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Cintilografia pulmonar

Friday, December 9, 2022
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Cintilografia pulmonar

O que é cintilografia pulmonar?

A cintilografia pulmonar é um exame da medicina nuclear realizado para avaliar a ventilação e a circulação sanguínea nas áreas pulmonares. Ela é um método de diagnóstico por imagem muito usado para detectar e acompanhar algumas doenças pulmonares e a evolução delas.

Basicamente, há dois tipos de cintilografia pulmonar: (1) cintilografia pulmonar por inalação e (2) cintilografia pulmonar por perfusão.

Em que consiste o exame de cintilografia pulmonar?

Não há necessidade de preparação especial para a realização da cintilografia pulmonar, e as eventuais medicações em uso podem continuar sendo tomadas, inclusive os broncodilatadores para asma. O paciente deve fazer antes uma radiografia simples de pulmão nas posições frontal e lateral para excluir outras possíveis patologias pulmonares.

Como dito, a varredura (scan) pulmonar consta atualmente de dois exames que podem ser feitos juntos ou separadamente. Ambos buscam localizar a condensação de partículas radioativas previamente introduzidas no organismo, seja por via respiratória ou por perfusão na corrente sanguínea.

Para a realização do exame de cintilografia por aspiração, o paciente deve inalar soro fisiológico associado a um medicamento levemente radioativo. Em seguida, ele deve ser encaminhado para o equipamento de cintilografia que fará imagens do pulmão, enquanto o medicamento ainda se espalha pelo órgão, procurando encontrar a localização das partículas.

Para a realização da cintilografia por perfusão, o paciente receberá uma injeção endovenosa de um medicamento (geralmente albumina) levemente radioativo. Em seguida, deve também ser encaminhado para o equipamento de cintilografia, que fará imagens dos fluxos sanguíneos de seus pulmões e da circulação adjacente.

Veja sobre "Dor no peito ao respirar - pode ser pleurite", "Bronquiectasia" e "Fisioterapia respiratória".

Por que fazer uma cintilografia pulmonar?

A cintilografia pulmonar permite avaliar a funcionalidade dos pulmões. O exame também possibilita analisar as condições dos alvéolos, além de realizar o diagnóstico e acompanhamento de casos de tromboembolismo pulmonar (TEP) agudo e casos de hipertensão pulmonar por TEP crônico.

A indicação principal se verifica quando há suspeita de tromboembolismo pulmonar, caracterizado pela obstrução da artéria pulmonar ou de um de seus ramos. Por muitos anos, a cintilografia representou o principal método de imagem utilizado na avaliação de pacientes com essa suspeita clínica. Com o advento da tomografia computadorizada, a cintilografia pulmonar deixou de ser o procedimento de escolha no diagnóstico de embolia pulmonar. Contudo, a cintilografia pulmonar por inalação ou por perfusão continua sendo frequentemente usada para detectar problemas de ventilação e/ou circulação anormal nos vasos sanguíneos dos pulmões, sobretudo quando não se dispõe da tomografia computadorizada.

Se bem utilizada, a cintilografia pulmonar é uma ferramenta muito útil na detecção de anormalidades pulmonares, permitindo um diagnóstico preciso da embolia pulmonar, com baixa exposição à radiação e baixos riscos de complicações. Os efeitos colaterais são extremamente raros, apesar de poder haver alguma reação alérgica à albumina humana. A capacidade de dirigir não é alterada pelo exame. A carga radioativa é muito baixa, não causando problemas.

Contudo, deve-se ter em mente que a substância radioativa pode passar através do leite materno e, por isso, a amamentação deve ser suspensa por doze horas após a realização do exame. É importante lembrar ainda que a gravidez e a amamentação constituem apenas uma contraindicação relativa. Caso o procedimento tenha que ser realizado, deve ser feito de tal forma que a exposição à radiação seja minimizada. Sempre que possível, deve ser realizada apenas a fase de perfusão.

Quais são as aplicações clínicas da cintilografia pulmonar?

A cintilografia pulmonar por inalação é usada para estudar a passagem de ar nos pulmões. O papel dela é de auxiliar no diagnóstico de condições como embolias, pneumonias, abscessos, etc. Além disso, a cintilografia por inalação pode identificar as áreas em que o ar não circula corretamente no pulmão.

A cintilografia pulmonar por perfusão é responsável por possibilitar o estudo do sistema circulatório do pulmão, avaliando diversas alterações de perfusão sanguínea, principalmente a embolia pulmonar. Na maior parte das vezes, a cintilografia pulmonar é utilizada para diagnosticar essa condição.

A precisão no diagnóstico de tromboembolismo pulmonar é essencial para reduzir a morbidade e mortalidade causadas por esta enfermidade. A apresentação clínica da embolia pulmonar é multiforme e por isso o diagnóstico baseado apenas na avaliação clínica não é confiável. O diagnóstico instrumental dessa enfermidade é, há anos, feito por meio da cintilografia. Atualmente, essa metodologia da medicina nuclear ainda é empregada, embora menos do que no passado recente, em virtude do surgimento de outros recursos diagnósticos.

As alterações fisiopatológicas que ela acarreta afetam tanto a perfusão quanto a ventilação pulmonares e se manifestam clinicamente como dispneia, ingurgitamento das veias cervicais, hipotensão arterial sistêmica, redução do volume pulmonar, hipocapnia e hipoxemia.

A redução do volume pulmonar é devida principalmente à atelectasia e diminuição da distensão da caixa torácica provocada pela dor torácica. As alterações hemodinâmicas resultantes da obstrução arterial pulmonar produzem aumento das resistências vasculares pulmonares.

Leia também: "Diferenças entre trombose venosa profunda e tromboembolismo venoso" e "Bronquiolite obliterante".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Medical University of Vienna e do NIH - National Institutes of Health.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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