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Pré-diabetes: saiba como ele é e o que fazer para evitá-lo

Friday, November 27, 2020
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Pré-diabetes: saiba como ele é e o que fazer para evitá-lo

O que é pré-diabetes?

O pré-diabetes é uma condição de saúde em que os níveis de açúcar no sangue são mais elevados do que o normal, mas não o suficiente para ser diagnosticado como diabetes tipo 2. Apesar de que ainda não seja uma doença, o pré-diabetes é uma condição de saúde séria que aumenta o risco de desenvolver diabetes tipo 2, doenças cardíacas e derrame, e que merece atenção e manejo adequados.

Quais são as causas do pré-diabetes?

A causa exata do pré-diabetes é desconhecida, mas a história familiar e a genética parecem desempenhar um papel importante. A falta de atividade física regular e o excesso de peso, com excesso de gordura ao redor do abdômen, também parecem ser contribuintes importantes. Os principais fatores de risco são: estar acima do peso, não praticar nenhuma atividade física, ter mais de 45 anos, possuir histórico familiar de diabetes tipo 2, ter desenvolvido diabetes gestacional ou ter síndrome do ovário policístico.

Leia sobre "O que afeta o comportamento da glicemia", "Atitudes saudáveis para evitar o diabetes tipo 2" e "Prevenção do diabetes e suas complicações".

Qual é o substrato fisiológico do pré-diabetes?

A maior parte da glicose no corpo dos indivíduos sadios vem dos alimentos por eles ingeridos. Quando o alimento é digerido, o açúcar é absorvido e entra na corrente sanguínea. Daí ele deve ser transferido para o interior das células, onde produzirá energia. Essa transferência requer um hormônio chamado insulina, sintetizado pelo pâncreas, que o envia para o sangue quando a pessoa come, e isso permite que o açúcar entre nas células, diminuindo a quantidade dele na circulação. Quando o nível de açúcar no sangue começa a cair, o pâncreas desacelera a produção da insulina lançada no sangue.

Pessoas com pré-diabetes não metabolizam mais a glicose adequadamente e da mesma forma como faziam antes. Disso resulta que o açúcar se acumula no sangue em vez de penetrar nas células para executar sua função normal. Quando a pessoa tem pré-diabetes, as células se tornam resistentes à glicose, não permitindo a entrada do açúcar como antes. Como consequência, o açúcar se acumula na corrente sanguínea, elevando a glicemia. A diferença disso com o diabetes tipo 1 é que, neste caso, o pâncreas deixa de produzir a quantidade necessária de insulina.

Em síntese, no diabetes a taxa de glicose no sangue sobe porque não há insulina suficiente para metabolizá-la; no pré-diabetes as células resistem à penetração do açúcar em seu interior, apesar dos níveis normais de insulina.

Quais são as características clínicas do pré-diabetes?

O pré-diabetes em geral não manifesta sintomas. Mais de 84% das pessoas com pré-diabetes sequer sabem que são portadoras dessa condição. Quando surgem sintomas, como aumento da sede, micção frequente, fadiga e visão embaçada, é porque a pessoa já migrou ou está muito perto de migrar para o diabetes tipo 2. Quando essa migração se dá, o indivíduo passa a ser dito diabético (alta taxa de glicose no sangue). No entanto, esse diabetes difere do diabetes tipo 1 quanto a suas causas, mecanismos, características clínicas e tratamentos.

Como o médico diagnostica o pré-diabetes?

Como o pré-diabetes não apresenta sintomas, o decisivo para estabelecer o diagnóstico é a mensuração da taxa de glicose no sangue, que às vezes é feita aleatoriamente ou em função de outras doenças. É importante ficar atento aos fatores de risco e medir a glicemia quando eles estiverem presentes.

Considera-se que a glicemia de jejum normal deve situar-se entre 70 mg/dl e 99 mg/dl. Se a glicemia apurada estiver entre 100 e 125 mg/dl, a pessoa se encontra em pré-diabetes. Outros exames que também servem para o diagnóstico são a curva glicêmica e o teste da hemoglobina glicada, cujos valores entre 5,7% e 6,4% são indicativos de pré-diabetes.

Como “tratar” o pré-diabetes?

Para controlar o pré-diabetes, a pessoa deve manter o seu peso dentro do ideal. Perder cerca de 5 a 10% do peso em excesso pode ajudar a prevenir, ou pelo menos retardar, o desenvolvimento do diabetes tipo 2. Além disso, deve manter uma alimentação mais saudável, evitando as gorduras e comendo mais frutas, vegetais e fibras. Os alimentos que podem ser ingeridos com tranquilidade são carnes brancas, de preferência; verduras e legumes em geral; frutas, de preferência com casca e bagaço; leguminosas, como feijão, soja, grão-de-bico, ervilha, fava, lentilha; e grãos integrais, como arroz, macarrão, farinha integral, aveia.

Por outro lado, devem ser evitados alimentos ricos em farinha branca, como pães brancos, bolos, biscoitos e salgados; alimentos ricos em açúcar, como chocolates, doces, geleias de fruta; sorvetes; bebidas, como refrigerantes, sucos industrializados, energéticos, café ou chá com açúcar; alimentos ricos em gordura, como embutidos, molhos, queijos amarelos, leite integral e derivados, fritura; e comidas congeladas como pizzas e lasanhas.

Podem ser consumidos oleaginosas, como castanhas, amendoins, nozes, amêndoas e pistache; produtos lácteos e seus derivados desnatados; gorduras boas, como azeite, óleo de coco, manteiga e outros.

Outras coisas que ajudam a baixar a taxa de glicose sanguínea são: praticar exercícios físicos regulamente, parar de fumar e reduzir o consumo de álcool. Muitas vezes só com essas medidas, sem medicação, é possível reverter o estado de pré-diabetes.

Como evolui o pré-diabetes?

Normalmente, o paciente entra no chamado pré-diabetes antes de desenvolver o diabetes tipo 2. No entanto, ser diagnosticado com pré-diabetes não é sentença inexorável de que desenvolverá diabetes. Com a manutenção dos cuidados indicados, o nível de glicose pode baixar e a sombra do diabetes tipo 2 desaparecer, de uma vez por todas.

Quais são as complicações possíveis com o pré-diabetes?

A complicação mais séria do pré-diabetes é a progressão para diabetes tipo 2, com suas consequências.

Veja também sobre "Intolerância à glicose", "Como medir a glicose no sangue", "Sinais de doenças cardíacas em mulheres" e "Hemoglobina glicosilada".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Mayo Clinic e da Cleveland Clinic.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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