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Antígenos e anticorpos - o que são?

Friday, April 16, 2021
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Antígenos e anticorpos - o que são?

O que são antígenos e anticorpos?

Um antígeno é uma molécula ou estrutura molecular estranha ao organismo que, uma vez introduzida no corpo, desencadeia uma resposta imunológica. Os antígenos são proteínas, peptídeos (cadeias de aminoácidos) ou polissacarídeos (cadeias de monossacarídeos) encontrados nos envoltórios de vírus, bactérias, fungos, protozoários e vermes parasitas. Lipídeos e ácidos nucleicos só se tornam antígenos quando combinados com proteínas e polissacarídeos. Um antígeno pode se originar de dentro do próprio corpo ou vir do ambiente externo.

Anticorpos são as substâncias (glicoproteínas conhecidas como imunoglobulinas [Ig]) produzidas pelo sistema imunológico da pessoa em resposta à presença de um antígeno. Essas proteínas apresentam a capacidade de interagir especificamente com o antígeno que desencadeou sua formação, neutralizando os efeitos dele. Assim, os anticorpos são "direcionados" em sua especificidade pelos antígenos. De um modo geral, cada anticorpo é produzido para combater um determinado antígeno, mas alguns anticorpos podem apresentar reação cruzada e se ligar a mais de um antígeno. O sistema imunológico identifica e ataca antígenos externos e geralmente não reage a proteínas internas.

Veja sobre "Microbioma intestinal humano" e "Infecções oportunistas".

Como funciona o mecanismo imunológico antígenos-anticorpos?

O funcionamento do sistema imunológico baseia-se nas relações antígeno e anticorpo. Ele responde ao antígeno produzindo uma substância chamada de anticorpo, que é específica para aquele antígeno. O anticorpo tem a função de eliminar os efeitos do antígeno. Cada anticorpo produzido é capaz de reconhecer e ligar-se especificamente ao antígeno que lhe deu origem, impedindo, assim, a ação dele.

Os antígenos podem ser:

  1. Antígenos exógenos, que entraram no corpo vindos de fora, por inalação, ingestão ou injeção, por exemplo. A resposta do sistema imunológico aos antígenos exógenos é frequentemente subclínica. Alguns antígenos começam como exógenos e depois se tornam endógenos (por exemplo, os vírus intracelulares).
  2. Antígenos endógenos, gerados dentro das células normais do organismo como resultado do metabolismo celular normal ou por causa de infecção viral ou bacteriana intracelular.
  3. Autoantígenos, que geralmente é uma proteína própria ou complexo de proteínas e que é reconhecida pelo sistema imunológico como estranha em pacientes que sofrem de uma doença autoimune específica. Em condições normais, essas proteínas próprias não deveriam ser alvo do sistema imunológico, mas, em doenças autoimunes, elas atacam o organismo.
  4. Neoantígenos, que são aqueles que estão totalmente ausentes do genoma humano normal.
  5. Antígenos virais, comuns em tumores associados a vírus, como câncer cervical e um subconjunto de cânceres de cabeça e pescoço, por exemplo.
  6. Antígenos tumorais, encontrados especificamente em células tumorais.

Os autoantígenos são proteínas celulares normais ou um complexo delas que são atacadas equivocadamente pelo sistema imunitário, conduzindo às doenças autoimunes. Uma proteína normal do organismo transforma-se em um autoantígeno devido à tolerância imunológica danificada, que pode ser causada por fatores genéticos ou ambientais.

Os antígenos de um tumor são produzidos devido às mutações específicas que ocorrem durante a transformação neoplástica de células normais em células cancerígenas. Estes antígenos são expressos na superfície da célula cancerosa e daí são reconhecidos pelo sistema imune. Contudo, apesar de expressar os antígenos na sua superfície, a maioria das células tem a capacidade de escapar da eliminação pelo sistema imune.

Soros e vacinas

Existem várias tecnologias para a produção de vacinas, mas em geral elas introduzem intencionalmente no organismo uma derivação não patógena do agente causador da infecção, ou o próprio agente morto ou em formas atenuadas, de modo que o organismo produza anticorpos que atuem contra os agentes infecciosos. As vacinas, são, pois, preventivas, e visam produzir anticorpos ANTES que a pessoa tenha sido exposta ao agente patógeno. A vacina para o vírus da gripe sazonal é um exemplo comum.

Os soros, por outro lado, são empregados como tratamento, DEPOIS que a pessoa já adquiriu o antígeno. No caso das vacinas, a imunização é ativa e duradoura; no caso dos soros, em que são injetados anticorpos já prontos, é passiva e o combate ao antígeno é temporário. O soro contra a picada de cobra é um bom exemplo. A pessoa deve tomar o soro contendo anticorpos específicos depois que cobra tenha inoculado seu veneno (antígeno). O soro é, pois, uma forma de cura.

Leia também sobre "Vacinas - como funcionam e quais são os prós e contras", "Bactérias do bem" e "Probióticos e Prebióticos".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da UNICAMP – Faculdade de Ciências Médicas e da Science Direct.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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