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Diabetes tipo 2 tem cura? Evidências atuais e estratégias de controle

Monday, September 1, 2025
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Diabetes tipo 2 tem cura? Evidências atuais e estratégias de controle

O que é diabetes tipo 2?

O diabetes mellitus tipo 2 é uma doença crônica caracterizada pela incapacidade do organismo de manter o controle adequado da glicemia devido à resistência das células à ação da insulina e, em menor grau, à produção insuficiente desse hormônio. Essa resistência impede que a glicose penetre nas células para exercer seus efeitos metabólicos, levando ao acúmulo de glicose no sangue (hiperglicemia).

Essa é a forma mais prevalente de diabetes mellitus, ocorrendo com maior frequência em adultos acima dos 40 anos, embora sua incidência esteja aumentando em jovens, adolescentes e até crianças.

No diabetes tipo 1, as células beta das ilhotas pancreáticas não produzem insulina suficiente para manter a glicemia normal. Já no tipo 2, fatores como hábitos alimentares inadequados, sedentarismo e predisposição genética contribuem para a resistência insulínica, associada ou não à deficiência parcial na secreção de insulina.

Saiba mais sobre "Pré-diabetes", "Retinopatia diabétia" e "Nefropatia diabética".

A diabetes tipo 2 tem cura?

Tradicionalmente, a resposta sempre foi que a doença não tem cura e ninguém poderia afirmar: “eu era diabético e não sou mais”. Entretanto, com acompanhamento médico regular, orientação nutricional individualizada, prática consistente de atividade física, manutenção do peso saudável e monitoramento periódico, é possível manter a glicemia sob controle e levar uma vida saudável.

Em alguns casos, é possível alcançar a chamada remissão, quando os níveis de glicose voltam ao normal sem necessidade de medicamentos, apenas com a manutenção de um estilo de vida saudável.

Controle do diabetes tipo 2

O manejo do diabetes tipo 2 envolve ajustes no padrão alimentar, priorizando carboidratos complexos e de baixo índice glicêmico, com refeições fracionadas ao longo do dia para evitar picos de glicemia, redução do consumo de açúcares refinados e gorduras saturadas e aumento da ingestão de fibras, incluindo vegetais, legumes, frutas com casca, cereais integrais e leguminosas.

A prática de exercícios aeróbicos, como caminhada, bicicleta ou natação, por 30 a 60 minutos, pelo menos cinco vezes por semana, contribui para melhorar a sensibilidade à insulina, especialmente quando associada à perda de 5% a 10% do peso corporal.

O sono adequado, de sete a nove horas por noite, também é fundamental para o equilíbrio metabólico. O uso regular da medicação prescrita e a aferição frequente da glicemia, particularmente em pacientes que utilizam insulina, são essenciais.

Em casos de difícil controle, pode-se recorrer à cirurgia metabólica, indicada para indivíduos com sobrepeso ou obesidade (IMC ≥30) e diabetes tipo 2 refratário ao tratamento clínico. Essa abordagem altera o trato digestivo para melhorar a sensibilidade à insulina e, em muitos casos, permite reduzir ou suspender medicamentos. No entanto, se as medidas de controle forem abandonadas, a doença pode reaparecer.

Leia sobre "Como medir os níveis de glicose no sangue", "Avanços recentes no tratamento do diabetes" e "Glicemia média estimada".

Avanço recente: primeiro caso documentado de possível cura

Em abril de 2024, médicos de Xangai, na China, publicaram na revista Cell Discovery o primeiro caso no mundo de aparente cura do diabetes tipo 2. O paciente, um homem de 59 anos, convivia com a doença há 25 anos e apresentava função das ilhotas pancreáticas gravemente comprometida. Ele foi submetido a um transplante de ilhotas pancreáticas reconstruídas a partir de células-tronco pluripotentes induzidas, obtidas por reprogramação de células mononucleares do seu próprio sangue.

O procedimento foi realizado em 2021 e envolveu a reconstrução das ilhotas em ambiente artificial e o implante subsequente no pâncreas. Essas novas ilhotas restabeleceram a produção de insulina, permitindo que o paciente suspendesse a insulina na 11ª semana pós-transplante. Os medicamentos orais antidiabéticos foram gradualmente reduzidos a partir da 44ª semana e completamente descontinuados na 48ª semana. Ele permanece sem uso de insulina há quase três anos.

O objetivo do tratamento foi restaurar a função das ilhotas pancreáticas e prevenir complicações crônicas do diabetes. As próximas etapas da pesquisa incluem ampliar o número de casos, avaliar a segurança e eficácia a longo prazo e desenvolver ilhotas pancreáticas para transplante que dispensem imunossupressão. Embora este caso seja promissor, mais estudos são necessários antes que o método possa ser aplicado amplamente.

Veja também: "Hipersensibilidade ao açúcar, intolerância ao açúcar e resistência à insulina".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente do site da SBD - Sociedade Brasileira de Diabetes.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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