O pé equino e as suas características

O que é pé equino?
O pé equino é uma malformação no pé que compromete a flexibilidade na região dos tornozelos, dificultando a realização de movimentos, principalmente para caminhar. A flexão para cima da articulação do tornozelo é limitada, ou seja, alguém com pé equino não possui a flexibilidade necessária para trazer a parte superior do pé em direção à parte da frente da perna.
Existem dois tipos de pé equino: (1) pé equino espástico e (2) pé equino flácido. No caso de paralisia com espasticidade há uma deformidade não redutível resultando em varismo (ângulo aberto formado para dentro) e supinação do pé. No pé equino flácido, os sintomas estão associados à perda de mobilidade e sensibilidade, mas é um pé equino facilmente redutível.
Quais são as causas do pé equino?
Geralmente o pé equino é o resultado de uma contratura dos músculos da panturrilha (sóleo e gastrocnêmico) ou então da tensão no tendão de Aquiles. Essas condições podem ser congênitas, sendo transmitidas dos pais para os filhos (hereditárias) e estando presentes no indivíduo desde seu nascimento, ou podem ser adquiridas, devido a um acidente ou por manter o pé durante muito tempo imobilizado em determinada posição, como acontece, por exemplo, com o uso de sapatos com salto alto.
A diabetes também pode ocasionar o pé equino, ao afetar e encurtar as fibras do tendão de Aquiles. Além desses fatores, o pé equino pode ser causado por algum osso que esteja impedindo a movimentação do tornozelo. Casos nos quais a pessoa tem uma perna mais curta que a outra também podem levar a essa condição. Menos frequentemente, quaisquer transtornos que provoquem espasmos na panturrilha podem ocasionar essa anomalia.
Leia também sobre "Pé torto congênito", "Torcicolo congênito" e "Pé chato ou pé plano".
Qual é o substrato fisiopatológico do pé equino?
Algumas pessoas sentem grande dificuldade para elevar a ponta do pé em direção à perna. Esse problema pode se manifestar em somente um dos pés ou nos dois. No segundo caso, o problema raramente é simétrico e costuma ser mais expressivo em um pé que no outro. A pessoa pisa apenas com a ponta dos pés e eles assumem uma posição semelhante a que têm quando a pessoa usa salto alto. Isso é chamado de pé equino, por se assemelhar à pisadura do cavalo. Tecnicamente, essa condição se deve à dificuldade de realizar o movimento de dorsiflexão, ou seja, à capacidade de fletir o pé para a parte da frente da perna.
Quais são as características clínicas do pé equino?
O pé equino é uma anomalia que pode ocorrer em um ou ambos os pés, mas quando envolve os dois pés a limitação do movimento é, por vezes, pior em um deles do que no outro. A condição impede que a pessoa se movimente com liberdade e acarreta outras condições dolorosas e incômodas. Pessoas com pé equino podem apresentar também:
- pé plano;
- joanete;
- dedos em garra;
- úlceras de pressão;
- calo na sola dos pés;
- cãibra na panturrilha;
- dor no calcanhar, no tornozelo, nas pernas ou na sola dos pés;
- quadros inflamatórios no tendão de Aquiles;
- e artrite na área central do pé.
A flexibilidade limitada nessa região afeta a locomoção, causando uma dificuldade para caminhar e articular o tornozelo. Como esse problema pode se manifestar em apenas um dos pés ou de modo diferente em cada um deles, o problema costuma causar problemas de equilíbrio.
Em ambos os casos, a pessoa procura compensar seus movimentos e as formas mais comuns dessa tentativa são:
- colocar maior carga de peso no pé com maior mobilidade;
- colocar a carga de peso no calcanhar e na região posterior do pé;
- andar na ponta do pé;
- ou articular de forma anormal o joelho ou o quadril.
Como o médico diagnostica o pé equino?
O diagnóstico do pé equino é eminentemente clínico. Para diagnosticar o pé equino, o médico deverá avaliar a amplitude de movimento do tornozelo quando o joelho é fletido, bem como estendido. Isto permite identificar se o tendão ou músculo está ou não encurtado e avaliar os ossos implicados no movimento do tornozelo. A pesquisa das causas envolverá exames especializados, conforme a suspeita levantada.
Como o médico trata o pé equino?
O pé equino pode ser tratado com procedimentos cirúrgicos ou não cirúrgicos, dependendo de cada caso, da sua gravidade e das suas causas, visando minimizar as limitações e aliviar os problemas associados a complicações. O especialista pode indicar:
- fisioterapia para minimizar a rigidez muscular e alongar os músculos;
- aparelhos ortopédicos, como palmilhas ou dispositivos personalizados para ajudar a manter o equilíbrio de peso;
- órtese noturna, que é um dispositivo utilizado durante a noite para minimizar a tensão na panturrilha;
- elevador de calcanhar, utilizado dentro do sapato para reduzir a tensão no tendão de Aquiles;
- e saltos moderados, que cumprem a mesma função do elevador de calcanhar.
A cirurgia é indicada quando há ossos impedindo o movimento ou quando há encurtamento do tendão.
O tratamento inclui também estratégias destinadas a aliviar os sintomas e as condições associadas com o pé equino, através de diversas opções que devem complementar a fisioterapia. No caso de paralisia flácida será necessária uma tala com flexão dorsal ativa durante a marcha, especialmente na fase de início de marcha, ou uma tala postural para pacientes que estejam acamados por longos períodos para evitar atitudes posturais indesejadas. Na paralisia espástica, o importante é evitar deformidades posturais não redutíveis, com talas posturais passivas e com um sistema de regulação postural ao mesmo tempo com correção progressiva.
Quais são as complicações possíveis com o pé equino?
Dependendo de como um paciente compensa o seu problema, pode desenvolver uma variedade de complicações, incluindo:
- fasciíte plantar ou esporão (dor no calcanhar);
- câimbras na panturrilha;
- inflamação no tendão de Aquiles (tendinite);
- dor e/ou calos na sola do pé;
- pé plano;
- artrite da área central do pé;
- úlceras de pressão;
- joanetes;
- dedos em garra;
- e dores no tornozelo e nas pernas.
Veja sobre "Osteomielite", "Artrite", "Artrose" e "Poliomielite".
Referências:
As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente do site da Biblioteca Virtual em Saúde.
