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Prefixos e sufixos em Medicina

sexta-feira, 15 de março de 2024
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Prefixos e sufixos em Medicina

O que são prefixos e sufixos em Medicina?

São mais de 13.000 os termos novos que um médico ou estudante de medicina precisa conhecer para manejar a sua ciência. Este número é maior do que o contido no léxico de muitas línguas e seria impossível memorizar tudo se não fosse pela criação de uma linguagem especial. É com o intuito de facilitar a tarefa de memorizar esses termos que foi criada uma linguagem médica específica. Ela pode parecer difícil de compreender para o leigo, mas é essencial para os que atuam nas profissões médicas e paramédicas.

Essa linguagem é constituída por radicais gregos ou latinos que nomeiam órgãos, funções ou procedimentos, aos quais se acrescentam prefixos e/ou sufixos e desinências, também gregos ou latinos.

Prefixos são partículas que se antepõem ao radical, modificando o sentido da palavra. Sufixos são partículas que se pospõem ao radical, para formação de derivados da mesma palavra. Desinência é o elemento final da palavra, indicativa da flexão de gênero, número, modo, tempo, pessoa ou voz (se passiva ou ativa).

A relação que oferecemos abaixo é apenas uma pequena amostra da quase inabarcável lista de prefixos e sufixos gregos e latinos utilizados para compor o vocabulário médico.

Por que usar prefixos e sufixos gregos ou latinos em Medicina?

Esses prefixos e sufixos são destinados a conferir às suas raízes mais especificidade e melhor compreensão, indicando a natureza dos problemas que a afetam, sendo compreensíveis em diversos idiomas e culturas.

Assim, a palavra esplenectomia, por exemplo, que é a retirada do baço, é a mesma em várias línguas, porque ela parte da palavra spléin, que em grego significa baço, e do sufixo ecto, que significa algo que será retirado. E isso apesar de que a palavra baço seja spleen, no inglês; mitz, em alemão; rate, em francês; milza, em italiano; bazo, em espanhol; etc.

Seguindo esse mesmo critério, pode-se falar em disfagia, apendicite, antibióticos, cistoscópio ou paracentese de modo compreensível em vários idiomas.

Quais são os prefixos mais usados em Medicina e o que significam?

São quase incontáveis os prefixos gregos ou latinos usados em Medicina para especificar o sentido das palavras, mas entre os principais contam-se os seguintes.

