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BERA - como é o exame? Quando deve ser feito?

Monday, May 4, 2020
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BERA - como é o exame? Quando deve ser feito?

O que é o BERA?

BERA é a sigla em português que corresponde à sigla BAER em inglês para brainstem auditory evoked response. É um exame auditivo que mede como o cérebro processa os sons que uma pessoa ouve. O exame avalia a integridade das vias auditivas, desde a entrada no ouvido até o córtex cerebral, podendo determinar se existe ou não perda auditiva e localizar em que estrutura anatômica ela se dá: se na cóclea, no nervo auditivo ou no tronco encefálico.

O exame também é chamado de potencial evocado auditivo de tronco encefálico (PEATE) ou exame de resposta auditiva de tronco encefálico. O procedimento foi descrito pela primeira vez por Jewett e Williston em 1971.

Leia sobre "Reflexão: a vergonha e a deficiência auditiva", "Surdez em idosos e o risco de demência" e "Implante coclear ou ouvido biônico".

Qual é o substrato fisiológico do BERA (exame auditivo)?

O exame registra as ondas cerebrais em resposta a cliques ou outros tons de áudio reproduzidos para a pessoa. O sinal auditivo viaja ao longo da via auditiva desde o complexo nuclear coclear, proximalmente, até o colículo nervoso inferior, no cérebro, deixando o registro de ondas a serem analisadas pelo especialista.

Para que serve o BERA?

O exame deve ser indicado em associação a outros e está indicado:

  1. Para ajudar na avaliação da função auditiva em pessoas difíceis de se testar, como por exemplo recém-nascidos, lactentes, pessoas com deficiências múltiplas e outras que sejam incapazes de responder adequadamente a exames comportamentais.
  2. Para pesquisar o limiar auditivo eletrofisiológico.
  3. Em neonatologia, para o estudo do desenvolvimento da maturidade do sistema auditivo, na toxicose provocada pela hiperbilirrubinemia e na detecção de deficiência auditiva.
  4. Para ajudar na avaliação da audição, quando os demais testes audiométricos não são possíveis ou são inconclusivos.
  5. Para avaliar possível existência de tumor do nervo auditivo.
  6. Em neurologia, para ajudar a identificar lesões cerebrais.
  7. Para diagnosticar neuropatia auditiva, não evidenciada radiologicamente.
  8. No uso de prótese auditiva e no diagnóstico diferencial de lesões periféricas e centrais.
  9. Nos recém-nascidos prematuros ou que possuem algum outro indicador de risco para a deficiência auditiva.
  10. Nos pacientes em coma, para ajudar no prognóstico neurológico e na determinação da morte cerebral.

O BERA deve ser feito em todo recém-nato em que se suspeita de alguma deficiência auditiva. Em alguns países, o BERA já faz parte dos exames rotineiros do recém-nascido.

Além desses usos, o BERA tem uma ampla gama de aplicações clínicas, incluindo, entre outras situações, o monitoramento em UTI, estimativa específica da frequência da sensibilidade auditiva e informações sobre as suspeitas de distúrbios desmielinizantes como, por exemplo, a esclerose múltipla.

Como se processa o BERA?

O instrumental que realiza o exame é uma modificação do eletroencefalógrafo associada a um computador. As respostas evocadas podem ser obtidas mesmo de um paciente que é incapaz de responder aos exames comportamentais convencionais. E até mesmo podem oferecer resultados melhores do que aqueles que são obtidos com pacientes inertes ou adormecidos.

Os exames BERA são fáceis e rápidos e praticamente não apresentam riscos ou complicações. A pessoa não precisa fazer nenhum preparo especial para o teste, a não ser lavar o cabelo na noite anterior para remover eventuais resíduos de óleos que possam impedir que o equipamento de teste grude no couro cabeludo. A pele por trás das orelhas e da testa deve ser limpa com um produto específico porque nestes pontos serão fixados os eletrodos.

O paciente ficará recostado em uma cadeira reclinável ou deitado em uma cama enquanto o médico coloca pequenos eletrodos em seu couro cabeludo e nos lóbulos de suas orelhas. Idealmente ele deve estar o mais relaxado possível e com os olhos fechados. O médico colocará no paciente um conjunto de fones de ouvido, pelo qual o paciente ouvirá uma série de cliques ou tons, mas não precisará fazer nada em resposta a eles.

Quando o nervo auditivo e as estruturas do tronco encefálico forem ativados pelos estímulos sonoros, é gerada pequena quantidade de eletricidade que é captada pelos eletrodos. Os eletrodos registram como o cérebro reage aos sons que o paciente ouve, os quais serão interpretados pelo examinador. O exame mostra se o paciente está ouvindo os sons corretamente e se eles estão sendo conduzidos dos seus ouvidos para o seu cérebro.

Em crianças que ainda não sejam capazes de obedecer às ordens médicas, o exame tem de ser realizado normalmente enquanto dormem, geralmente sob ação de remédios. Em alguns casos de pessoas adultas também pode ser necessária a indução do sono para que o exame seja efetuado com tranquilidade.

Veja também sobre "Deficiência auditiva", "Protetores auditivos", "Audiometria" e "Incômodo com alguns sons - pode ser misofonia".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas dos sites do HCE – Hospital Central do Exército e do Women’s and Children’s Hospital.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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