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Metformina: vantagens, desvantagens e quando ela realmente é indicada

segunda-feira, 15 de junho de 2026
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Metformina: vantagens, desvantagens e quando ela realmente é indicada

A metformina é o medicamento mais utilizado no tratamento do diabetes tipo 2, ajudando a reduzir a glicose no sangue e a melhorar a sensibilidade à insulina. Além de controlar a glicemia, apresenta baixo risco de hipoglicemia, não costuma causar ganho de peso e pode ser utilizada em outras condições, como a Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP) e o pré-diabetes. Seus efeitos adversos mais comuns são gastrointestinais, e o uso prolongado pode reduzir os níveis de vitamina B12. Embora seja considerada segura para a maioria dos pacientes, existem contraindicações e situações que exigem monitoramento médico cuidadoso.

O que é metformina?

A metformina é um medicamento pertencente à classe das biguanidas, utilizado principalmente para tratar o diabetes mellitus tipo 2. Esse tipo de diabetes ocorre quando o organismo apresenta resistência à ação da insulina e, com o passar do tempo, pode também haver redução da capacidade do pâncreas de produzir insulina em quantidade suficiente para manter os níveis de glicose dentro da faixa normal. Assim, o principal objetivo da metformina é reduzir os níveis de glicose no sangue e melhorar a sensibilidade do organismo à insulina.

Esse medicamento permanece como o tratamento farmacológico inicial de escolha para a maioria dos pacientes com diabetes tipo 2, principalmente quando mudanças no estilo de vida não são suficientes para controlar a doença. No entanto, pacientes com doença cardiovascular aterosclerótica estabelecida, insuficiência cardíaca ou doença renal crônica podem se beneficiar da introdução precoce de outras classes de medicamentos, como os inibidores de SGLT2 e os agonistas do receptor de GLP-1, conforme as recomendações mais recentes.

Como a metformina age no organismo?

Diferentemente de alguns outros medicamentos usados no tratamento do diabetes, a metformina não estimula diretamente a produção de insulina pelo pâncreas, mas atua melhorando a forma como o corpo utiliza a glicose já presente na circulação.

Essa ação envolve vários mecanismos fisiológicos importantes. O principal deles ocorre no fígado. A metformina reduz a produção hepática de glicose, especialmente por meio da diminuição da gliconeogênese hepática, o que ajuda a reduzir a quantidade de açúcar liberada na corrente sanguínea.

Outro efeito importante da metformina é o aumento da sensibilidade das células à insulina. Em pessoas com diabetes tipo 2, muitas células do corpo tornam-se resistentes à ação desse hormônio. Isso faz com que a glicose permaneça circulando no sangue em vez de ser utilizada como fonte de energia. A metformina ajuda a melhorar essa resposta celular, permitindo que a glicose seja mais eficientemente captada e utilizada pelos tecidos.

Além disso, o medicamento também pode reduzir a absorção intestinal de glicose e favorecer o metabolismo energético celular. Esses efeitos combinados resultam em melhor controle glicêmico.

Como não estimula diretamente a secreção de insulina pelo pâncreas, a metformina apresenta risco muito baixo de hipoglicemia quando utilizada isoladamente, diferentemente de alguns outros tratamentos para diabetes.

Infográfico - Metformina e sua ação no organismo

Como usar a metformina?

O uso da metformina deve sempre ser orientado por um médico, pois a dose e a forma de administração podem variar conforme as necessidades de cada paciente. Em geral, o tratamento começa com doses baixas, que são aumentadas gradualmente ao longo do tempo. Esse ajuste progressivo tem como objetivo reduzir efeitos colaterais, principalmente os gastrointestinais.

Normalmente, a metformina é administrada por via oral, em comprimidos que podem ser tomados uma ou mais vezes ao dia, geralmente durante ou após as refeições. Tomar o medicamento junto com alimentos ajuda a diminuir desconfortos digestivos, como náuseas e diarreia. Existem também formulações de liberação prolongada, que liberam o medicamento lentamente no organismo, permitindo menor frequência de administração e, em alguns pacientes, melhor tolerabilidade gastrointestinal.

A metformina costuma ser mais eficaz quando combinada com hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada, controle do peso corporal e prática regular de atividade física.

Veja sobre "Opções de tratamentos para o diabetes",  "Prevenção do diabetes e suas complicações" e "Avanços recentes no tratamento do diabetes". 

Vantagens do uso da metformina

Uma das principais vantagens da metformina é sua eficácia no controle da glicemia. O medicamento ajuda a reduzir os níveis de glicose no sangue de forma consistente, contribuindo para a prevenção de complicações associadas ao diabetes, como doenças cardiovasculares, doença renal crônica, neuropatia diabética e outras alterações decorrentes da hiperglicemia persistente.

Outra vantagem importante é que a metformina não costuma causar ganho de peso. Em alguns casos, ela pode até contribuir para uma leve redução do peso corporal, o que é especialmente benéfico para muitos pacientes com diabetes tipo 2 que apresentam sobrepeso ou obesidade.

