AbcMed

Principais vias de administração de medicamentos

Monday, February 8, 2021
Avalie este artigo
Principais vias de administração de medicamentos

O que são vias de administração de medicamentos?

Vias de administração de medicamentos referem-se à aplicação e ao transporte de um fármaco desde o exterior do corpo até o local de ação da droga. A via de administração de um fármaco é determinada, entre outras coisas, pelas propriedades do fármaco, pelos objetivos terapêuticos em vista e pelas necessidades e/ou condições clínicas do paciente. Assim, importa saber se o medicamento é hidro ou lipossolúvel, se há necessidade de que o início de seu efeito seja rápido, se o tratamento deve ser mantido por longo tempo, se há restrição de acesso a um local específico do organismo etc.

Para uma droga atuar terapeuticamente e produzir seus efeitos característicos, deve primeiro ser absorvida, cair na corrente sanguínea e então atingir uma concentração eficiente em seu local de ação.

Quais são as principais vias de administração de um determinado medicamento?

As vias principais de administração de fármacos são três:

  1. Via enteral, em que o medicamento é recebido e absorvido no intestino, passa à corrente sanguínea e tem efeito sistêmico (em todo o organismo). Nessa via, o medicamento pode ser introduzido no organismo pela boca (oral) ou pelo ânus.
  2. Via parenteral, que recebe a substância por outra forma que não pelo trato digestivo e que tem, também, efeito sistêmico. Em geral, ela é acessada por injeções intramusculares, intravenosas, intra-arteriais, intracardíacas, intradérmicas, intraperitoneais, intraósseas e subcutâneas.
  3. Via tópica, em que a substância medicamentosa é aplicada diretamente onde se deseja a sua ação, independentemente de absorção e circulação pelo sangue. São de aplicação sobre a pele (epidérmicas), inalável, enemas, colírios, gotas otológicas, sprays intranasais.

Há ainda aplicações intratecais (administração que consiste na injeção de substâncias no canal raquidiano), transdérmicas, por meio de adesivos, transmucosas, intrauterina, intravaginal, intrauretral.

Leia também “Polifarmácia”, “Iatrogenia” e “Intoxicações medicamentosas”.

Características específicas de cada uma das principais vias de administração de medicamentos

1. Na via enteral (do grego: enteron = intestino) a administração de medicamentos é feita pela boca (via oral), pelo ânus ou por via sublingual. Ela é segura, econômica, confortável e sem apresentação de qualquer tipo de dor. Uma eventual toxicidade e/ou superdosagem pode ser neutralizada com antídotos.

  1. As drogas tomadas por via oral podem exercer um efeito local no trato gastrointestinal (antiácidos, por exemplo) ou serem absorvidas pela mucosa gastrointestinal, atingirem o sangue ou a linfa, exercendo efeitos sistêmicos. As soluções aquosas alcançam rapidamente o duodeno e logo começam a ser absorvidas. As partículas das suspensões têm que ser dissolvidas nas secreções gastrointestinais antes que ocorra a absorção. Os comprimidos e cápsulas convencionais têm que se desintegrar no estômago ou intestino delgado antes de ocorrerem a dissolução e a absorção.
  2. A via retal é uma via alternativa da via oral, muito usada para crianças, doentes mentais, pacientes comatosos e aqueles que apresentam vômitos e náuseas. Certas drogas, que provocam irritação gastrointestinal excessiva ou sofrem elevado metabolismo hepático de primeira passagem, podem ser favoravelmente administradas por via retal.
  3. A via sublingual permite a retenção do fármaco por tempo mais prolongado. Propicia uma rápida absorção de pequenas doses de alguns fármacos, devido à vasta vascularização sanguínea e à pouca espessura da mucosa local, permitindo a absorção direta na corrente sanguínea.

2. A via parenteral é aquela realizada fora do trato gastrointestinal e é representada pelas vias endovenosa, intramuscular, subcutânea e intradérmica.

  1. A via endovenosa é aquela em que o medicamento é administrado na veia do paciente. É indicada para situações emergenciais e aplicações de grandes volumes de substância, mas requer atenção aos sintomas do paciente.
  2. A via intramuscular é aquela em que a droga é introduzida na região muscular das nádegas ou do músculo deltoide (no braço). É recomendada para a administração de pequenos volumes de medicamentos, mas é uma via com ação rápida porque o músculo é muito vascularizado e rapidamente chega à circulação sistêmica.
  3. A via intradérmica é aquela destinada à aplicação na região da derme, abaixo do tecido epidérmico, é muito usada para testes de sensibilidade a substâncias ou tratamentos infecciosos.
  4. O medicamento também pode ser administrado no tecido subcutâneo por meio de uma agulha de pequeno comprimento. Essa via é a preferencial para aplicação de insulina, nos diabéticos, mas é necessário fazer rodízio entre as principais regiões de aplicação subcutânea para reduzir um processo denominado de lipodistrofia.

3. Nas vias tópicas, os alvos para as drogas aplicadas à pele pelos seus efeitos locais são a superfície da pele, o estrato córneo, a epiderme viável, a derme e os anexos (unhas, glândulas sudoríparas e sebáceas e folículos pilosos). A presença de uma rede vascular eficiente na derme permite que as drogas que atravessam o estrato córneo e a epiderme sejam prontamente absorvidas, produzindo efeitos sistêmicos. Os medicamentos são apresentados em forma de pomadas, geis ou cremes e devem ser administrados somente no local onde há a lesão no caso do uso tópico. A velocidade de absorção da aplicação transdérmica pode variar de modo acentuado, dependendo das características físicas da pele no local da aplicação e da lipossolubilidade do fármaco.

Além dessas, há vias especiais, usadas em casos específicos, como intravaginais, intradurais, intrauretrais etc. Quase todo orifício do corpo humano revestido por mucosa pode ser utilizado como uma via de aplicação de medicação.

Assuntos de interesse: “Os perigos da automedicação”, “Posso beber tomando remédios?” e “Quais medicamentos podem ou não podem ser tomados durante a gravidez?

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Food and Drug Administration (FDA), do Merck Manual Consumer Version e da Nursing Times.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Comentários