Derivação ventriculoperitoneal

Sobre o líquido cefalorraquidiano
O líquido cérebro-espinhal, também conhecido simplesmente como líquor, é um fluido claro e aquoso encontrado no espaço subaracnoideo do sistema nervoso central, ou seja, ao redor do cérebro e da medula espinhal. Ele serve, entre outras coisas, para proteger esses órgãos. Este líquido é produzido principalmente pelos plexos coroides dos ventrículos cerebrais, embora possa haver contribuições menores de outras estruturas, e é reabsorvido principalmente através das vilosidades da aracnoide, uma das membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal, de onde entra na corrente sanguínea e é reabsorvido pelo sistema circulatório.
O equilíbrio entre a produção, o fluxo e a reabsorção do líquor é essencial para manter constante o volume e a pressão do líquor dentro do sistema nervoso central. Qualquer desarranjo nesse processo pode levar a condições como hidrocefalia, que é o acúmulo anormal de líquor no cérebro, com aumento da pressão intracraniana, que geralmente varia entre 6 e 18 mmHg (milímetros de mercúrio) quando medida em adultos em posição lateral.
O que é derivação ventriculoperitoneal?
A derivação ventriculoperitoneal (DVP) é um procedimento neurocirúrgico utilizado para tratar o acúmulo anormal de líquido cefalorraquidiano no cérebro, o que causa um aumento da pressão liquórica. Ela é um dispositivo de drenagem valvular unidirecional, normalmente implantado em pacientes com hidrocefalia. O objetivo principal da DVP é desviar o excesso de líquido cefalorraquidiano do cérebro para outras cavidades do corpo, geralmente o abdômen, onde é reabsorvido pelo organismo. Isso ajuda a aliviar a pressão excessiva dentro do crânio, que poderia causar danos ao tecido cerebral.
A DVP tem sido utilizada com resultados satisfatórios por diversos autores, tanto em crianças como em adultos. É frequentemente usada em pacientes com hidrocefalia, tanto aquela devida a condições congênitas, como espinha bífida ou malformações cerebrais, quanto a hidrocefalia devida a condições adquiridas, como trauma craniano, hemorragia cerebral ou tumores cerebrais.
Essa técnica é considerada uma das maneiras mais eficazes de tratar a hidrocefalia e pode melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes afetados. O tratamento das hidrocefalias em crianças corresponde a mais da metade do movimento anual de um serviço de neurocirurgia pediátrica.
Como qualquer procedimento cirúrgico, a derivação ventriculoperitoneal apresenta alguns riscos, como infecção, obstrução do cateter ou mau funcionamento do sistema de derivação.
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Por que fazer uma derivação ventriculoperitoneal?
A DVP é indicada para o tratamento de condições médicas que resultam em acúmulo excessivo de líquido cerebrospinal nos ventrículos cerebrais, levando à hidrocefalia. Algumas das principais indicações para a DVP incluem a hidrocefalia que, como dito, pode ser congênita (presente ao nascimento) ou adquirida (desenvolve-se mais tarde devido a trauma, infecção, tumor cerebral, hemorragia, entre outras causas). A hidrocefalia obstrutiva do fluxo normal do líquor pode ser devida a:
- Presença de um tumor cerebral.
- Malformações congênitas, como, por exemplo, espinha bífida ou malformação de Chiari.
- Lesões traumáticas na cabeça, que podem causar hemorragia, inchaço ou obstrução do fluxo de líquor.
- Infecções como meningite ou abscessos cerebrais, que podem causar obstrução do fluxo de líquor.
- Hemorragias intracranianas, que podem levar ao acúmulo de sangue nos ventrículos cerebrais, causando hidrocefalia.
Essas são apenas algumas das indicações mais comuns para a derivação ventriculoperitoneal. A decisão de realizar o procedimento é baseada na avaliação individual de cada paciente, levando em consideração a causa subjacente da hidrocefalia, a gravidade dos sintomas e outras condições médicas presentes.
Como se realiza a derivação ventriculoperitoneal?
O paciente deve ser submetido à anestesia geral e ter os seus sinais vitais constantemente monitorados. Em seguida o paciente é posicionado de forma adequada para a cirurgia, geralmente deitado de costas com a cabeça fixa em uma posição específica. O cirurgião então faz uma incisão no couro cabeludo para acessar o crânio e uma pequena abertura é feita no crânio para acessar os ventrículos cerebrais, que são as cavidades dentro do cérebro que contêm o líquido cerebrospinal.
Um cateter flexível, projetado para drenar o excesso de líquido cerebrospinal, é cuidadosamente inserido em um dos ventrículos cerebrais. A extremidade livre desse cateter é então conduzida sob a pele e guiada ao longo do corpo em direção ao abdômen, onde é criada uma pequena bolsa na qual é inserida uma válvula que regula o fluxo do líquido cerebrospinal do cateter para a cavidade abdominal.
O cateter é fixado no lugar para evitar movimentos indesejados e a incisão é fechada com suturas ou adesivos cirúrgicos. Após a cirurgia, o paciente é monitorado de perto até que se constate que o dispositivo está funcionando normalmente. O tempo de recuperação desse procedimento pode variar dependendo do paciente e da extensão da cirurgia.
Quais são as complicações possíveis com a derivação ventriculoperitoneal?
Embora seja uma intervenção geralmente segura e eficaz, existem várias possíveis complicações associadas a este procedimento, algumas delas graves. A infecção é uma complicação grave que pode ocorrer em qualquer parte do sistema de derivação, incluindo a área por onde transita o cateter ventricular, o reservatório e o cateter peritoneal, podendo levar à meningite ou à peritonite.
Uma obstrução pode também ocorrer em qualquer ponto do sistema de derivação, devido a coágulos sanguíneos, tecido cerebral ou outros materiais que bloqueiam o fluxo adequado do líquor. Embora raramente, algumas pessoas podem desenvolver reações alérgicas aos materiais utilizados na derivação ventriculoperitoneal.
A válvula que regula o fluxo de líquor pode falhar, resultando em subdrenagem ou superdrenagem do líquido. Durante a cirurgia pode ocorrer formação de hematoma no local da incisão ou em outras áreas do cérebro, aumentando o risco de complicações neurológicas.
O cateter que conecta o ventrículo cerebral ao peritônio pode se deslocar ou desconectar-se, interrompendo o fluxo adequado do líquido cerebrospinal. Podem ocorrer aderências peritoneais, obstrução intestinal ou vazamento de líquido no espaço peritoneal.
Embora menos comuns, podem ocorrer complicações neurológicas, como convulsões, déficits motores ou sensoriais, especialmente se houver lesão cerebral durante a cirurgia.
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Referências:
As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Biblioteca Virtual em Saúde e do ARCA - Repositório Institucional da Fiocruz.
