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Luz pulsada em Dermatologia

Thursday, February 9, 2023
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Luz pulsada em Dermatologia

O que é luz pulsada?

A luz pulsada é um feixe de luz com característica policromática (possui várias cores) que tem vários comprimentos de onda, que variam de 400 nm (nanômetros) a 1200 nm. Essa luz, que é produzida através da energia elétrica, passa por uma câmara contendo gás xenônio e é liberada através de um bloco de quartzo ou safira que a decompõe de branca em suas cores componentes. Como essa luz é policromática, utilizam-se filtros de corte, os quais fazem com que a faixa de luz fique mais restrita e mais específica.

Como um dispositivo médico, a luz pulsada foi lançada em 1994. Desde então, tem havido constantes melhorias para facilitar o seu manuseio, ampliar seu espectro de indicações e diminuir os seus efeitos adversos.

Qual é a utilização da luz pulsada em dermatologia?

A luz pulsada é um recurso muito utilizado em tratamentos estéticos, nos quais ela tem grande versatilidade e eficácia. A princípio, ela foi utilizada apenas para realizar uma depilação duradoura, mas com o tempo se notou que ela produz resultados satisfatórios em outros tratamentos dermatológicos.

Desde então, ela se tornou um dos recursos mais utilizados e mais desejados no âmbito da estética, sendo utilizada tanto para tratar manchas e marcas de envelhecimento, quanto para atuar sobre a melanina e ajudar na recuperação da cor uniforme do rosto. Ela também aumenta a produção do colágeno, melhorando a textura e elasticidade da pele, tornando-a mais jovem e mais viçosa.

A luz pulsada possui semelhanças e diferenças com o laser. Ambos são baseados no princípio da fototermólise, ou seja, visam destruir o seu alvo e promover uma depilação duradoura. Ambas as técnicas têm como objetivo a melanina presente no bulbo piloso, mas enquanto a luz pulsada é policromática, o laser é monocromático e, por isso, ele é mais específico em relação ao alvo. Como desvantagem, ele tem o fato de não poder realizar tratamentos em conjunto, enquanto a luz pulsada pode, por exemplo, fazer a fotodepilação e o clareamento da pele ao mesmo tempo.

O feixe de luz do laser é coerente (todas as ondas possuem o mesmo comprimento) e colimado (a luz se concentra em um ponto), enquanto a luz pulsada é não coerente e não colimada. Apesar dessas diferenças, estudos científicos mostram que a eficácia das duas técnicas é equiparável, desde que se saiba programar corretamente os parâmetros de aplicação de cada uma.

Leia também sobre "Síndrome da distorção da imagem corporal", "Envelhecimento saudável" e "Rugas".

Como é feito o tratamento com a luz pulsada?

O tratamento com a luz pulsada é feito por um dermatologista manuseando um aparelho de aplicação. Este aparelho emite um feixe de luz colorida a partir de um prisma que decompõe a luz branca de uma tomada elétrica em suas diversas cores, o que significa dizer, em seus diversos comprimentos de onda.

Mediante filtros, o dermatologista pode selecionar os comprimentos de onda que mais convém usar num caso determinado. Cada aplicação deve obedecer à frequência e ao intervalo indicado para cada situação.

Em aplicações na face, o paciente deve usar óculos escuros especiais para proteger os olhos. O dermatologista quase sempre os usa, qualquer que seja o local em que vá aplicar o tratamento.

Quais são as principais indicações do uso da luz pulsada?

  1. Fotodepilação prolongada: a luz pulsada atinge as moléculas de melanina presentes nos pelos e viaja através da haste deles até os respectivos bulbos, onde produz um grande aumento de temperatura e, consequentemente, os destrói. Esse processo é indolor, as chances de irritação da pele são mínimas e os seus efeitos persistem por mais ou menos um ano.
  2. Rejuvenescimento: além de diminuir as rugas e marcas de expressão, a luz pulsada também suaviza a aparência da pele, estimulando a produção de colágeno e elastina por meio da estimulação do fibroblasto.
  3. Hipercromias e manchas na pele: o alvo é a melanina presente em excesso em todas as hipercromias e manchas da pele. A luz pulsada possui resultados satisfatórios nas manchas e hipercromias mais superficiais, mas não evita a formação de novas manchas.
  4. Acne: o alvo é a porfirina presente na bactéria que causa a acne. O tratamento é demorado e depende de várias seções para se obter um resultado semelhante às medicações tópicas e sistêmicas.
  5. Telangiectasias e rosáceas: o alvo da luz pulsada é a hemoglobina. Ela tem como objetivo aumentar a temperatura dos microvasos e promover a coagulação deles. O resultado dessa técnica pode não se manter por muito tempo e por isso ela deve ser associada a outros procedimentos de melhor manutenção. No que se refere à rosácea, uma condição genética que não tem cura, a luz pulsada pode amenizar as lesões.
  6. Melanoses solares: a luz pulsátil também é indicada para o tratamento de manchas escuras na pele desencadeadas pelo excesso de exposição ao sol. O tratamento clareia a pele e aumenta em até 50% a quantidade de fibras de colágeno e elastina, deixando a pele mais firme e menos flácida. Associações do tratamento devem ocorrer com intervalos de 3 ou 4 semanas e durante ele é recomendado o uso de protetor solar acima de 30 para evitar a exposição solar direta.

Quais são as contraindicações e os possíveis efeitos adversos com a aplicação da luz pulsada em dermatologia?

Há algumas condições em que a luz pulsada não deve ser aplicada, como em casos de:

  • Bronzeamento natural ou artificial, até quatro semanas antes do tratamento.
  • Gestação.
  • Manchas suspeitas e com potencial maligno.
  • Presença de tatuagem ou maquiagem no local de tratamento.
  • Aplicação direcionada aos olhos.
  • Uso de algum dispositivo eletrônico implantado no corpo, tipo marca-passo, por exemplo.
  • Epilepsia fotossensível.
  • Doenças que apresentem fotossensibilidade.
  • Pacientes com déficit de cicatrização, como no diabetes mellitus.
  • Pessoas que usam isotretinoína.

Alguns efeitos adversos da aplicação da luz pulsada em dermatologia podem ser hiperpigmentação, discromias, prurido, queimaduras, eritema ou edema local e púrpura.

Para diminuir a chance de qualquer um desses efeitos indesejáveis, é recomendável que se faça, antes da aplicação, um teste na área a ser posteriormente trabalhada. Este pré-teste consiste em realizar um ou 2 disparos sobre a pele a ser tratada e perceber a reação da pele após 15 minutos e no dia seguinte. Se nada acontecer, a terapia pode ter prosseguimento sem problemas.

Saiba mais sobre "Laser tratando lesões de pele", "Vitiligo" e "Bronzeamento artificial".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente do site da SBD – Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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