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Intolerância à lactose: o que é? Quais são os sintomas? Como são o diagnóstico e o tratamento? Como é a evolução? Existe prevenção?

Monday, September 23, 2013
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Intolerância à lactose: o que é? Quais são os sintomas? Como são o diagnóstico e o tratamento? Como é a evolução? Existe prevenção?

 

O que é a lactose?

A lactose é um dissacarídeo presente no leite e seus derivados, formado por dois carboidratos menores, a glicose e a galactose e que deve ser adequadamente digerida para ser absorvida. O leite humano contém de 6 a 8% dessa substância e o leite de vaca de 4 a 6%.

O que é a intolerância à lactose?

Na maioria dos mamíferos a digestão da lactose (hidrólise) depende da enzima lactase, que é sintetizada pelo intestino durante o período de amamentação e que ajuda no processo de digestão e absorção do leite. Se faltar a lactase, a lactose não pode ser digerida, originando sintomas. Essa deficiência afeta até 15% das pessoas de descendência europeia, até 80% dos latinos e afro-descendentes e até 100% dos índios americanos e asiáticos. Essa crucial ausência de lactase pode existir desde a infância ou começar mais tarde, em razão de determinadas enfermidades. Acredita-se que os antigos neandertais não tinham a capacidade de processar a lactose e que essa capacidade se desenvolveu por mutação após a domesticação do gado, sendo ainda falha em alguns indivíduos. Mas há também a possibilidade de falta ou insuficiência de outras enzimas digestivas, porque há três tipos de intolerância à lactose (alergia ao leite), que se devem a processos diversos:

  • Intolerância congênita: provavelmente hereditária, que acontece logo após o nascimento.
  • Intolerância que ocorre depois de diarreias: comuns no primeiro ano de vida. Geralmente manifesta-se após episódio de diarreia infecciosa.
  • Diminuição progressiva da capacidade de digestão da lactose: frequente a partir dos dois anos de idade até a idade adulta.

Crianças maiores e adultos podem não precisar de uma dieta que exclua totalmente a lactose e são capazes de tolerar pequenas quantidades das substâncias. Algumas, por exemplo, são capazes de tolerar alguns derivados do leite, outras não.

As causas principais da intolerância à lactose são: doenças e cirurgias intestinais e quadros de infecções do intestino delgado que podem afetar as células do revestimento do intestino ou uma falta congênita (genética) de lactase. A concentração normal da lactase nas células intestinais é farta no nascimento e decresce com a idade. A lactose não digerida torna-se uma fonte abundante de alimento para a flora intestinal, que então começa a crescer descontroladamente e gerar sintomas.

Quais são os principais sinais e sintomas da intolerância à lactose?

Os bebês prematuros têm intolerância à lactose com maior frequência que aqueles que nascem de gestação a termo. Alguns desses últimos podem também mostrar sinais de intolerância à lactose, mas isso só ocorre após os três anos de idade, pelo menos. Os principais sinais e sintomas da intolerância à lactose são: diarreia (por afetar a osmolaridade do intestino), cólicas e presença de gases intestinais, inchaço na barriga, náuseas e vômitos. Esses sintomas se agravam de trinta minutos a duas horas após a ingestão de produtos lácteos e se aliviam se a ingestão de produtos lácteos for suprimida. Em bebês o transtorno pode ocasionar perda de peso e um crescimento mais lento.

Como o médico diagnostica a intolerância à lactose?

Em primeiro lugar, a intolerância à lactose poder ser sugerida pela história clínica. Ela é parecida com a alergia à proteína, porém, têm causas e sintomas diferentes. A primeira medida para distinguir uma da outra é tomar uma história clínica detalhada. O exame laboratorial utilizado é o teste de tolerância à lactose, que consiste em medir os níveis sanguíneos de glicose após uma dose oral de lactose. A diminuição de sintomas após a abstinência de lactose serve como mais um teste diagnóstico. Outros exames para ajudar a diagnosticar a intolerância à lactose incluem a endoscopia intestinal, o teste do hidrogênio no ar expirado com lactose e o do pH das fezes.

É importante atentar-se para o diagnóstico diferencial porque outros problemas intestinais podem causar sintomas idênticos.

Como o médico trata a intolerância à lactose?

A diminuição ou a remoção de leite ou produtos lácteos da dieta é necessária para reduzir ou abolir os sintomas da intolerância à lactose. No entanto, a ausência de leite na dieta pode levar a deficiências de cálcio, vitamina D, riboflavina e proteínas em geral, que devem ser compensadas ou corrigidas por suplementação. Muitas pessoas toleram pequenas quantidades de leite (55 a 115 gramas - até meia xícara) de uma só vez, sem sintomas. Certos substitutos e derivados do leite parecem ser mais fáceis de digerir, tais como o leite de manteiga e queijos, produtos lácteos fermentados, leite de cabra, sorvetes, milk-shakes, leite e produtos lácteos sem lactose, leite de vaca tratado com lactase, fórmulas de soja, leite de soja ou de arroz.
A enzima lactase, sob a forma de cápsulas ou comprimidos mastigáveis, pode ser adicionada ao leite normal.

Como evolui a intolerância à lactose?

  • É comum que a intolerância à lactose aconteça em adultos e então ela não é perigosa.
  • Em geral, os sintomas da intolerância à lactose desaparecem se os produtos contendo lactose forem removidos da dieta.
  • Em crianças, pode ocorrer perda de peso e desnutrição, como complicações da intolerância à lactose.

Como prevenir a intolerância à lactose?

A única maneira conhecida para prevenir a intolerância à lactose é a abstinência do leite e produtos lácteos.

Algumas dicas para pessoas que sofrem de intolerância à lactose:

  • Leia sempre as informações sobre a composição dos alimentos contidas nas embalagens. A lactose também pode ser encontrada em produtos não lácteos, inclusive cervejas.
  • Esteja atento, porque vários medicamentos contêm lactose nos seus excipientes.
Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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