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Doação de órgãos: o que é? Como é feita? Quem pode e quem não pode doar?

Thursday, November 20, 2014
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Doação de órgãos: o que é? Como é feita? Quem pode e quem não pode doar?

O que é doação de órgãos?

A doação de órgãos consiste na remoção de um órgão de uma pessoa que esteja em estado de morte encefálica ou de um doador vivo voluntário, com o propósito de transplantá-lo em pessoas vivas. A doação pode igualmente ser apenas de tecidos, como no caso da córnea ou da pele, por exemplo. O número de doadores é muito inferior ao das pessoas que precisam de órgãos ou tecidos. Em 2007 havia mais de 70.000 pessoas à espera de uma doação, número muito superior ao de doadores.

Como se faz a doação de órgãos?

O paciente que tenha sofrido lesão irreversível do encéfalo e esteja num estado de morte cerebral é um potencial doador pós-morte se em vida ele declarou essa intenção e se a família autoriza essa doação posteriormente à morte. Atualmente podem ser realizadas, entre outras, doações dos seguintes órgãos e tecidos para transplantes: pulmão, pâncreas, vasos sanguíneos, intestino, ossículos do ouvido, pele, coração, válvulas cardíacas, córnea, medula óssea, fígado, rins, tendões e meninges. As doações de órgãos podem ser feitas por pessoas de qualquer idade. No caso de rim, medula, pâncreas, fígado e pulmão a doação pode provir de doador vivo. O estado do órgão a ser transplantado é mais importante que a idade do doador. No entanto, a maioria dos órgãos doados procede de adultos jovens. Os órgãos são removidos com procedimentos similares a uma cirurgia e todas as incisões devem ser fechadas após a conclusão do procedimento.

Quem pode e quem não pode doar órgãos?

Tipicamente, os doadores são pessoas sadias que tenham passado por um evento que provocou um dano na cabeça, como acidente com carro, moto, quedas, etc e que estejam em situação de morte encefálica. Só pode se tornar doador o paciente que tiver recebido o diagnóstico de morte encefálica. A decisão quanto à doação pertence à família, independentemente da decisão em vida da pessoa falecida. É, pois, muito importante que uma pessoa que deseja ser uma doadora de órgãos comunique à família esse seu desejo, para que a mesma autorize a doação no momento oportuno. Apesar da morte encefálica, o coração do doador deve permanecer batendo, valendo-se do uso de aparelhos e medicamentos, até o momento da cirurgia de retirada do(s) órgão(s). Se o coração parar de bater, só poderão ser doados alguns tecidos como as córneas, pele e ossos.

Para doar órgãos em vida é necessário ser maior de dezoito anos e juridicamente capaz, estar em condições de doar sem comprometer a saúde, estar em boas condições de saúde, doar um órgão que seja duplo e não impeça o doador de continuar funcionando normalmente, ter um receptor determinado, ser parente até quarto grau ou cônjuge ou, no caso de não parentes, ter autorização judicial.

Não devem ou não podem doar órgãos os pacientes que sofram uma insuficiência orgânica importante, como insuficiência renal, hepática, cardíaca, pulmonar, pancreática ou medular, portadores de doenças transmissíveis por transplante, pacientes com infecção generalizada ou com tumores malignos (exceto tumor primitivo do sistema nervoso central, carcinoma basocelular e carcinoma “in situ” do útero) e pessoas com doenças degenerativas. O dano estrutural de um órgão específico, por acidente, por exemplo, não contraindica nem impede a doação dos demais órgãos.

A doação por menores de idade é permitida somente com autorização de ambos os pais ou responsáveis. Os deficientes mentais não podem ser doadores.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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