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Microagulhamento no tratamento dermatológico

Tuesday, August 29, 2023
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Microagulhamento no tratamento dermatológico

O que é microagulhamento no tratamento dermatológico?

O microagulhamento ou “indução percutânea de colágeno por agulhas”, uma alternativa ao laser, é um procedimento de rejuvenescimento da pele que consiste em micro perfurações da pele com finas e curtas agulhas metálicas.

Qual a fisiologia do procedimento de microagulhamento no tratamento dermatológico?

A técnica funciona de duas maneiras:

  1. Estimulando a produção natural de colágeno em resposta ao processo inflamatório gerado pelas micro perfurações.
  2. Facilitando o acesso transdérmico a ingredientes, conhecido como método “drug delivery”. Ou seja, a técnica facilita a penetração das substâncias terapêuticas aplicadas na pele, pois há um aumento da permeabilidade da pele aos ativos aplicados sobre ela.

O primeiro desses processos resulta em vasodilatação dérmica e migração dos queratinócitos para restauração dos danos epidérmicos e na maturação de um colágeno mais duradouro que persiste por um período que varia de cinco a sete anos.

O segundo cria micro canais para o interior da pele e faz com que os cosméticos ou formulações aplicadas na pele penetrem e atuem com muito mais eficácia e rapidez.

Ao auxiliar no processo de formação do colágeno, o microagulhamento dérmico reconstrói as fibras rompidas, promovendo o preenchimento da pele. Alguns cuidados, no entanto, devem ser tomados na aplicação da técnica. O equipamento, que deve ser autorizado pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), deve ser desengordurado com água e sabonete e esterilizado, e a pele deve ser previamente limpa com álcool 70%.

Leia também sobre "Depilação a laser", "Dermoabrasão", "Luz pulsada" e "Intradermoterapia".

Como é o procedimento de microagulhamento no tratamento dermatológico?

Os pacientes devem preparar a pele com cremes contendo vitamina A e C tópicas e outros antioxidantes, com pelo menos três semanas de antecedência. Para o procedimento, o paciente pode estar sob anestesia tópica, local ou geral, conforme o caso, e não deve estar com a pele bronzeada nem apresentar infecções ou lesões locais.

Nesse tipo de tratamento, a pele recebe múltiplas punções com um dispositivo em forma de tambor, chamado roller (rolo), dotado de um grande número de microagulhas, que é a técnica mais comum, embora também existam canetas elétricas ou “carimbos” com a mesma finalidade.

Esses dispositivos possuem finas agulhas de aço inoxidável ou titânio que penetram na superfície da pele para estimular a produção de colágeno e elastina. O número delas varia de 190 a 450 e o seu comprimento de 0,25 mm a 2,5 mm.

As agulhas de 0,25 mm e 0,5 mm são utilizadas para aplicação de medicamentos em rugas finas e para melhorar o brilho e a textura da pele; as de 1,0 mm e 1,5 mm são usados para flacidez de pele, rugas médias e rejuvenescimento global; as de 2,0 mm e 2,5 mm são utilizadas para cicatrizes distensíveis deprimidas, estrias, cicatrizes onduladas e retráteis.

As agulhas de 0,2 mm a 0,3 mm dispensam o uso de anestesia, enquanto as de 0,5 mm a 2,0 mm necessitam de anestésico tópico, e as de 2,0 mm a 2,5 mm necessitam de anestesia geral.

As agulhas penetram na epiderme, mas não a removem. A aplicação do rolo deve ser por quadrante e feita em quatro direções (vertical, horizontal, diagonal direita e esquerda). O rolo deve ser aplicado dez vezes em cada direção, com cinco movimentos recíprocos em cada uma.

Essa técnica é minimamente invasiva e o procedimento pode ser realizado apenas com creme anestésico. Nas suas aplicações mais radicais, o procedimento é feito com o paciente anestesiado e em ambiente cirúrgico.

Usualmente, a técnica minimamente invasiva oferece resultados após uma sequência de aplicações em intervalos regulares (normalmente mensais), enquanto a técnica cirúrgica, mais agressiva, pode já oferecer resultados visíveis em apenas uma sessão. A recuperação costuma ser rápida, mesmo nos casos de técnica cirúrgica, e o paciente é instruído a já tomar banho no dia seguinte à aplicação.

Por que fazer microagulhamento em tratamentos dermatológicos?

Há quem acredite que o tratamento a laser seja o mais eficaz para o rejuvenescimento da pele facial. Ele é usado para destruir a epiderme, resultando em reação inflamatória pós-traumática normal que reconstitui uma nova epiderme. No entanto, o microagulhamento obtém o mesmo resultado sem destruir a epiderme original. Afinal, ela é a primeira camada de proteção contra o meio ambiente.

Para que uma pessoa pareça rejuvenescida, é necessário ter uma epiderme saudável, uniformemente colorida, lisa, perfundida e hidratada. A técnica das agulhas quebra os fios de colágeno antigos, remove o colágeno danificado, e induz a deposição de novo colágeno imediatamente sob a epiderme, realizando, assim, uma indução percutânea de colágeno.

O microagulhamento pode ser realizado tanto por homens quanto por mulheres que buscam o rejuvenescimento da pele. As principais indicações são:

  • Restaurar a tensão da pele nos estágios iniciais do envelhecimento facial.
  • Melhorar as cicatrizes, especialmente as de acne.
  • Tratar estrias e rugas finas.
  • Tratar a flacidez da pele.
  • Ajudar no tratamento da calvície.
  • Ajudar no tratamento do melasma.
  • Dar às cicatrizes esbranquiçadas um tom mais próximo ao tom da pele.
  • Facilitar o drug delivery.

Embora seja um tratamento seguro e eficaz, há algumas situações em que o microagulhamento não é recomendado:

  • Em áreas da pele que estejam infectadas ou inflamadas, pois pode piorar a condição.
  • Se a pessoa tem herpes ativo em seu rosto deve evitar o microagulhamento até que a infecção tenha desaparecido completamente, porque, do contrário, pode espalhá-lo.
  • O microagulhamento pode piorar cicatrizes hipertróficas ou queloides existentes, aumentando a produção de colágeno nessas áreas.
  • Ele pode também piorar a acne grave, especialmente se ela estiver ativa.
  • Se a pessoa tem algum distúrbio de coagulação sanguínea ou se está tomando medicamentos anticoagulantes, o microagulhamento não é recomendado, pois pode aumentar o risco de sangramentos.
  • Como não há evidências suficientes para determinar a segurança do microagulhamento durante a gravidez, é recomendado evitar o procedimento durante a gestação.
Veja também "O laser tratando lesões de pele", "Rugas", "Sardas", "Estrias" e "Manchas escuras na pele".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da SBD – Sociedade Brasileira de Dermatologia e da RBCP – Revista Brasileira de Cirurgia Plástica.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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