AbcMed

O suor - Qual a importância dele para o organismo?

terça-feira, 1 de fevereiro de 2022
Avalie este artigo
O suor - Qual a importância dele para o organismo?

O que é o suor?

O suor (do latim sudore) é a perda de líquido pela pele, consistindo de uma solução aquosa que, além de cloreto de sódio e ureia, contém íons, como potássio, amônia, ácido úrico e uma pequena porção de proteínas. Diante dessa sua composição, é possível perceber que, além de regular a temperatura do corpo, o suor é responsável por eliminar produtos tóxicos.

Ele é excretado na superfície da pele pelas glândulas sudoríparas existentes na derme, camada média da pele, localizadas sobretudo na palma das mãos, planta dos pés, axilas e rosto. Os ductos dessas glândulas que se dirigem para o exterior, passam, portanto, pela epiderme. Essas glândulas produzem o suor de acordo com o estímulo que chega até elas pelas fibras nervosas simpáticas do sistema nervoso autônomo.

Mais apropriadamente, chama-se sudorese ou transpiração ao ato de excretar o suor. Estima-se que, em um ambiente muito quente ou em exercícios muito extenuantes, uma pessoa possa perder até três litros de suor por hora.

Leia sobre "Hipotermia", "Hipertermia", "Sauna - benefícios e contraindicações" e "A pele e seus anexos".

Quais são e como se processam as funções do suor?

Existem dois tipos de glândulas sudoríparas, chamadas écrinas e apócrinas. As glândulas écrinas são aquelas que liberam sua secreção sem que haja perda do citoplasma da célula secretora. São as mais frequentes, não sendo encontradas apenas nos lábios, leitos ungueais e tímpanos. Já as glândulas apócrinas eliminam secreção com porções do citoplasma. Elas se concentram em determinadas zonas do corpo, como nas virilhas, peito, região perineal, sacrococcígea e axilas, que é o lugar onde se apresenta maior concentração delas. Elas podem se misturar com as bactérias e causar amarelamento das roupas ou manchas grosseiras na pele.

Nos humanos, o suor é uma forma de excretar dejetos e de regular a temperatura do corpo, já que a evaporação do suor da superfície da pele tem um efeito refrescante. As glândulas sudoríparas produzem suor o tempo todo, mas quando a pessoa está em ambientes quentes, quando sente calor ao fazer exercícios ou durante um estresse a quantidade de suor produzido é aumentada, com vistas a uma maior evaporação.

A transpiração do suor é o principal mecanismo de perda de calor do corpo humano e um mecanismo essencial na regulação da temperatura do corpo. Caso a evaporação do suor seja impedida ou dificultada, de alguma maneira, quanto mais a temperatura ambiente se aproxime de 33 ºC, maior o desconforto térmico. Se a temperatura ambiente supera 33 ºC e a evaporação do suor for dificultada, a combinação pode levar à morte por hipertermia.

A evaporação do suor é que garante ao corpo alcançar temperaturas menores do que a do ambiente, dissipando o calor gerado pelo metabolismo corporal e garantindo manutenção da temperatura corporal interna em torno de 36 ºC. Quanto maior a taxa de evaporação do suor, mais o corpo é resfriado.

Dois fatores determinam a taxa de evaporação do suor: (1) a umidade relativa do ar e (2) a ventilação.

Quanto menor a umidade relativa do ar, maior a taxa evaporativa do suor. Se a umidade relativa se aproximar de 100%, isto significa que a capacidade do ar de conter mais vapor do que já contém tende a ser nula, reduzindo ao mínimo a taxa de evaporação do suor e levando ao máximo o desconforto término, no caso de a temperatura ambiente se aproximar ou superar a do corpo humano. Felizmente, na maioria dos climas da terra, a umidade relativa se aproxima de 100% apenas durante as chuvas, as quais, por si mesmo, reduzem significativamente a temperatura ambiente.

Em geral, quanto maior a temperatura ambiente, menor é a umidade relativa do ar, visto que, quanto maior a temperatura, mais o ar se expande, aumentando sua capacidade de conter vapor e, inversamente, quanto menor a temperatura, mais o ar se contrai, reduzindo sua capacidade de conter vapor.

Quanto maior a velocidade do ar que passa sobre a superfície do corpo humano, maior a taxa de evaporação do suor. A ventilação, por si mesma, não reduz a temperatura ambiente, ela apenas aumenta a taxa de evaporação do suor, isto é, promove o resfriamento evaporativo do corpo humano. Ademais, a ventilação dissipa a umidade que se acumularia em torno do corpo humano.

Quais são as anomalias da secreção do suor?

A quantidade do suor também pode variar entre diferentes grupos étnicos, uma vez que a quantidade de glândulas sudoríparas pode variar entre pessoas de diferentes etnias. Mesmo dentro de uma mesma etnia existem grandes variações individuais.

A transpiração excessiva que ultrapassa os limites normais é chamada de hiperidrose ou hiper-hidrose. O suor acumulado em certas áreas do corpo humano, tais como pés, axilas e virilhas pode ser atacado por fungos e/ou bactérias, o que pode ocasionar odores desagradáveis.

A hiperidrose primária (ou diaforese) é um distúrbio que faz as pessoas suarem excessivamente, mesmo em temperatura baixa ou em repouso. Esta doença pode ser causada por uma série de fatores, inclusive alterações da tireoide, situações emocionais, câncer, menopausa ou obesidade. Mesmo uma pessoa saudável quanto ao resto também pode apresentar essa forma de suor excessivo, se o sistema nervoso envia estímulos em grande quantidade para as glândulas sudoríparas.

Ainda que esse distúrbio não faça mal à saúde, interfere na qualidade de vida e causa constrangimento no meio social. A hiperidrose representa 2% da população, mas menos de 40% dos pacientes nessa situação procuram ajuda médica. A hiperidrose primária atinge apenas as mãos, pés e axilas e, muitas vezes, nenhuma causa é encontrada. Os médicos acreditam que possa ser um problema hereditário.

Já no caso de hiperidrose secundária, consequente a outra condição, ela atinge todo o corpo e pode ser causada por condições relacionadas a:

Denomina-se anidrose à ausência de suor, que pode ser generalizada, localizada ou assimétrica. À diminuição da secreção de suor é dita hipoidrose. Normalmente, essas condições estão associadas a dermatoses crônicas, que danificam as glândulas sudoríparas, tais como psoríase, dermatite atópica ou esclerose sistêmica, onde há oclusão do poro ou baixa atividade do sistema nervoso simpático.

Veja também sobre "Hiperidrose", "Simpatectomia", "Mau cheiro nas axilas" e "Disidrose".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites do Hospital Israelita Albert Einstein e da Mayo Clinic.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Comentários