AbcMed

Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS

segunda-feira, 5 de julho de 2021
Avalie este artigo
Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS

O que é Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS?

Libras é a sigla para Língua Brasileira de Sinais, que é a forma de comunicação e expressão dos surdos no Brasil. A Libras é uma língua gestual-visual, que se exprime através da combinação de sinais com gestos manuais e expressões faciais, mas não é uma simples gestualização da língua portuguesa, e sim uma língua autônoma, à parte.

Libras é estruturada em níveis fonológicos, morfológicos, sintáticos e semânticos e, por isso, é reconhecida pela linguística como uma língua, e não simplesmente como uma linguagem. Para entender-se as diferenças entre língua e linguagem, pensemos numa pessoa que está num país estrangeiro sem saber o idioma local. Ela poderá se fazer entender através de gestos e sinais, mas essa comunicação não é sistematizada, não tem regras permanentes e é individual: é uma linguagem de sinais, não uma língua.

A Libras constitui um sistema linguístico de transmissão de ideias e fatos, para as pessoas surdas do Brasil. Ela não é universal, assim como nenhuma outra língua de sinais; cada país tem a sua própria língua de sinais.

Veja também sobre "Implante coclear", "Aparelho auditivo ancorado no osso" e "Surdez congênita".

Um pouco da história da Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS

Na pré-história, a comunicação era feita usando as mãos. Ainda hoje, mesmo as pessoas que dispõem da fala usam as mãos para tornar mais expressivas as suas comunicações. Aos poucos, a comunicação manual foi substituída pela oralidade e, por causa da predominância da língua oral, os surdos começaram a ser excluídos do convívio humano.

Na Grécia antiga, os surdos eram abertamente marginalizados, pois, para os gregos, sem a fala, não havia linguagem e nem conhecimento. Na Roma antiga, os surdos também eram privados de seus direitos. Na Idade Média, até o século XII, a Igreja Católica considerava que a alma dos surdos não era imortal, pois eles não podiam pronunciar os sacramentos. Foi somente na Idade Moderna que surgiu o primeiro professor de surdos, o monge beneditino Pedro Ponce de León, nascido na Espanha. Outras contribuições vieram de John Bulwer, médico inglês que viveu até 1656. Bulwer é considerado um dos primeiros a defender o uso de sinais gestuais para a criação de uma língua para surdos, embora o grande nome no desenvolvimento de uma língua de surdos foi o do abade e professor francês Charles-Michel de l'Épée. Ele foi o primeiro a criar, em 1755, um alfabeto de sinais para alfabetizar surdos.

O método criado por l'Épée, teve grande importância na consolidação da Libras. O pioneiro na educação de surdos no Brasil foi o professor francês Ernest Huet, que também era surdo, a partir de 1855, tendo vindo para cá a convite do imperador Pedro II. Dois anos depois (1857), foi criado o Imperial Instituto de Surdos-Mudos, a primeira escola voltada para a educação de surdos.

Foi por meio da Língua de Sinais Francesa que se estabeleceram as bases para a formulação de uma língua de sinais própria do Brasil. Em 1911, contudo, o Instituto Nacional de Educação de Surdos, antigo Imperial Instituto de Surdos-Mudos, aceitou a determinação de que o oralismo puro deveria ser a única forma de educação dos surdos no país e a língua de sinais foi, então, marginalizada.

Foi somente no final da década de 1970 que passou a ser utilizado um método mais global, caracterizado pela utilização da língua de sinais, linguagem oral e outros meios que facilitavam a comunicação. Novos avanços aconteceram com a Constituição Brasileira de 1988 e com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de 1996.

No ano 2000, a Libras foi “reconhecida como meio legal de comunicação e expressão de pessoas surdas do Brasil”, embora esse fato só tenha tido efeitos práticos a partir de 2002. Assim, o Brasil tem, atualmente, duas línguas oficiais: o português e a Libras, que é a língua oficial dos surdos.

Principais características da Língua Brasileira de Sinais

A Libras é a língua materna do surdo brasileiro, isto é, a primeira língua com a qual ele tem contato. A Libras está diretamente ligada a movimentos e expressões faciais para ser compreendida pelo receptor da mensagem. Uma frase negativa, por exemplo, será interpretada graças ao movimento da cabeça, e uma pergunta será entendida como questionamento pela expressão facial de dúvida. As expressões faciais são complementos dos sentidos das frases ditas em Libras e, por isso, essa língua pertence à modalidade gestual-visual.

Como foi dito, ao contrário do que muitos acreditam, a Libras não é uma linguagem e sim uma língua, pois possui regras, estruturas, sintaxe, semântica e pragmática próprias bem definidas, e é falada por um povo, inclusive com variações regionais, como acontece com a língua oral natural. As suas estruturas frasais, por exemplo, não obedecem à estrutura da língua portuguesa, e são mais objetivas e flexíveis, mesmo que, em sua maioria, sigam o padrão sujeito-verbo-objeto.

As expressões faciais e corporais transmitem os sentimentos, o que nas línguas orais é transmitido pela entonação da voz. Por exemplo, a frase “Eu vou ao cinema hoje logo mais à noite”, em Libras pode ser transmitida como “Eu-cinema-hoje-noite” ou ainda mais sinteticamente. Na Libras cada palavra possui um sinal próprio e, quando ainda não há um sinal, podemos identificá-la por meio do alfabeto em Libras. Atualmente, está sendo desenvolvido um sistema de caracteres especiais com o objetivo de dotar a língua de sinais de uma estrutura escrita.

Com a evolução da tecnologia, no entanto, é importante lembrar que muitos bebês que nasceram surdos e muitas pessoas que perderam a audição mais tarde podem voltar a ouvir através, por exemplo, de um implante coclear. E algumas pessoas adaptadas à língua de sinais deixam de recorrer a esses recursos.

Leia sobre "A vergonha e a deficiência auditiva", "Remédios que podem levar à perda auditiva" e "Novas perspectivas no tratamento da surdez neurossensorial".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da USP – Universidade de São Paulo e da Câmara Municipal de São Paulo.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Comentários