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Medicina nuclear - O que é? Quais são os usos clínicos?

terça-feira, 13 de dezembro de 2022
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Medicina nuclear - O que é? Quais são os usos clínicos?

O que é medicina nuclear?

A medicina nuclear é uma especialidade médica radiológica que utiliza quantidades muito pequenas de materiais radioativos (radiofármacos) introduzidos no corpo, com finalidade diagnóstica e/ou terapêutica. Seus métodos são seguros, indolores e não invasivos. Ela usa quantidades mínimas de substâncias radioativas como ferramenta para acessar o funcionamento e/ou a estrutura dos órgãos e tecidos vivos, realizando imagens diagnósticas ou tratamentos.

Para que serve a medicina nuclear?

A técnica da medicina nuclear é utilizada há mais de 50 anos. Ela é bastante segura, uma vez que as doses de radiação que emprega são pequenas e geram praticamente a mesma quantidade de radiação do que um raio X comum.

A medicina nuclear atua em diversas áreas, como a cardiologia, a oncologia, a hematologia, a neurologia e outras, e é usada tanto no diagnóstico quanto no tratamento de várias doenças como, por exemplo, embolia pulmonar, infecções agudas, infarto do miocárdio, câncer, obstruções renais, demências, etc. Além disso, ela pode também definir o quanto o câncer está circunscrito ou espalhado no organismo, o que ajuda o médico na decisão sobre a conduta terapêutica mais adequada para cada caso.

Usada para diagnóstico, a medicina nuclear pode mostrar como os órgãos ou tecidos estão funcionando. Os usos mais comuns da medicina nuclear para diagnóstico incluem exames do coração, pulmão, rins, vesícula biliar e tireoide.

Em um tipo de exame da medicina nuclear chamado tomografia por emissão de pósitrons (positron emission tomography - PET), o radioisótopo é usado para mostrar a atividade das células, fornecendo informações mais detalhadas sobre como os órgãos estão funcionando e se há danos às células. O principal objetivo dos exames de PET é detectar o câncer e monitorar sua progressão, sua resposta ao tratamento e descobrir eventuais metástases. Os exames PET são frequentemente combinados com tomografia computadorizada ou ressonância magnética, que fornecem imagens detalhadas do órgão em causa.

Quando usada no tratamento, o traçador radioativo tem como alvo um órgão ou tecido doente e a radioatividade visa danificar ou interromper o crescimento de suas células. Dentre esse tipo de uso da medicina nuclear, dois usos muito comuns incluem:

  1. Terapia com iodo radioativo, que é largamente captado pela glândula tireoide, para o tratamento do hipertireoidismo ou de tumores da tireoide.
  2. Braquiterapia, uma forma de tratamento com radiação em que uma fonte de radiação é colocada dentro ou próxima à área que requer tratamento e promove uma irradiação local.
Veja também sobre "Cintilografia renal", "Cintilografia da tireoide", "Cintilografia pulmonar" e "Cintilografia óssea".

Em que consiste a medicina nuclear?

Quando a medicina nuclear é usada para procedimentos de diagnóstico, um marcador, que contém o material radioativo (radioisótopo), é injetado, ingerido ou inalado. Os radioisótopos são ligados a moléculas carreadoras, as quais variam de acordo com a região a ser observada e o objetivo do posterior escaneamento. Pode-se usar, com tal finalidade, moléculas que são metabolizadas como açúcares ou proteínas específicas, ou que sejam absorvidas apenas em determinada região do corpo, o que torna mais precisa e específica a formação de imagens.

Os radioisótopos emitem energia na forma de fótons ou de pósitrons que são detectados por equipamentos especiais manejados pelo radiologista intervencionista e processados por computadores, formando imagens estáticas e/ou dinâmicas que revelam o funcionamento do órgão ou tecidos estudados. Isso dará ao médico informações sobre o quão bem eles estão funcionando.

Pode-se, também, “marcar” certas moléculas com radioisótopos e avaliar como elas se distribuem pelo corpo. Exemplos disso são:

  • a marcação de leucócitos para identificar a localização de focos de infecção;
  • a marcação de hemácias para avaliar sangramentos.

Como quase todo procedimento médico, a medicina nuclear comporta benefícios e riscos. Por um lado, ela fornece informações dinâmicas sob como os órgãos e tecidos estão funcionando, enquanto outros procedimentos de imagens mostram apenas imagens estruturais. As radiações promovidas por ela podem ser direcionadas para matar ou danificar células nocivas e para reduzir o tamanho de tumores o que, frequentemente, implica em diminuição da dor e/ou facilitação de uma cirurgia.

Por outro lado, as radiações necessárias para alguns procedimentos podem ser mais altas, o que pode aumentar a probabilidade de o paciente sofrer câncer mais tarde na vida. Além disso, alguns procedimentos são mais longos e duradouros que outros e podem causar vermelhidão na pele ou perda de cabelo como efeitos colaterais. A pessoa exposta à radiação pode, logo após o procedimento, liberar pequenas quantidades de radiação, e precisa por isso tomar cuidado quanto à exposição de outras pessoas.

Usos clínicos da medicina nuclear

Depois de administrado o radioisótopo, uma varredura radiológica (scan) pode ser praticada em vários órgãos e tecidos do corpo. As varreduras são usadas para localizar e/ou diagnosticar muitas condições médicas e doenças, bem como acompanhar a evolução delas. Alguns dos exames mais comuns da medicina nuclear incluem:

  1. exames renais, usados ​​para examinar anormalidades nos rins;
  2. exames de tireoide, usados ​​para avaliar a função dessa glândula ou para avaliar melhor um nódulo ou massa tireoidiana;
  3. varreduras ósseas, usadas ​​para avaliar quaisquer alterações degenerativas e/ou artríticas nas articulações, para encontrar doenças ósseas e tumores e/ou para determinar a causa da dor ou inflamação óssea;
  4. varreduras de gálio (elemento químico), usadas ​​para diagnosticar doenças infecciosas e/ou inflamatórias ativas, tumores e abscessos;
  5. varreduras do coração, usadas ​​para identificar o fluxo sanguíneo anormal para o coração, para determinar a extensão do dano do músculo cardíaco após um ataque cardíaco e/ou para medir a função cardíaca;
  6. varreduras do cérebro, usadas ​​para investigar problemas dentro do cérebro e/ou na circulação sanguínea para o cérebro;
  7. varreduras de mama, usadas ​​em conjunto com a mamografia para localizar tecido canceroso na mama, etc.

As varreduras tornaram-se recentemente disponíveis para auxiliar no diagnóstico da doença de Parkinson no cérebro e distinguir essa doença de outros distúrbios do movimento e demências anatomicamente relacionados.

Saiba mais sobre "PET Scan" e "Tratamento com iodo radioativo".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da SBMN – Sociedade Brasileira de Medicina Nuclar, do National Institute of Biomedical Imaging and Bioengineering e da Johns Hopkins Medicine.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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