principais complicações agudas do Diabetes Mellitus são:

  1. Cetoacidose diabética, que é uma complicação perigosa, constituindo-se sempre numa emergência médica.
  2. Estado hiperosmolar hiperglicêmico, ou hiperglicemia hiperosmolar, que também requer tratamento médico urgente, começando pela reposição do volume de fluidos. O estado hiperosmolar hiperglicêmico pode progredir para o coma.
  3. Hipoglicemia, que pode ser causada por vários fatores, como insulina em excesso, exercício físico em excesso ou alimentos insuficientes.
  4. Coma diabético, que é um estado evolutivo avançado de qualquer uma das complicações agudas do diabetes.

Quais são as principais complicações crônicas do diabetes mellitus?

As complicações crônicas do Diabetes podem ser graves e até fatais. Algumas dessas complicações começam alguns meses depois do surgimento do diabetes, mas a maioria delas leva alguns anos para surgirem. O controle rigoroso do nível de glicose no sangue faz com as pessoas diabéticas fiquem menos propensas a ter essas complicações ou que elas venham a piorar.

Se a glicemia permanece elevada durante um longo período, isso faz com que os pequenos e grandes vasos sanguíneos se estreitem e, assim, reduzam o fluxo de sangue para várias partes do corpo. Adicionalmente, o não controle da glicemia causa também o aumento dos níveis de gordura no sangue, dando origem à aterosclerose.

Disso decorrem quase todas as complicações crônicas do Diabetes Mellitus, que, entre outras, são:

  1. Doença cardíaca e infarto do miocárdio: as pessoas com diabetes têm duas vezes mais chances de ter doenças cardíacas e infarto do miocárdio do que pessoas sem a doença. 
  2. Lesões renais: ao longo do tempo, a hiperglicemia compromete a filtração renal. A pessoa diabética deve procurar manter a glicemia e a pressão arterial sob controle para diminuir a chance de contrair uma lesão renal.
  3. Lesões oculares: as pessoas com diabetes têm maior probabilidade de sofrerem glaucoma, catarata e retinopatias do que as demais pessoas. Se não forem adequadamente tratadas, essas condições podem levar à cegueira.
  4. Lesões neurológicas: a principal complicação do Diabetes em relação ao Sistema Nervoso Central é o derrame cerebral. Na pessoa que tem diabetes, as chances de ter um derrame cerebral são 1,5 vezes maiores do que em pessoas que não têm diabetes.
  5. Neuropatia: cerca de metade de todas as pessoas com diabetes apresentam algum tipo de lesão nervosa periférica, chamada de neuropatia diabética. Ela é mais comum nas pessoas que já contam alguns anos de diabetes.
  6. Problemas nos pés: a pessoa com diabetes pode ter vários problemas especiais nos pés ou ter agravados os problemas comuns, próprios dos pés. Esses problemas ocorrem com mais frequência quando há lesão nervosa (neuropatia) e podem causar formigamento, dor, fraqueza ou perda de sensibilidade no pé. Em casos de distúrbios circulatórios graves, uma amputação pode ter de ser considerada.
  7. Doenças odontológicas: pessoas com diabetes têm um risco maior de terem problemas nos dentes e nas gengivas. Os distúrbios mais comuns são doença periodontal; abscessos gengivais; cárie dentária; infecções fúngicas; líquen plano; úlceras na boca; distúrbios do paladar; boca seca e ardente, devido a baixos níveis de saliva.
  8. Disfunção erétil: esta complicação surge habitualmente após mais de 10 anos do diagnóstico de diabetes. Acomete cerca de 30 a 50% das pessoas com diabetes mal controlada. Esta porcentagem aumenta quando existem fatores de risco, como hipertensão arterial e tabagismo.
  9. Lesões na pele: a pessoa com diabetes deve ficar alerta para sintomas de infecções e outras doenças de pele que podem ter nelas uma evolução não típica e mais grave que nas pessoas não diabéticas. Os diabéticos também têm maior facilidade de contrair certas doenças da pele, como as infecções, por exemplo.
Veja mais sobre "Nefropatia diabética", "Retinopatia diabética", "Neuropatia diabética" e "Hipoglicemia".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da SBEM – Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e da ADA – American Diabetes Association.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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