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Catatonia

segunda-feira, 7 de março de 2022
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Catatonia

O que é catatonia?

A catatonia é uma síndrome clínica muito rara caracterizada por anormalidades impressionantes do comportamento motor, constante de movimentos e comportamentos anormais, imobilidade e retraimento. A sua forma mais conhecida envolve a manutenção de uma posição rígida e imóvel que pode durar horas, dias ou semanas. Mas também pode se referir à agitação motora sem propósito, mesmo na ausência de estímulos ambientais.

A prevalência relativa e o significado diagnóstico dos sinais catatônicos varia entre estudos e populações diferentes, mas há um consenso de que a catatonia ocorre em 9-17% dos pacientes com doenças psiquiátricas agudas.

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Quais são as causas da catatonia?

A catatonia é quase sempre secundária a outra doença subjacente, geralmente um distúrbio psiquiátrico, mas também pode ser devida a alguma alteração clínica. Afinal, os sintomas catatônicos são inespecíficos e podem ser observados em uma grande variedade de condições médicas. O que os médicos ainda não sabem com precisão é o que faz com que esses doentes algumas vezes se tornem catatônicos.

Na psiquiatria, embora a catatonia tenha sido historicamente relacionada à esquizofrenia, tendo inclusive sido considerada uma de suas formas clínicas (esquizofrenia catatônica), ela é frequentemente observada também em transtornos bipolares do humor e depressões severas.

Outras associações psiquiátricas incluem alguns transtornos psicóticos primários e transtornos do espectro autista.

Na clínica, a catatonia pode ser observada em:

O uso de alguns fármacos também pode induzir a esta condição como, por exemplo, corticoides, imunossupressores e agentes antipsicóticos como os neurolépticos.

Alguns especialistas acreditam que ter um excesso ou falta de neurotransmissores causa catatonia. Uma teoria em voga afirma que uma redução repentina na dopamina, que é um neurotransmissor, causa catatonia. Uma outra teoria é que uma redução no ácido gama-aminobutírico (GABA), outro neurotransmissor, leva à condição catatônica.

Qual é o substrato fisiopatológico da catatonia?

A neurobiologia alterada da catatonia parece dever-se a alterações patológicas do GABA (ácido gama amino butírico), do glutamato e da dopamina. O GABA responde pelo comportamento motor e afetivo da pessoa e a diminuição dele ajudaria na catatonia. O glutamato é um excitante dos neurotransmissores e uma anormalidade da atuação dele nos gânglios da base seria também um dos substratos da catatonia. Nos anos 1970, nasceu a hipótese de uma disfunção do metabolismo de dopamina em áreas específicas do cérebro.

Quais são as características clínicas da catatonia?

A forma de início da catatonia pode ser súbita ou gradual e os sintomas podem aumentar, diminuir ou mudar durante os episódios. São descritos dois subtipos de catatonia.

1. Catatonia retardada

É o tipo mais comum, marcada por uma escassez de movimentos, incluindo imobilidade, olhar fixo, mutismo, rigidez, retraimento e recusa de comer, juntamente a características mais bizarras, como postura, caretas, negativismo, flexibilidade cérea (o paciente permanece na postura em que for passivamente colocado), ecolalia ou ecopraxia, estereotipia, verbigeração (repetição insistente de palavras ou frases sem sentido) e obediência automática.

2. Catatonia excitada

Também chamada catatonia “maligna” ou “letal”, é caracterizada por agitação psicomotora grave, levando potencialmente a complicações com risco de vida, como hipertermia, consciência alterada e disfunção autonômica. Esta forma de catatonia pode ser rapidamente fatal se não for tratada adequadamente.

Como o médico diagnostica a catatonia?

Não existe exame decisivo para diagnosticar a catatonia. Um exame físico e exames complementares devem primeiro descartar outras condições assemelhadas. Tomografias computadorizadas ou ressonâncias magnéticas permitem que os médicos visualizem o cérebro e possam detectar eventuais anormalidades.

O passo mais importante no diagnóstico da catatonia é o reconhecimento dos sinais clínicos característicos da síndrome. A imobilidade e o mutismo são particularmente chamativos e comuns e o aparecimento de qualquer um desses sinais na ausência de outra condição explicativa deve levantar a suspeita clínica de catatonia, momento em que a presença de outros sinais catatônicos pode ser determinada.

Um diferencial tem de ser feito com a psicose aguda, encefalite, síndrome neuroléptica maligna, uma reação rara e grave a medicamentos antipsicóticos (reação neuroléptica maligna), estado de mal epiléptico não convulsivo e um tipo de convulsão grave. Os médicos devem descartar essas condições antes que possam diagnosticar a catatonia.

Como o médico trata a catatonia?

Os médicos geralmente tratam a catatonia com benzodiazepínicos. Às vezes são usados antipsicóticos, mas esses possuem efeitos colaterais que podem agravar o quadro.

Outra opção de tratamento é a eletroconvulsoterapia (eletrochoque). Nessa técnica, impulsos elétricos são enviados para o cérebro da pessoa através de eletrodos colocados na cabeça. Elas recebem remédios para dormir durante o procedimento e a pessoa geralmente sofre uma convulsão controlada. O tratamento só é recomendado se os sedativos não funcionarem, se a catatonia for grave, se a pessoa já teve catatonia antes ou se é necessária uma ação rápida para salvar a vida da pessoa acometida.

Veja informações sobre "Terapia cognitivo comportamental", "Psicoterapia" e "Big Five (Cinco Grandes) da Psicologia".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Psych Scene Hub e do Jornal da USP.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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