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As emoções e os órgãos

terça-feira, 19 de março de 2024
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As emoções e os órgãos

Qual é a relação entre as emoções e os órgãos?

A relação entre emoções e órgãos é um tema complexo que tem sido abordado de modos diferentes em várias tradições culturais e sistemas de medicina ao longo da história. Embora haja uma falta de consenso sobre essa questão, tanto no pensamento científico quanto nas concepções populares, algumas ideias a respeito persistem e são usuais.

Na medicina ocidental oficial, o mais comum é considerar que as emoções atuam sobre os órgãos, compartimentando o psicológico e o físico em dois setores separados e concebendo uma relação de causa e efeito entre eles. Assim, a ansiedade causa efeitos sobre os pulmões; a raiva causa efeitos sobre o fígado; o medo causa efeitos sobre os intestinos; etc.

Outras concepções existem, sobretudo no pensamento oriental, que veem esses dois setores como unidos numa única realidade. A ansiedade é a dificuldade respiratória; a raiva é o transtorno hepático e vesicular; o medo é a maior contração dos intestinos; etc. Tudo isso, ao mesmo tempo que os sentimentos que lhes corresponde.

Em realidade, é impossível experimentar alguma emoção psíquica sem que ela apresente também uma manifestação fisiológica em algum órgão do corpo. Pode-se, portanto, tentar estudar as relações específicas entre os vários tipos de sentimentos psicológicos e as manifestações orgânicas correspondentes, por mais que o assunto seja fluido e pouco consistente.

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Quais são as relações específicas entre as emoções e os órgãos do corpo?

Tanto nas concepções populares como na teoria científica, a existência das relações entre as emoções e o corpo físico são reconhecidas. A voz popular fala em “vermelho de raiva” e “mijando de medo”, por exemplo, e a medicina ocidental oficial fala de “úlcera nervosa” e “anorexia mental”.

Entretanto, estabelecer relações específicas entre emoções e órgãos do corpo é uma tarefa complexa e nem sempre exequível, porque elas podem variar de pessoa para pessoa e nem sempre são feitas de uma maneira direta. Ainda assim, algumas pesquisas e tradições filosóficas têm abordado essas conexões.

Coração

O coração é reconhecido como um órgão muito sensível aos estados emocionais. Emoções positivas, como a alegria, parecem fortalecê-lo, enquanto as emoções negativas, como a culpa e o remorso, parecem enfraquecê-lo e contribuir para gerar doenças cardíacas. Também a circulação sanguínea por meio das artérias cardíacas parece ser muito sensível a estados emocionais particulares. Ocorrências como a angina pectoris e o infarto do miocárdio são reconhecidamente influenciadas por condições emocionais.

Pulmões

Aos pulmões são associadas as emoções de dor e tristeza, além de ansiedade. A sensação de ver negado o próprio espaço físico pode causar problemas de restrições respiratórias e asma. Ao contrário, os sentimentos de dignidade e orgulho contribuem para a abertura do tórax e permitem que os pulmões se expandam e trabalhem melhor. A ansiedade cursa sempre com a sensação de “respiração curta” e, às vezes, com dor no peito.

Garganta

A garganta é o centro da comunicação do corpo e inclui também uma porção do sistema digestivo. Fortes emoções, como a ansiedade e a tensão, podem causar problemas tais como o clássico “nó na garganta” ou a “dificuldade de engolir”, ou ambas as coisas ao mesmo tempo. As palavras reprimidas podem causar o mesmo efeito. É notório como a alegria ou a tristeza produzem tons de voz característicos e como, ante situações impactantes, diz-se que a pessoa “perdeu a voz”.

Fígado e vesícula biliar

Esses dois órgãos são vulneráveis às emoções de ira, como a raiva, a irritabilidade, a frustração, o ressentimento, o ciúme e a inveja, emoções essas que podem danificá-los e irradiar para a cabeça, causando dores de cabeça, pescoço e ombro, tensão e estresse. Podem também aparecer distúrbios digestivos provocados pelo mal funcionamento do fígado e da vesícula biliar. A voz popular chama de “bilioso” o indivíduo mal-humorado e irritadiço. O próprio termo melancolia (= a bile escura), como forma de depressão que causa preocupações excessivas e ansiedade, deriva da observação de alterações da bile nessas circunstâncias. Até há alguns anos, todo mal-estar indefinido e mal compreendido era atribuído a uma “doença do fígado”, assim como hoje é referido a uma “depressão”, e as medicações chamadas de “protetoras hepáticas” caíram no gosto popular.

Estômago

O estômago, assim como o fígado, pode coletar emoções de ira, e quando essas emoções se acumulam no estômago podem causar úlceras e gastrite. Também passividade, preocupação, ansiedade, tensão e estresse podem causar problemas de estômago, cólicas, inchaço e até distúrbios como náuseas e desordens do apetite.

Intestino

O intestino é sede de muitas desordens psicossomáticas. Distúrbios digestivos causados por emoções são muito frequentes. Emoções melancólicas se emaranham na porção média e inferior do intestino e se manifestam por uma lentificação do funcionamento intestinal. O cólon pode sentir os efeitos negativos da preocupação, da ansiedade, do estresse, da tensão e do nervosismo. Algumas predisposições genéticas, como cólon irritável, sofrem uma grande influência dos estados emocionais. Mesmo a fisiologia normal dos intestinos é grandemente dependente de emoções particulares.

Rins e bexiga

O medo e o terror são as emoções que mais afetam os rins e a bexiga, alterando as funções de retenção e evacuação da urina. Medo e sustos extremos podem levar à perda do controle da função renal e urinária.

 

Assim, de um modo simplificado, mas de alguma validade como guia geral, podemos dizer que a relação entre as emoções e os órgãos é mais ou menos a seguinte:

  1. A raiva, a frustração e o ressentimento afetam o fígado.
  2. A alegria e a euforia afetam o coração.
  3. A preocupação afeta os pulmões e o baço.
  4. A melancolia e o ato de remoer pensamentos afetam o baço.
  5. A tristeza, a mágoa e o pesar afetam os pulmões.
  6. O medo afeta os rins.
  7. O choque afeta os rins e o coração.
  8. O ódio afeta o coração.
  9. O desejo ardente afeta o coração.
  10. A culpa afeta os rins e o coração.
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Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente do Repositório Institucional da UFMG.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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