  • A-: indica ausência ou negação. Exemplos: apneia, ausência de respiração; acromia, ausência de cor; atrofia, ausência de trofismo; atóxico, não tóxico.
  • Anti-: indica oposição ou prevenção, como em antiviral, que combate o vírus; anti-inflamatório, que diminui a inflamação; antibióticos, que impedem os seres de viver.
  • Auto-: indica relacionamento consigo mesmo, como em autoimune, relacionado ao próprio sistema imunológico; autoexame, um exame do próprio corpo.
  • Bi-: significa dois ou duplicado. Exemplos: binocular, que se refere à visão com ambos os olhos; bilateral, que se refere aos dois lados ou dois órgãos do corpo.
  • Bio-: indica relacionamento com a vida, como em biologia, estudo da vida; bioética, estudo ético relacionado à vida; biotério, viveiro para conservar animais vivos para experiências médicas futuras.
  • Bradi-: significa abaixo do comum, mais lento que o usual. Exemplos: bradipneia, ritmo diminuído das incursões respiratórias; bradipsiquismo, ritmos psíquicos lentificados.
  • Dia-: significa através de, por meio de. Exemplos: diagnóstico, por meio da gnose; diálise, por meio da lise (destruição).
  • Dis-: significa transtorno ou dificuldade de executar uma função. Exemplos: disfagia, dificuldade de engolir; dispneia, dificuldade de respirar; dislalia, dificuldade de falar.
  • Ecto-: significa externo ou fora de. Exemplos: ectoplasma, fora do plasma celular; ectoparasita, parasitas que infestam a parte externa do corpo (carrapatos, pulgas, ácaros, etc.).
  • Endo-: significa dentro de, interno. Exemplos: endocardite, inflamação da camada interna do coração; endoscopia, visão do interior do corpo ou de um órgão.
  • Epi-: significa acima de. Exemplos: epidural, acima da dura máter (uma das camadas que envolvem o cérebro); epiderme, acima da derme (a camada média da pele).
  • Eu-: indica que algo está bom ou bem. Exemplos: eutrófico, algo com um trofismo normal; eupneia, respiração normal.
  • Exo-: aquilo que está projetado para fora. Exemplos: exoftalmia, olho projetado para fora da órbita; exocitose, posto para fora da célula.
  • Hemi-: indica metade. Exemplos: hemiparético, paralisado em apenas uma das metades do corpo; hemicrania, que afeta apenas uma das metades laterais do crânio.
  • Hemo-: indica uma relação com o sangue, como em hemofilia, doença que afeta a coagulação do sangue; hematoma, acúmulo de sangue fora dos vasos sanguíneos.
  • Histo-: indica uma relação com tecidos orgânicos. Exemplos: histologia, que indica estudo dos tecidos orgânicos; histoquímica, que estuda as reações químicas dos tecidos.
  • Hiper-: indica aumento. Exemplos: hiperglicemia, índices elevados de açúcar no sangue; hipertricose, excesso de pelos no corpo.
  • Hipo-: indica diminuição. Exemplos: hipotireoidismo, diminuição do funcionamento da glândula tireoide; hipocromia, diminuição da coloração da pele.
  • Meta-: indica mudança. Exemplos: metacarpo, modificação do carpo; metamorfose, modificação da forma.
  • Neo-: indica algo novo. Exemplos: neoplasia, nova plasia das células; neonato, aquele que acabou de nascer.
  • Neuro-: indica relacionamento com o sistema nervoso, como em neurocirurgia, cirurgia do sistema nervoso; neuropatia, doença dos nervos.
  • Oligo-: indica diminuição. Exemplos: oligúria, diminuição da urina; oligospermia, diminuição da produção de espermatozoides.
  • Orto-: indica algo normal ou correto. Exemplos: ortopedia, pisar normal; ortomolecular, estado de normalidade celular.
  • Pan-: significa todos os elementos de uma série ou totalidade: Exemplos: pancitopenia, algo que afeta todas as células; pancolite, uma inflamação que afeta a totalidade do cólon.
  • Para-: significa perto de, ou ao lado de. Exemplos: paratireoide, glândulas ao lado da glândula tireoide; paramédicos, ao lado dos médicos.
  • Peri-: significa perto de, em torno de. Exemplos: perimenopausa, logo antes da menopausa; pericardite, inflamação da membrana que envolve o coração; perioperatório, quadro clínico que surge logo depois de uma operação.
  • Poli-: indica muito. Exemplo: poliúria, muita urina; polidipsia, muita sede.
  • Pro-: significa anterioridade, antecedência. Exemplos: proglote, região da laringe anterior à glote; prognóstico, conhecimento antecipado da evolução do quadro clínico.
  • Taqui-: significa acelerado. Exemplos: taquipneia, respiração acelerada; taquipsíquico, psiquismo acelerado.

Quais são os sufixos mais usados em Medicina e o que significam?

Da mesma forma que os prefixos, existem muitos sufixos utilizados em Medicina que são adicionados ao final da palavra para especificar o significado delas e uniformizá-las em várias línguas. Assim, embora o termo coração seja heart em inglês, cuore, em italiano, couer em francês, hart em holandês, o termo endocardite é o mesmo em todos esses idiomas.

Alguns exemplos comuns de sufixos em Medicina incluem os seguintes.

  • -algia: indica dor. Exemplos: neuralgia, dor nervosa; cefalalgia, dor de cabeça.
  • -ase: indica uma enzima que age sob a respectiva substância. Exemplos: amilase, enzima que atua sobre o amido; lipase, enzima que atua sobre as gorduras.
  • -cele: significa inchaço ou hérnia. Exemplo: hidrocele, acúmulo anormal de fluido no interior da bolsa que contém os testículos; onfalocele, alteração congênita em que ocorre a presença de órgãos fora da cavidade abdominal.
  • -iase: doença causada por um parasita ou bactéria. Exemplos: amebíase, doença causada pela ameba; hanseníase (também denominada lepra), doença causada pelo bacilo Mycobacterium leprae.
  • -ite: indica inflamação, como em bronquite, inflamação dos brônquios; ou em gastrite, inflamação do estômago.
  • -oide: significa semelhante a algo. Exemplos: esquizoide, semelhante à esquizofrenia; cefaloide, semelhante à cabeça; opioide, semelhante ao ópio.
  • -oma: indica um tumor ou massa anormal. Exemplos: carcinoma, tumor da pele; adenoma, tumor de uma glândula; timoma, tumor do timo.
  • -ose: indica uma condição mórbida. Exemplos: osteoporose, em que os ossos ficam rarefeitos em sua estrutura; virose, doença causada por vírus; nefrose, doença não inflamatória dos rins; artrose, doença não inflamatória das articulações.
  • -scopia: indica examinar visualmente com um instrumento. Exemplos: colonoscopia, exame do cólon com um instrumento chamado colonoscópio; laparoscopia, exame através da parede do abdome com um instrumento chamado laparoscópio.

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites do MSD Manuals e da UNIVATES - Universidade do Vale do Taquari.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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