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Síndrome das pernas inquietas: como é?

Tuesday, September 10, 2013
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Síndrome das pernas inquietas: como é?

O que é a síndrome das pernas inquietas?

A síndrome das pernas inquietas é uma condição neurológica crônica do sono, durante a qual o indivíduo sofre uma compulsão involuntária de movimentar as pernas. Embora o distúrbio aconteça principalmente enquanto a pessoa dorme e chega a ser tão intenso que pode prejudicar o sono, pode ocorrer também durante o dia, em situações de relaxamento (ler, assistir televisão, ir ao cinema, voar etc.). Em casos mais graves pode comprometer também os braços. Acontece mais frequentemente com mulheres grávidas e pessoas acima dos 50 anos, embora possa acontecer em qualquer faixa etária, inclusive em crianças.

Quais são as causas da síndrome das pernas inquietas?

As causas da síndrome das pernas inquietas não são bem conhecidas. Possivelmente haja um componente genético (autossômico dominante), mas hoje se sabe que há também um distúrbio nos neurônios que utilizam a dopamina como transmissor de impulsos. A doença parece estar relacionada com o ferro, que é um pró-fármaco da dopamina. Outros fatores relacionados com a doença são: varizes, deficiência de folato ou magnésio, fibromialgia, apneia de sono, uremia, diabetes, doenças da tireoide, neuropatias, doença de Parkinson, desordens autoimunes, doença celíaca e artrite reumatoide. Também o uso de certos medicamentos ou a abstinência deles pode causar a síndrome, bem como determinadas cirurgias, sobretudo as que afetam as costas. Alguns pesquisadores associam a síndrome das pernas inquietas aos transtornos de déficit da atenção. A cafeína e o fumo parecem piorar a condição.

Quais são os principais sinais e sintomas da síndrome das pernas inquietas?

O principal sintoma da síndrome das pernas inquietas é uma vontade incontrolável e irresistível de movimentar as pernas, tão logo tenha se completado o movimento anterior. Ela é mais intensa nos momentos iniciais do sono, mas pode acontecer mais tarde durante o sono, acordando o indivíduo. A pessoa sente uma sensação estranha nos membros inferiores que descreve com palavras pouco precisas como “incômodo”, “pressão”, “alfinetadas”, “coceiras”, “impulsos elétricos”, “formigamento”, “arrepios”, “pontadas”, etc. e que se aliviam de forma imediata, mas passageira, com o movimento das pernas. Embora tipicamente aconteça durante a noite, pode ocorrer também durante o dia, enquanto o indivíduo está em atividades relaxadas. O caminhar, o andar de bicicleta ou o dirigir aliviam os sintomas. Esses movimentos às vezes podem passar despercebidos pelo próprio indivíduo, mas serem perceptíveis para quem os observa. Em alguns casos trata-se de uma doença progressiva, enquanto que para outros os sintomas podem desaparecer espontaneamente.

Como o médico diagnostica a síndrome das pernas inquietas?

O diagnóstico da síndrome das pernas inquietas é eminentemente clínico, baseado na descrição dos sintomas, mas pode ser confirmado pela polissonografia, um exame em que o paciente dorme no laboratório, ligado a vários aparelhos que medem seus desempenhos fisiológicos. A polissonografia, além disso, pode ajudar a afastar outras doenças do sono. A dosagem do ferro sérico pode contribuir para o diagnóstico. Um teste físico pode ser realizado com o paciente mantido imóvel, com as pernas em hiperextensão, o qual tende a gerar sensações parestésicas e movimentos periódicos de membros em quase todos dos pacientes com a síndrome das pernas inquietas, fazendo-se o registro eletroneuromiográfico do músculo tibial anterior.

O distúrbio deve ser diferençado de certos movimentos rítmicos e repetitivos que aparecem quando a pessoa está distraída ou tensa (balançar as pernas, tamborilar os dedos, etc.), que nada tem a ver com a síndrome das pernas inquietas.

São critérios obrigatórios para diagnosticar a condição:

  • Desejo irresistível de movimentar as pernas.
  • Inquietude motora que tem como objetivo aliviar sensações parestésicas ou disestésicas nas pernas.
  • Piora quando em repouso relaxado, no fim do dia ou à noite.

Como o médico trata a síndrome das pernas inquietas?

O tratamento da síndrome das pernas inquietas tem por objetivo aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida das pessoas, uma vez que em virtude de dormirem mal podem mostrar-se irritadiças, sonolentas e pouco produtivas. Ele inclui:

  • Uso de suplemento de ferro e de vitamina B12.
  • Uma boa higiene do sono, que significa encontrar o melhor horário para dormir e para acordar e manter o mesmo número de horas de sono todos os dias.
  • Exercícios físicos moderados diários.
  • Abster-se de todos os produtos que contenham cafeína (café, chás, refrigerantes, chocolate, etc.), bebidas alcoólicas e fumo ajuda no tratamento.
  • Alguns medicamentos podem ser utilizados, como os agonistas dopaminérgicos, os sedativos, os anticonvulsivantes e as medicações para dor, mas todos são de pequena eficácia.
Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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