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Amniocentese - quando deve ser feita? Existem riscos?

Friday, August 26, 2016
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Amniocentese - quando deve ser feita? Existem riscos?

O que é amniocentese?

Amniocentese, também referida como exame do líquido amniótico, é um procedimento no qual o médico retira uma pequena quantidade de líquido da bolsa amniótica que envolve o feto em desenvolvimento, para ser examinado em laboratório.

O que é o líquido amniótico?

O líquido amniótico é o fluido que preenche a famosa “bolsa d’água”, no interior da qual o feto se desenvolve, esta bolsa se rompe no início do trabalho de parto. O volume de líquido amniótico cresce com o passar do tempo e ao redor da 28ª semana de gestação chega ao seu limite, em torno de um litro. Ele ajuda a manter o bebê aquecido, impede grandes e bruscas variações de temperatura e serve como amortecedor para traumas na barriga da mãe, além de permitir que o bebê se mova facilmente dentro do útero, possibilitando o desenvolvimento e o fortalecimento dos seus músculos e ossos.

Saiba mais sobre o "Líquido amniótico".

Como se realiza a amniocentese?

A amniocentese foi introduzida no arsenal diagnóstico pré-natal pelo obstetra americano Fritz Friedrich, em 1956. Atualmente, o exame é guiado pelo ultrassom em tempo real, como é feito durante quase todos os procedimentos invasivos, fornecendo, pois, maior segurança e precisão dos resultados. Assim, o médico consegue identificar um local dentro do útero que esteja longe do feto e da placenta, mas que seja rico em líquido amniótico.

Geralmente a amniocentese, quando indicada, é feita quando a gestante está entre 14 e 16 semanas de gravidez. Uma anestesia local é administrada, a fim de aliviar a dor sentida pela mãe durante a inserção da agulha usada para retirar a fluido. Então, a agulha é inserida através da parede abdominal e, em seguida, através da parede do útero para, finalmente, alcançar a bolsa amniótica. Com o auxílio do ultrassom, o médico perfura a bolsa e extrai cerca de 20 ml do líquido do interior da bolsa.

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As células fetais são então separadas da amostra extraída, cultivadas num meio de cultura e, posteriormente, fixadas e coradas. Os cromossomas são, então, examinados num microscópio com vista a anormalidades. O líquido retirado da bolsa amniótica é reposto pelo organismo materno em 24-48 horas. O exame dura poucos minutos (15 a 20 minutos) e pode ser feito em consultório.

Por que fazer uma amniocentese?

As mulheres que optam por fazer este teste são principalmente aquelas com um risco importante de problemas genéticos e cromossômicos, porque o teste é invasivo e apresenta um risco (embora pequeno) de aborto. O líquido amniótico contém tecido fetal e por isso pode ser utilizado para o diagnostico pré-natal de anomalias cromossômicas e infecções fetais e também para determinação do sexo do bebê em gestação.

As anormalidades cromossômicas mais comumente detectadas com a amniocentese são a síndrome de Down (trissomia 21), síndrome de Edwards (trissomia 18), síndrome de Turner (monossomia X) e outras desordens metabólicas raras e herdadas, além de defeitos congênitos do tubo neural, pela análise dos níveis de alfa-fetoproteína.

Além disso, a amniocentese pode ainda prever a maturidade pulmonar fetal e ser utilizada para detectar outros problemas, como infecções, incompatibilidade Rh e descompressão de polidrâmnio.

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Quais são os riscos da amniocentese?

Se realizada antes da 14ª semana de gestação a amniocentese pode resultar em danos para o feto. As possíveis complicações da amniocentese incluem trabalho de parto prematuro, desconforto respiratório, deformidades posturais, corioamnionite, trauma fetal e aloimunização da mãe (doença rhesus). O risco de aborto é de cerca de 0,2%. A embolia amniótica também tem sido descrita como um possível risco.

Quais são as complicações possíveis da amniocentese?

Feita por um médico experiente e com a técnica correta, a amniocentese é um procedimento com taxas muito baixas de complicações. Porém, por ser um procedimento invasivo, elas podem ocorrer.

O aborto, quando ocorre, geralmente acontece dentro da primeira semana após a amniocentese. Lesão do feto pela agulha é um fato raríssimo. O risco de infecção do líquido amniótico é menor que 0,1%. Perda temporária de líquido amniótico pela vagina ocorre em cerca de 1,7% dos casos, mas, na maioria das vezes, é de pequeno volume e desaparece em cerca de uma semana. Cólicas e pequeno sangramento vaginal, leves e transitórios, podem ocorrer logo após o procedimento. Caso ocorra febre acima de 38°C, cólicas intensas, sangramento ou perda persistente de líquido amniótico, a paciente deve logo consultar o seu médico.

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Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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