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Acatisia: como é? O que a causa? O que deve ser feito?

terça-feira, 18 de agosto de 2020
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Acatisia: como é? O que a causa? O que deve ser feito?

O que é acatisia?

Acatisia (do grego: a = não + kathízein = sentar) é um distúrbio do movimento caracterizado por uma sensação subjetiva de inquietação interna acompanhada de sofrimento mental e incapacidade de ficar parado. É uma condição psicomotora em que o paciente sente uma grande dificuldade em permanecer parado, sentado ou imóvel. Os afetados podem ficar inquietos, balançar para frente e para trás ou andar de um lado para o outro, enquanto alguns podem apenas ter uma sensação desconfortável no corpo. Geralmente, as pernas são afetadas de forma mais proeminente.

O termo acatisia foi usado pela primeira vez pelo neuropsiquiatra tcheco Ladislav Haškovec, que descreveu o fenômeno em 1901.

Quais são as causas da acatisia?

Mais comumente, a acatisia é induzida por medicamentos. Os neurolépticos antipsicóticos, particularmente os de primeira geração, notadamente os mais incisivos (haloperidol, flufenazina e trifuoperidol), são uma das principais causas da acatisia. Como efeito colateral dos antipsicóticos, a acatisia ocorre geralmente após o terceiro dia de uso da medicação.

Contudo, a condição também já foi descrita na doença de Parkinson e em outros transtornos neuropsiquiátricos, independentemente de medicação. Mais raramente também se manifesta com o uso de medicamentos não psiquiátricos, incluindo bloqueadores dos canais de cálcio, antibióticos, medicamentos antináuseas e antivertiginosos.

Outras causas podem incluir os inibidores seletivos da recaptação da serotonina, a metoclopramida, a reserpina e a esquizofrenia não tratada. Também pode ocorrer ao interromper-se a tomada dos antipsicóticos. Outra causa importante da síndrome é a abstinência observada em dependentes químicos.

Saiba mais sobre "Antipsicóticos", "Psicoses", "Síndrome de abstinência" e "Esquizofrenia".

Qual é o substrato fisiológico da acatisia?

Sabe-se que os medicamentos antipsicóticos bloqueiam os receptores de dopamina, mas a fisiopatologia ainda não é completamente compreendida, embora se acredite que o mecanismo subjacente envolva aquela substância. Além disso, drogas com efeitos terapêuticos bem-sucedidos no tratamento da acatisia induzida por medicamentos (benzodiazepínicos, bloqueadores β-adrenérgicos e antagonistas da serotonina) forneceram informações adicionais sobre o envolvimento de outros sistemas transmissores. A acatisia envolve também níveis elevados de norepinefrina, que está associada a mecanismos que regulam a agressão, o estado de alerta e a excitação.

Quais são as características clínicas da acatisia?

Os sintomas de acatisia são descritos, em termos vagos, como sensação de nervosismo, inquietação, tensão e incapacidade de relaxar. Além disso, pode ocorrer também insônia, sensação de desconforto, inquietação motora, ansiedade acentuada e pânico. Esses sintomas se assemelham aos sintomas de dor neuropática ou à síndrome das pernas inquietas. Quando decorrentes de medicamentos psiquiátricos, os sintomas desaparecem de forma rápida e notável quando o medicamento é reduzido ou interrompido. No entanto, há também uma acatisia tardia, de início retardado, que pode continuar por muito tempo após a interrupção do medicamento, por meses e às vezes anos. Se os sintomas não forem reconhecidos e identificados, a acatisia pode aumentar em gravidade e levar a pensamentos suicidas, agressão e violência.

Os sinais visíveis de acatisia incluem movimentos repetitivos, como cruzar e descruzar as pernas, mover-se constantemente de um pé para o outro, balançar para frente e para trás e inquietação geral. No entanto, nem todo movimento inquieto observável é acatisia. Um diagnóstico diferencial deve ser estabelecido com mania, depressão agitada e transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, que podem se parecer com acatisia, mas os movimentos parecem voluntários e intencionais e não decorrentes de inquietação.

Como o médico diagnostica a acatisia?

O diagnóstico da acatisia é eminentemente clínico e baseado nos sintomas e na observação do comportamento do paciente. Ela difere da síndrome das pernas inquietas porque a acatisia não está associada ao sono, como aquela condição.

A presença e a gravidade da acatisia podem ser medidas usando-se a Escala de Acatisia de Barnes, que avalia critérios objetivos e subjetivos. As principais características distintivas da acatisia em comparação com outras síndromes são primariamente subjetivas, como a sensação de inquietação interior e tensão.

Como o médico trata a acatisia?

O tratamento da acatisia pode incluir a mudança para um antipsicótico com menor risco da doença. O antidepressivo mirtazapina, em baixas doses, demonstrou benefício e há evidências provisórias de benefício para difenidramina, trazodona, benzatropina e bloqueadores beta. Benzodiazepínicos, betabloqueadores, anticolinérgicos e antagonistas da serotonina também podem ajudar no tratamento da acatisia aguda, mas são muito menos eficazes no tratamento da acatisia crônica.

Leia sobre "Síndrome das pernas inquietas", "Benzodiazepínicos" e "Paranoia".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas dos sites do The Royal Australian College of General Practitioners e da Mayo Clinic.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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