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Resistência à insulina

Friday, March 10, 2023
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Resistência à insulina

O que é resistência insulínica?

Chama-se resistência à insulina a situação em que a insulina perde parte da sua eficiência e não consegue mais transportar a glicose da circulação sanguínea para o interior das células do organismo, como acontecia anteriormente, principalmente para as células do fígado, dos músculos e do tecido adiposo, onde pode ficar acumulada como reserva de energia.

Quais são as causas da resistência à insulina?

Embora haja algum grau de participação genética, a resistência à insulina é primariamente uma condição adquirida. As pessoas que portam fatores de risco genéticos ou de estilo de vida têm maior probabilidade de desenvolver resistência à insulina e, com isso, pré-diabetes e diabetes tipo 2.

Os fatores de risco incluem:

Junto a esses fatores de risco, contribuem também para a resistência à insulina:

Leia sobre "O papel da insulina no corpo" e "Prevenção do diabetes e suas complicações".

Qual é o substrato fisiopatológico da resistência à insulina?

Para melhor compreender a resistência à insulina, é necessário primeiro saber como este hormônio funciona. Ele é produzido pelo pâncreas e tem como finalidade transportar a glicose que está no sangue para o interior das células, onde ela é usada como fonte de energia para manter os processos orgânicos em funcionamento. Dessa forma, a insulina ajuda a controlar a quantidade de glicose no sangue.

Na resistência à insulina, as células do corpo não respondem normalmente a esse hormônio. A glicose não consegue penetrar nas células com a mesma facilidade e, por isso, se acumula no sangue. Esse acúmulo de glicose no sangue faz com que o pâncreas produza mais insulina para ajudar a glicose a penetrar nas células. Na medida em que isso possa acontecer normalmente, a glicose no sangue permanece em níveis normais. No entanto, quando mesmo esses níveis aumentados de insulina não forem capazes de exercer corretamente a sua função, a glicose se acumula no sangue, gerando hiperglicemia (diabetes tipo 2).

Quais são as características clínicas da resistência à insulina?

A resistência à insulina é silenciosa e durante muito tempo pode não apresentar sintomas. Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, 90% dos pacientes com resistência à insulina acabam sofrendo de diabetes tipo 2, no entanto, a resistência à insulina pode preceder o diabetes tipo 2 por 10 ou 15 anos.

Além disso, a resistência à insulina pode favorecer inúmeras outras condições, como a obesidade, a hipertensão arterial, o aumento da chance de algumas neoplasias da mama ou do intestino, a diminuição do bom colesterol, o aumento dos triglicérides (gordura no sangue), o aumento do ácido úrico, esteatose hepática, síndrome dos ovários policísticos, marcadores inflamatórios elevados, disfunção endotelial e predisposição à trombose.

Quando muito avançada, pode manifestar-se como acantose nigricans, que são manchas amarronzadas localizadas principalmente na região do pescoço.

Como o médico diagnostica a resistência à insulina?

O padrão ouro para medir a resistência à insulina é a medida hiperinsulinêmica-euglicêmica, no sangue. No entanto, como esta é uma técnica de pesquisa com aplicabilidade clínica limitada, há uma série de outras medidas substitutas, incluindo os testes HOMA-ir e HOMA-beta (HOMA = sigla em inglês para Modelo de Avaliação da Homeostase), que avaliam e resistência à insulina e a função das células beta do pâncreas, além de teste de triglicerídeos séricos e razão triglicerídeos/HDL. Há ainda várias medidas que avaliam a resistência à insulina com base na glicose sérica e/ou na resposta da insulina a um teste de glicose.

Alguns sinais indiretos de resistência à insulina incluem uma cintura de mais de 101 cm em homens e 88 cm em mulheres; pressão arterial superior a 130/80 mmHg; glicemia em jejum acima de 100 mg/dL; triglicerídeos em jejum acima de 150 mg/dL; nível de HDL abaixo de 40 mg/dL em homens e 50 mg/dL em mulheres; e manchas escuras e aveludadas na pele, chamadas acantose nigricans.

Como o médico trata e como evolui a resistência à insulina?

A resistência à insulina não só pode ser prevenida como também pode ser revertida. Em ambos os casos, é fundamental uma mudança no estilo de vida. A pessoa deve ter uma dieta saudável, com baixas calorias, que a ajude a perder peso. Deve também praticar atividade física regular tentando melhorar sua massa muscular. Em alguns casos especiais, o médico poderá orientar sobre o uso de alguma medicação.

A progressão da resistência à insulina pode levar à síndrome metabólica, à gordura hepática não alcoólica e ao diabetes mellitus tipo 2.

Como prevenir a resistência à insulina?

Embora a pessoa não possa alterar alguns fatores de risco, como histórico familiar, idade ou etnia, pode alterar outros, relacionados à alimentação, atividade física e peso corporal. Essas mudanças no estilo de vida podem diminuir as chances de a pessoa desenvolver resistência à insulina, pré-diabetes ou diabetes tipo 2.

Um estudo do National Institutes of Health, dos Estados Unidos, mostrou que a perda de apenas 5 a 7% do peso corporal inicial ajudou a reduzir significativamente a chance de desenvolver doenças cardíacas.

Veja também sobre "Intolerância à glicose", "Como medir a glicose no sangue" e "Hemoglobina glicosilada".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites do NIH – National Institutes of Health, da PubMed e da Cleveland Clinic.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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