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Ceratose seborreica

Monday, April 17, 2023
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Ceratose seborreica

O que é ceratose seborreica?

A ceratose seborreica é um crescimento não canceroso da pele que aparece como uma protuberância serosa ou como umas crostas na superfície da pele. São lesões superficiais, frequentemente pigmentadas, de forma verrucosa, mas que podem também ocorrer como pápulas planas.

A ceratose seborreica é uma condição de pele muito comum, especialmente em adultos acima dos 50 anos, mas pode ocorrer também em pessoas mais jovens. Sua prevalência aumenta com a idade e com a exposição ao sol. A condição não é causada por vírus ou bactéria, não é contagiosa e é inofensiva.

Quais são as causas da ceratose seborreica?

A causa precisa da ceratose seborreica é desconhecida, no entanto, acredita-se que esteja relacionada a fatores genéticos. Os fatores de risco também não estão bem definidos, mas é possível haver relação entre a exposição aos raios ultravioletas e o surgimento das lesões. Quanto ao aventado envolvimento do Papiloma Vírus Humano, ainda não há estudos suficientes que possam confirmar essa relação.

Qual é o substrato fisiopatológico da ceratose seborreica?

A ceratose seborreica é uma alteração dos tecidos epitelial e conjuntivo que formam a pele. É o resultado do efeito cumulativo da radiação ultravioleta do sol sobre a pele durante longos períodos, causando uma hipertrofia da camada córnea da epiderme.

A ceratose seborreica é devida à expansão clonal de células dérmicas com mutação somática e não a uma hiperplasia epidérmica. Esta expansão, ao contrário dos tumores malignos, é geneticamente estável. Esta ausência de potencial maligno possivelmente é devida, entre outras coisas, à ausência de mutações do gene supressor tumoral.

Veja também sobre "Dermatite seborreica", "Adenocarcinoma" e "O laser tratando lesões de pele".

Quais são as características clínicas da ceratose seborreica?

As ceratoses seborreicas são tumores benignos da pele que ocorrem como lesões únicas ou múltiplas, geralmente aparecendo no rosto, tórax, ombros e costas, mas que podem ocorrer também em qualquer outra parte do corpo. Não há predileção por sexo, acometendo igualmente homens e mulheres. Elas têm a aparência de placas ou pápulas "coladas na pele", bem-circunscritas e podem se parecer com verrugas. Tipicamente são de cor marrom, preta ou cinza e podem ser redondas ou ovais. Os crescimentos podem ser planos ou elevados e ter uma superfície áspera ou escamosa.

Embora a ceratose seborreica seja geralmente inofensiva, às vezes pode ser confundida com câncer de pele. As lesões são assintomáticas e não excedem 1 centímetro de diâmetro, mas podem ficar irritadas e inflamadas espontaneamente ou em decorrência da fricção das roupas.

Se o paciente notar um novo crescimento em sua pele ou se tiver um crescimento que mude de tamanho, forma ou cor, é importante que seja examinado por um dermatologista, o qual poderá determinar se o crescimento é apenas de ceratose seborreica ou se são necessários mais exames.

O aparecimento súbito de múltiplas lesões de ceratose seborreica pode ser um sinal de malignidade interna como parte de uma síndrome paraneoplásica. Em 20% dos casos, este sinal está associado à acantose nigricans e, nestas condições, o caráter paraneoplásico é mais significativo, havendo relação com adenocarcinomas gástricos, carcinomas de mama, adenocarcinoma de cólon e linfomas. Este sinal seria consequência da secreção de fatores de crescimento epitelial pelo tumor.

A ceratose seborreica tem três variantes clínicas principais:

  1. Estucoceratose, que é uma lesão verrucosa, branca ou branca-acinzentada, com localização quase exclusivamente nos membros inferiores e em regiões expostas ao sol.
  2. Dermatose papulosa nigra, que tem origem na adolescência e pode aumentar em número e em tamanho com a idade. As lesões são milimétricas (1 a 5 mm), planas como verrugas planas ou discretamente vegetantes, de tonalidade negra e acometem principalmente a face, pescoço, região axilar, tórax, parte superior das costas e membros superiores.
  3. Síndrome de Leser-Trélat, que é paraneoplásica e caracterizada pelo aparecimento súbito de múltiplas ceratoses seborreicas, especialmente no tronco e no dorso. Esse sinal costuma estar associado a grande número de tumores de órgãos internos, como pulmão, esôfago e nasofaringe.

Como o médico diagnostica a ceratose seborreica?

O diagnóstico da ceratose seborreica é feito de forma clínica pela dermatoscopia, com a observação das características da lesão, que são:

  • coloração de castanha a negra;
  • lesão semelhante a uma verruga de pele, mas com um aspecto mais mole;
  • formato oval ou circular e com bordas bem definidas;
  • tamanho variado, de alguns milímetros até 2,5 centímetros de diâmetro;
  • planas ou elevadas.

Em caso de haver dúvidas quanto à natureza da lesão, o médico pode desejar que ela seja analisada ao microscópio, por meio de uma biópsia.

Como o médico trata a ceratose seborreica?

Por ser uma lesão benigna e geralmente assintomática, a ceratose seborreica não requer tratamento e, na maioria dos casos, as lesões são retiradas apenas por razões estéticas. Existem métodos de remoção rápida das lesões, como:

  1. Cauterização química, que consiste na aplicação de ácidos nas lesões, provocando a destruição dos tecidos das mesmas. A cauterização é indicada para lesões benignas, pré-malignas e verrugas virais. Durante as duas semanas seguintes ao procedimento, a pele ficará esbranquiçada ou amarelada, mas cicatrizará sem deixar marcas.
  2. Crioterapia com nitrogênio líquido, que utiliza o frio como método terapêutico, levando à destruição das lesões.
  3. Eletrocoagulação, em que as lesões são destruídas com o uso de um bisturi de alta frequência.
  4. Curetagem, que é a raspagem das lesões com um instrumento chamado cureta. Nesse método, o médico aplicará um anestésico na região, para que o paciente não sinta dores durante o procedimento.

Como evolui a ceratose seborreica?

Raramente as ceratoses seborreicas têm remissão espontânea e mais comumente elas tendem a persistir pelo resto da vida. Elas são lesões benignas, mas podem ser confundidas com tumores malignos de pele ou lesões malignas podem surgir no interior das ceratoses.

Leia sobre "Câncer de pele não-melanoma", "Melanoma", "Pintas na pele" e "Lesões pré-cancerosas da pele".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da SBD – Sociedade Brasileira de Dermatologia, do MSD Manuals e da Rede D’or São Luiz.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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