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Manometria gastrointestinal

quarta-feira, 11 de janeiro de 2023
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Manometria gastrointestinal

O que é manômetro?

O manômetro (do grego: manós = pouco/ligeiramente denso + métron = medida) é um instrumento utilizado para medir a pressão. Pode ser a pressão atmosférica ou a pressão de um gás ou líquido contidos em recipientes fechados. Um manômetro também pode ser usado para medir a velocidade na qual uma corrente de ar está fluindo.

Na medicina, o manômetro mais conhecido e mais utilizado é o do aparelho de pressão, chamado esfigmomanômetro, mas também existem pequenos manômetros usados para monitorar a pressão nas vias aéreas do paciente e outros capazes de medi-la no interior do aparelho digestivo.

O que é manometria gastrointestinal?

Anatomicamente, o sistema digestivo é um tubo oco da boca ao ânus. As paredes do tubo contêm músculos e nervos que comprimem o alimento ritmicamente através do sistema, fazendo-o ir à frente, numa ação chamada peristaltismo. A manometria gastrointestinal dá uma noção de como essas estruturas estão funcionando: se os músculos e nervos não estiverem atuando sinergicamente, com a força necessária, os alimentos não conseguem progredir pelo sistema digestivo.

A manometria consiste na tomada da pressão em vários pontos do sistema digestivo, como esôfago, estômago, primeiro segmento do intestino delgado, esfíncter de Oddi, reto ou ânus. Nesse exame, um tubo flexível, denominado cateter de manometria, que conta com medidores de pressão ao longo de sua superfície, é introduzido pelo nariz ou pelo ânus e posicionado no ponto que se deseja examinar para medir as contrações do trato digestivo e a pressão nos esfíncteres.

No caso de uma exploração do sistema digestivo alto, em que o cateter tenha que ser introduzido pelo nariz, um anestésico é borrifado através de um spray no nariz e na parte posterior da garganta, para não causar ânsia de vômitos e náuseas. É necessário que a pessoa observe um jejum de pelo menos 6 horas antes do exame.

Além de um certo desconforto, a manometria gastrointestinal não provoca nenhuma outra reação desagradável nem tem riscos relevantes, e o paciente pode voltar às suas atividades normais após o procedimento.

Leia sobre "Má digestão ou indigestão - pode ser dispepsia", "Engasgos", "Azia" e "Disfagia e odinofagia".

Manometria esofágica

A manometria esofágica é um exame que avalia as pressões dentro do esôfago, fornecendo dados objetivos sobre o peristaltismo (ondas de contração e relaxamento dos músculos) do órgão, avaliando amplitude, propagação e velocidade dessas ondas, que permitem a propagação da deglutição.

A manometria esofágica permite a avaliação em três diferentes partes funcionais do esôfago durante a deglutição e nos períodos de repouso: (1) esfíncter inferior, (2) corpo do esôfago e (3) esfíncter superior.

Ela é usada para verificar como os músculos do esôfago estão funcionando na acalásia, no espasmo esofágico difuso, na esclerodermia, entre outras condições, e também pode ser realizada na preparação para a cirurgia esofágica ou para acompanhar e avaliar o funcionamento do órgão após a cirurgia.

O exame deve ser realizado com o paciente acordado porque precisará contar com sua participação ativa. Algumas medicações de uso comum podem interferir no funcionamento do esôfago e devem ser interrompidas 48 horas antes do exame. O médico deve indicar ao paciente que medicações devem ou não ser descontinuadas.

Manometria antroduodenal

O antro é a parte inferior do estômago e o duodeno é a primeira parte do intestino delgado, que se conecta a ele. A manometria antroduodenal, às vezes chamada de manometria do intestino delgado, é usada para estudar os músculos e nervos no estômago e no intestino delgado, verificar como o antro e o estômago estão funcionando e se há sinergia entre eles. Pode ser usada para medir a força e a coordenação das contrações musculares do estômago e do intestino delgado.

Quando os músculos não funcionam como deveriam, a pessoa pode sentir sintomas como azia, dificuldade ou dor ao engolir, dor no peito e regurgitação (volta do alimento após a deglutição). A manometria antroduodenal é um teste feito em duas etapas e ajuda a determinar o que está causando esses sintomas. Para fazer este teste, um pequeno tubo flexível é passado através do nariz, até o intestino delgado, com a pessoa sedada, mas o teste de manometria em si só é feito depois que a pessoa acorda, geralmente no dia seguinte à passagem do tubo.

Manometria do esfíncter de Oddi

O procedimento chamado manometria do esfíncter de Oddi é uma forma avançada de colangiopancreatografia retrógrada endoscópica, que permite que o médico meça as pressões ao redor desse esfíncter e procure por anormalidades. O esfíncter de Oddi é um músculo que abre e fecha para controlar o fluxo de líquidos digestivos do fígado e pâncreas para o intestino delgado.

A manometria é o único método disponível para medir diretamente a atividade motora desse esfíncter. Além disso, é a única modalidade de diagnóstico em casos de suspeita de mau funcionamento dele. O esfíncter de Oddi pode funcionar mal e não abrir quando deveria, o que faz com que os líquidos digestivos se acumulem e causem sintomas como dor no estômago. A manometria do esfíncter de Oddi também pode ser feita se o paciente tiver testes hepáticos anormais, distúrbio biliar ou pancreático complexo, pancreatite inexplicada ou dor abdominal superior inexplicável.

Manometria anorretal

A manometria anorretal permite avaliar os parâmetros da função anorretal e é um recurso importante no diagnóstico da doença de Hirschsprung (dilatação anormal congênita do intestino grosso), uma das principais doenças congênitas do intestino, além de outros casos de constipação intestinal grave em adultos, como uma dissinergia intestinal funcional, que consiste na contração paradoxal do esfíncter anal externo durante a tentativa de evacuação.

O exame também pode ser usado com algumas crianças com constipação intestinal crônica persistente a despeito do tratamento convencional. A manometria anorretal ainda fornece informações importantes da função anorretal em pacientes com incontinência fecal de origem orgânica, como intestino neurogênico, por exemplo.

Veja também: "Esofagite", "Gastrite", "Íleo paralítico" e "Doença do Refluxo Gastroesofágico".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Mayo Clinic e da Cleveland Clinic.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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