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Pericardiocentese: conceito, indicações, contraindicações, como é realizada, evolução e complicações possíveis

quarta-feira, 1 de outubro de 2014
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Pericardiocentese: conceito, indicações, contraindicações, como é realizada, evolução e complicações possíveis

O que é pericardiocentese?

Pericardiocentese é um procedimento médico realizado há mais de 150 anos para a drenagem do derrame pericárdico, que é o acúmulo anormal de líquido no espaço pericárdico. O pericárdio é uma membrana que envolve o coração.

O que é espaço pericárdico?

O coração é contido por uma espécie de saco que o envolve, chamado pericárdio, que é composto por duas membranas, uma fibrosa, mais externa, e outra serosa, mais interna, as quais são separadas por um espaço virtual, chamado espaço pericárdico. Normalmente, entre ambas as membranas existe apenas uma fina camada de uma substância graxa especial que permite o deslizamento de uma sobre a outra. O acúmulo anormal de líquido (em geral, sangue ou plasma) no espaço entre elas é chamado derrame pericárdico.

Quem deve fazer pericardiocentese?

A pericardiocentese deve ser feita para aliviar os sintomas causados pelo derrame pericárdico ou para estabelecer o diagnóstico em casos ainda não esclarecidos. A remoção de apenas quinze a vinte mililitros de líquido do derrame pericárdico já é o suficiente para produzir uma significativa melhora das condições hemodinâmicas do paciente e para propiciar um acentuado alívio dos sintomas, embora possam ser retirados mais de cinquenta mililitros.

Quem não deve fazer pericardiocentese?

Nos casos de urgência, nos quais há risco de vida, as contraindicações para a pericardiocentese não devem ser levadas em conta e a pericardiocentese deve ser realizada sempre que necessário. Contudo, se for realizada apenas com propósitos diagnósticos ou terapêuticos não urgentes, devem ser consideradas como contraindicações relativas as coagulopatias, o desequilíbrio eletrolítico e as infecções.

Como se realiza a pericardiocentese?

Idealmente a realização da pericardiocentese deve ser feita em local em que as condições de monitorização radiológica e hemodinâmica sejam ótimas, mas ela também pode ser realizada com segurança à beira do leito do paciente. O paciente deve ser colocado de barriga para cima ou inclinado a 45 graus, o que pode deslocar a cavidade pericárdica para mais perto da parede torácica. Em seguida, uma pequena incisão de dois ou três milímetros deve ser feita na pele, abaixo e à esquerda do apêndice xifoide ou, se não for possível, paraesternalmente (do lado do osso esterno) no quarto espaço intercostal esquerdo, pela qual uma agulha especial deve ser inserida até atingir o pericárdio. A região a ser puncionada deve ser higienizada com antissépticos e devidamente anestesiada.

Quando a agulha atinge o pericárdio sente-se um “estalo” e o líquido intrapericárdico começa a jorrar ou pode ser levemente aspirado. Faz-se então a introdução de uma agulha especial, a qual deve estar conectada a uma seringa de médio calibre. A agulha deve ser introduzida com uma pequena inclinação voltada para o braço esquerdo. Embora seja um procedimento simples, deve ser realizado por pessoal especializado que utilize um registro eletrocardiográfico durante o exame, para não causar uma laceração pleural e não atingir o miocárdio (músculo cardíaco).

Nos casos que requerem a colocação de um cateter intrapericárdico, a fluoroscopia é altamente útil na orientação para o correto posicionamento dele. Após o procedimento, deve ser feita uma radiografia do tórax para descartar a possibilidade de um pneumotórax e os sinais vitais (frequência cardíaca, ritmo cardíaco, pressão arterial, temperatura corporal, etc.) devem ser regularmente checados nas primeiras horas. Um novo ecocardiograma ajuda a verificar se o derrame cardíaco foi inteiramente resolvido. Entretanto, a cirurgia ainda é o método de escolha para a resolução definitiva do derrame pericárdico em que o líquido seja purulento e nos tamponamentos cardíacos de origem traumática.

Como evolui a pericardiocentese?

Em geral, a pericardiocentese tem baixo risco em pacientes adequadamente selecionados. A mortalidade ocorre em menos de 5% dos pacientes e em algumas vezes ela se deve à enfermidade causal. Se a drenagem pericárdica for rápida demais pode desencadear um edema pulmonar, devido ao enchimento ventricular célere enquanto a resistência sistêmica permanece elevada.

Quais são as complicações possíveis da pericardiocentese?

Com as técnicas modernas raramente há efeitos adversos, mas numa abordagem "cega" existe um risco potencial de complicações, devido à incerteza em localizar o derrame pericárdico sem causar danos a estruturas vitais. Pode ocorrer punção de câmara cardíaca, mas essa complicação quase nunca deixa sequelas. Pode ocorrer também dilatação ventricular aguda, provavelmente secundária ao aumento do retorno venoso após o alívio do tamponamento. A pericardiocentese é acompanhada também de risco significativo de infecções, de laceração das artérias coronárias, pneumotórax, perfuração de vísceras abdominais e parada cardíaca.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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