AbcMed

Rompimento da bolsa das águas ou bolsa amniótica

Friday, July 24, 2015
Avalie este artigo
Rompimento da bolsa das águas ou bolsa amniótica

O que é a bolsa amniótica?

A bolsa amniótica ou âmnios, chamada às vezes de saco amniótico, é uma bolsa cheia de líquido, dito líquido amniótico, dentro da qual o feto humano e de muitos outros animais se desenvolve. Ela serve para conter o feto e protegê-lo contra traumatismos, variações de temperatura e infecções. Além disso, o líquido amniótico amortece o efeito sobre o feto de eventuais contrações uterinas. Trata-se de uma bolsa fina e transparente, mas muito resistente, conectada à placenta e ao cordão umbilical e que começa a se formar desde a implantação do embrião. Ao final da gestação humana a quantidade de líquido amniótico varia de 500 a 1.000 ml.

O que é o rompimento da bolsa amniótica?

No final da gestação normalmente a bolsa amniótica se rompe e o líquido amniótico extravasa e sai pela vagina. O trabalho de parto então se inicia. Mas algumas mulheres podem sentir as primeiras cólicas ainda antes que a bolsa amniótica tenha se rompido, sinal de que ela se romperá logo em seguida. Algumas vezes a bolsa amniótica se rompe antes que a gestação tenha chegado à sua 37ª semana, quando se consideraria o parto a termo. Isso pode acontecer em virtude de fatores externos (estresse, excessos físicos, traumas, etc.) ou internos (infecções). Nesses casos, deve-se tentar prolongar a gestação ao máximo que seja possível, mas a gestante precisará de cuidados especiais: repouso, antibióticos, monitoramento contínuo de si e do bebê. Quando a bolsa se rompe depois que a gestação já completou 37 semanas ou mais, as mulheres entram espontaneamente em trabalho de parto, algumas horas depois. Chama-se amniorrexe à perda do líquido amniótico e ela pode acontecer prematuramente, sem uma causa identificável. No entanto, sabe-se que distúrbios como infecções genitais e urinárias, incompetência istmo-cervical, inserção baixa da placenta, distensão uterina exagerada, fetos com apresentação pouco comum, traumas e infecção na própria cavidade uterina, entre outros, podem precipitar esse quadro. Mesmo que a bolsa se rompa prematuramente, o parto pode ser adiado, pois o líquido amniótico continua sendo produzido pela placenta.

Quais são os sinais de rompimento da bolsa amniótica?

A ruptura da bolsa pode acontecer a qualquer momento do trabalho de parto, mas quase sempre acontece quando a mulher já está sentindo as primeiras contrações. Muitas mulheres relatam que ouvem um leve som de ruptura, um “ploc”, no momento em que a bolsa estoura. A bolsa amniótica pode se romper em qualquer ponto e com qualquer extensão e disso dependerá a quantidade de líquido perdido. O que mais dificulta ter certeza sobre o rompimento da bolsa é a quantidade variável de líquido que é eliminada. Algumas mulheres perdem de uma só vez uma grande quantidade de líquido, enquanto outras apenas o eliminam em pequenas gotas. Se o líquido amniótico é eliminado em grande quantidade, pode não haver dúvidas, mas se ele sai em pequenas quantidades pode ser confundido com urina ou outras secreções vaginais.

Em se tratando de líquido amniótico, a eliminação em geral não se repete, o que pode acontecer nos demais casos. Em todos os casos, a sensação da mulher é a de “fazer xixi na calça”, sem possibilidade de conseguir segurar. A observação da saída de líquido amniótico pelo orifício do colo do útero é uma indicação absoluta do rompimento da bolsa amniótica. Uma ultrassonografia que indique diminuição do líquido amniótico é um método auxiliar importante, mas não definitivo, uma vez que existem outras causas para a diminuição da quantidade de líquido amniótico.

Quando a bolsa se rompe, o líquido amniótico não é eliminado em sua totalidade e a saída do corpo do bebê costuma ser acompanhada de uma nova eliminação de grande quantidade de líquido. A perda do líquido amniótico na maioria das vezes é indolor, ele é transparente e não tem cheiro ou tem um leve cheiro de água sanitária, o que ajuda a diferenciá-lo da urina e das secreções vaginais. Se com o líquido sair alguma coloração amarelada ou sanguinolenta, isto é normal. Se houver alguma secreção escura ou esverdeada, isso pode significar um descolamento da placenta ou algum problema com o feto.

E depois do rompimento da bolsa amniótica?

Com a saída do líquido amniótico a cabeça do bebê é puxada para baixo e fica numa posição mais propícia para o nascimento. Mesmo depois do rompimento da bolsa, o líquido continua sendo produzido normalmente pela placenta, até o nascimento do bebê. Se a bolsa estourou, não entre em desespero, pois é esperado que isso aconteça ao final da gravidez. Use uma toalha ou absorvente e vá para a maternidade. Depois do rompimento, o parto normalmente vai ocorrer dentro de 48 horas. Nos hospitais ou maternidades costuma acontecer que a bolsa amniótica seja perfurada artificialmente, se ela não rompeu espontaneamente, como meio de fazer o trabalho do parto progredir mais rapidamente, mas isso não deve ser feito de maneira rotineira, devendo ser reservado para situações especiais.

Em algumas poucas ocasiões pode acontecer que a bolsa amniótica não se rompa e o bebê nasça ainda envolto por ela (“empelicado”) e a crendice popular considera isso um sinal de sorte. Se a bolsa se romper prematuramente, a consequência pode ser a prematuridade. Outra complicação possível é o risco de infecção fetal e/ou materna e por isso podem ser preventivamente receitados antibióticos, para evitar as infecções causadas por bactérias. Pode ocorrer também o prolapso do cordão umbilical, que é quando o cordão sai pela vagina antes de o bebê emergir.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Comentários