Esvaziamento ganglionar - Quando é feito? Quais são os mais comuns?

O que são gânglios linfáticos?
Gânglios linfáticos (ou linfonodos) são pequenas estruturas em forma de um grão de feijão que filtram e retêm, pelo menos em parte, substâncias que circulam pelo líquido linfático. Existem centenas de nódulos linfáticos espalhados por todo o corpo, ligados uns aos outros por vasos linfáticos, constituindo um verdadeiro sistema circulatório linfático.
Cada gânglio ou aglomerado de gânglios recebe a drenagem da linfa oriunda de órgãos ou tecidos regionais. Aglomerados de linfonodos são encontrados no pescoço, nas axilas, no peito, no abdômen e na virilha.
Saiba mais sobre "Íngua", "Circulação linfática" e "Drenagem linfática".
Assim, por exemplo, os gânglios do pescoço recebem drenagem da boca, da garganta e da cabeça; os das axilas drenam das mãos e braços e podem indicar o câncer de mama; os da virilha drenam das pernas ou pés e dos órgãos sexuais e os da clavícula drenam dos pulmões, mamas e pescoço.
Eles fazem parte do sistema imunológico da pessoa e contêm linfócitos (glóbulos brancos do sangue) que ajudam o organismo a combater infecções e algumas outras doenças. Dessa forma, ajudam a combater gripes, amigdalites, otites, resfriados e outras infecções. Em alguns casos, a presença de gânglios inflamados pode ser sinal de câncer.
Qual é a relação entre os gânglios linfáticos e o câncer?
Os gânglios linfáticos podem conter células cancerosas por duas maneiras diferentes: o câncer pode começar por aí e ser primariamente linfático (linfoma na doença de Hodgkin e no linfoma não-Hodgkin) ou pode chegar a eles a partir de algum outro lugar (metástases).
Mais frequentemente, o câncer começa em outro lugar e depois se espalha para os gânglios linfáticos. Quando as células cancerígenas se separam de um tumor, elas podem viajar para outras áreas do corpo através do sistema linfático. Nesse sentido, o esvaziamento ganglionar tanto permite saber se as células malignas já se espalharam, como interrompe a drenagem linfática de um determinado órgão.
Para que as células cancerosas se espalhem para novas partes do corpo, elas precisam passar por várias mudanças. Em primeiro lugar, elas precisam se separar do tumor original e se fixarem à parede externa de um vaso linfático ou sanguíneo. Então, elas começam a se reproduzir, formando um novo tumor (metástase).
Leia sobre "Linfoma", "Linfoma não Hodgkin" e "Linfedema ou elefantíase".
O que é esvaziamento ganglionar?
O esvaziamento ganglionar é a retirada cirúrgica dos linfonodos, vasos linfáticos e gordura periganglionar de uma região para onde drena um órgão acometido pelo câncer.
Quais são os esvaziamentos ganglionares mais comuns?
Alguns esvaziamentos ganglionares são citados aqui a título de exemplos:
Esvaziamento ganglionar axilar
Muito comumente, a drenagem linfática da axila é feita em casos de câncer da mama, porque é por ali que ele começa a se espalhar. O esvaziamento ganglionar axilar é uma operação destinada a tirar todos os gânglios que os seres humanos têm na axila, geralmente em número de 12 a 20.
Quase sempre o acesso é feito por uma incisão na própria axila, mas pode também ser feito através da mama e estendendo-se desde a base da axila até a entrada no tórax da veia axilar. Esta cirurgia permite também estudar se o câncer está em fase inicial ou mais avançada. Quanto mais gânglios estiverem afetados, mais adiantada está a doença.
Uma vez realizada essa cirurgia, o braço do lado correspondente fica mais sem defesas contra infecções. Daí que maiores cuidados devem ser tomados no sentido de evitar picadas, injeções, feridas e retirada de cutículas neste braço. Este braço também pode apresentar um linfedema (inchaço devido à retenção de linfa).
Esvaziamento cervical
O médico pode solicitar o esvaziamento cervical (dos gânglios do pescoço) em razão de que os tumores de cabeça e pescoço em geral drenam células metastáticas para os gânglios dessa região do corpo. Na maioria das vezes, estas metástases originam-se de lesões primárias do trato aéreo ou digestivo superiores, em particular da boca, faringe e laringe. Em outras palavras, o câncer pode se espalhar por essa região.
O esvaziamento cervical é um procedimento cirúrgico empregado tanto para diagnóstico como tratamento do câncer de cabeça e pescoço. Ele tem sido modificado ao longo dos anos, passando a ser mais conservador, mantendo, contudo, a eficácia e os princípios da cirurgia oncológica. Trata-se, então, de fazer a remoção desses linfonodos e de outros tecidos adjacentes. A cirurgia pode ser seletiva, com a remoção de apenas algumas cadeias de gânglios, ou radical, com a remoção de todas as cadeias.
Por conta da cirurgia de esvaziamento, podem ocorrer alguns efeitos colaterais, como dormência da orelha, fraqueza ao levantar o braço acima da cabeça, desvio do lábio inferior, dor e sensação de peso no ombro, e outros.
Veja também sobre "Câncer de mama", "Câncer de cabeça e pescoço" e "Ínguas ou linfadenopatias" .