Além disso, o risco de hipoglicemia é muito baixo quando a metformina é utilizada isoladamente, o que aumenta a segurança do tratamento.

O medicamento também apresenta custo relativamente baixo e ampla disponibilidade, inclusive em sistemas públicos de saúde, facilitando o acesso ao tratamento para uma grande parcela da população.

A metformina apresenta longo histórico de segurança cardiovascular e alguns estudos sugerem redução do risco cardiovascular em determinados grupos de pacientes, embora os benefícios cardiovasculares mais robustamente demonstrados atualmente sejam observados com os agonistas do receptor de GLP-1 e os inibidores de SGLT2.

Desvantagens do uso da metformina

Apesar de suas vantagens, a metformina também apresenta algumas desvantagens e possíveis efeitos adversos que devem ser considerados.

Os efeitos colaterais mais comuns são gastrointestinais. Entre eles estão náuseas, diarreia, dor abdominal, sensação de estufamento, desconforto digestivo e perda de apetite. Esses sintomas geralmente surgem no início do tratamento e tendem a diminuir ou desaparecer com o tempo, especialmente quando a dose é aumentada gradualmente.

Outro possível problema associado ao uso prolongado da metformina é a redução dos níveis de vitamina B12 no organismo. Esse risco parece ser maior em pacientes que utilizam doses elevadas por longos períodos, motivo pelo qual o médico pode solicitar monitorização periódica dos níveis dessa vitamina, especialmente diante de sintomas como anemia ou alterações neurológicas.

Uma complicação rara, porém potencialmente grave, é a acidose láctica. Trata-se de uma condição caracterizada pelo acúmulo de ácido lático no sangue. Embora seja uma complicação extremamente incomum, o risco aumenta em situações específicas, como insuficiência renal avançada, doença hepática grave, hipóxia tecidual importante ou outras condições médicas que favoreçam o acúmulo de lactato.

Outras indicações da metformina além do diabetes tipo 2

Uma das indicações mais conhecidas da metformina além do diabetes tipo 2 é a Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP), anteriormente conhecida como síndrome dos ovários policísticos (SOP).

Nessa condição, muitas mulheres apresentam resistência à insulina, e a metformina pode ajudar a melhorar esse problema, contribuindo para a regularização dos ciclos menstruais e favorecendo a ovulação em algumas pacientes.

Embora possa auxiliar a fertilidade em determinadas situações, a metformina não é considerada o tratamento farmacológico de primeira escolha para indução da ovulação em mulheres com infertilidade associada à Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina, papel atualmente ocupado pelo letrozol em muitas diretrizes.

O medicamento também pode ser utilizado em casos de pré-diabetes, quando os níveis de glicose estão elevados, mas ainda não atingem os critérios diagnósticos para diabetes. Nessas situações, a metformina pode ajudar a reduzir o risco de progressão para diabetes tipo 2, especialmente em pessoas com obesidade, idade inferior a 60 anos, histórico de diabetes gestacional ou outros fatores de alto risco para progressão da doença.

Pesquisas vêm investigando o uso da metformina em outras áreas, como controle do peso, envelhecimento saudável e algumas doenças metabólicas. No entanto, muitas dessas aplicações ainda estão em estudo e não são consideradas indicações estabelecidas para a maioria dos pacientes.

Contraindicações da metformina

A metformina não deve ser utilizada indiscriminadamente por todas as pessoas. Existem algumas situações em que seu uso é contraindicado ou requer monitorização cuidadosa.

Uma das principais limitações está relacionada à função renal. Atualmente, a metformina é contraindicada em pacientes com taxa de filtração glomerular estimada inferior a 30 mL/min/1,73 m². Em pacientes com taxa de filtração glomerular entre 30 e 45 mL/min/1,73 m², o uso pode ser possível em situações selecionadas, geralmente com redução de dose e acompanhamento mais rigoroso.

Também deve ser utilizada com cautela ou evitada em pacientes com doença hepática grave, insuficiência cardíaca descompensada, histórico de acidose metabólica, consumo excessivo de álcool ou situações de desidratação importante.

Em alguns procedimentos diagnósticos que utilizam contraste iodado, pode ser necessário suspender temporariamente o uso da metformina, especialmente em pacientes com fatores de risco para comprometimento da função renal.

Durante a gravidez, a metformina pode ser utilizada em situações específicas, como diabetes tipo 2, diabetes gestacional e Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP), sempre sob acompanhamento médico. Embora seja amplamente utilizada em diversos cenários, a insulina permanece como o tratamento de escolha quando é necessário controle rigoroso da glicemia durante a gestação. Durante a amamentação, seu uso também pode ser considerado em muitos casos, desde que avaliado individualmente pelo profissional responsável.

Leia também sobre "Como medir os níveis de glicose no sangue", "Hemoglobina glicosilada" e "Curva glicêmica".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites do Hospital Einstein, da U.S. National Library of Medicine e da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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