AbcMed

Estresse - conceito, causas, características clínicas, diagnóstico e tratamento

Monday, September 23, 2019
Avalie este artigo
Estresse - conceito, causas, características clínicas, diagnóstico e tratamento

O que é estresse?

O termo "stress" (estresse) foi usado por Hans Selye em 1976, que o definiu como uma "reação não específica do corpo a qualquer tipo de exigência". Ele reconheceu dois tipos dessa reação:

  1. O estresse, que indica a situação em que o indivíduo possui meios de lidar com a situação.
  2. O distresse ou esgotamento, que indica a situação em que a exigência é maior do que os meios para enfrentá-la. O termo "distresse" praticamente caiu em desuso, tendo sido substituído pelo termo estresse, que passou a ter o sentido atual.

Em geral, as pessoas falam em estresse para dizer que o dia foi cheio de tarefas, corrido ou complicado, embora isso não tenha gerado autênticos sinais e sintomas de estresse.

O estresse verdadeiro é uma resposta física do organismo a um estímulo nocivo e/ou ameaçador em que o corpo reage segundo a modalidade “luta ou fuga”. Essa é uma reação natural do organismo que ocorre quando a pessoa vivencia uma situação de perigo, a qual provoca grandes alterações físicas e emocionais.

A reação ao estresse libera uma cascata complexa de hormônios e outras substâncias químicas como adrenalina, cortisol e norepinefrina para preparar o corpo para a ação física.

Leia sobre "Maneiras de lidar com o estresse", "Somatização" e "Entendendo o estresse e como aliviá-lo".

Quais são as causas do estresse?

São fatores causadores de estresse:

  1. Acontecimentos bons ou ruins que exigem reestruturação profunda na vida. Por exemplo: casamento, nascimento de filhos, acidentes, mudança repentina no estilo de vida ou rotina, entre outros.
  2. Acontecimentos que ultrapassam a capacidade do indivíduo de adaptação, ocasionando traumas, como choques emocionais e problemas sociais.
  3. Acontecimentos do dia a dia, como problemas de saúde, problemas de aceitação, nervosismo passageiro, problemas do trabalho, problemas de relacionamento, problemas de sono, entre outros.
  4. Acontecimentos que se estendem por um longo período, causando experiências repetidas de estresse, como desemprego ou excesso de trabalho, ou situações pontuais com consequências duradouras, como estresse decorrente de problemas por divórcio, doenças psíquicas, doenças crônicas e certos tipos de câncer.

Quais são as principais características clínicas do estresse?

As substâncias liberadas pelo estresse são as responsáveis pelos seus sinais e sintomas. Ao lado de seu papel fisiologicamente útil, essas substâncias também podem ter efeitos danosos sobre o organismo. Embora o estresse não seja causador de problemas graves, contribui muito para o desencadeamento e manutenção de alguns deles.

Os sintomas mais comuns do estresse são: sensação de desgaste constante; alteração de sono (dormir muito ou pouco ou dormir mal); tensão muscular; formigamento; mudança de apetite; alterações de humor; falta de interesse pelas coisas; problemas de concentração, atenção e memória; julgamento fraco; pensamentos acelerados; preocupações excessivas e constantes; dores; constipação intestinal ou diarreia; náuseas; tonturas; dor no peito; perda de libido; procrastinação; consumir álcool, cigarros ou drogas para relaxar; hábitos “nervosos”, como roer as unhas, por exemplo.

Essas reações fisiológicas são anormais em si mesmas, mas também desencadeiam ou pioram muitos sintomas de enfermidades já existentes. Ademais, quando o indivíduo que já sofre de estresse não está emocionalmente saudável, um ciclo vicioso de desequilíbrio se mantém, ou seja, o indivíduo não consegue voltar ao seu estado normal, permanecendo estressado.

Como o médico diagnostica o estresse?

O médico reconhecerá o estresse a partir dos sintomas e do histórico clínico da pessoa, embora esses sintomas sejam pouco específicos e também possam ser causados por outros problemas médicos e psicológicos. Muitas vezes, um diagnóstico de estresse só é possível depois da exclusão de qualquer patologia orgânica.

Como o médico trata o estresse?

O tratamento para o estresse devido a fatores externos se concentra em três abordagens:

  1. Para administrar os estressores é necessário identificá-los e reconhecer os que mais estão pesando sobre o paciente, para que, então, seja possível eliminá-los, administrá-los ou evitá-los, respeitando os limites de cada pessoa.
  2. Para aumentar a resistência aos fatores estressores é necessário manter o organismo saudável e em melhores condições de enfrentar os desafios. Para isso, é necessário dormir bem, cuidar da saúde, alimentar-se de forma saudável, fazer atividades físicas, etc.
  3. Enfim, outro recurso é mudar a forma como se enfrenta o estressor, quando não se pode mudá-lo ou eliminá-lo. Assim, é necessário que o paciente se adapte a ele.

Quando os estressores são internos dão mais trabalho e a melhor forma para lidar com eles é através de uma psicoterapia, de modo que um psicólogo pode ser o especialista mais indicado para prestar ajuda.

Não existem remédios para tratar as causas do estresse, mas há alguns tipos de tratamentos eficazes. Além da psicoterapia, podem ser usadas também práticas de relaxamento, exercícios físicos, boa alimentação e tratamentos médicos que visem uma boa saúde.

Saiba mais sobre "Psiquiatra, psicólogo ou psicanalista", "Psicoterapia" e "Terapia cognitivo comportamental".

Como evolui em geral o estresse?

A evolução do estresse se dá em três fases:

  1. Fase de alerta: ocorre quando o indivíduo entra em contato com o agente estressor. Então ocorre mãos e/ou pés frios; boca seca; dor no estômago; suor; tensão e dor muscular; aperto na mandíbula; diarreia passageira; insônia; batimentos cardíacos acelerados; respiração ofegante; aumento súbito e passageiro da pressão sanguínea; agitação.
  2. Fase de resistência: o corpo tenta voltar ao seu equilíbrio. O organismo pode se adaptar ao problema ou eliminá-lo. Nessa fase ocorrem problemas com a memória; mal-estar generalizado; formigamento nas extremidades; sensação de desgaste físico constante; mudança no apetite; aparecimento de problemas de pele; hipertensão arterial; cansaço constante; gastrite prolongada; tontura; sensibilidade emotiva excessiva; obsessão com o agente estressor; irritabilidade excessiva; desejo sexual diminuído.
  3. Fase de exaustão: nessa fase surgem diversos comprometimentos físicos em forma de doença. Os sintomas dessa fase são diarreias; dificuldades sexuais; formigamento nas extremidades; insônia; tiques nervosos; hipertensão arterial confirmada; problemas de pele prolongados; mudança extrema de apetite; batimentos cardíacos acelerados; tontura; úlcera; impossibilidade de trabalhar; pesadelos; apatia; cansaço excessivo; irritabilidade; angústia; hipersensibilidade emotiva; perda do senso de humor.
Veja também sobre "Estresse pós-traumático", "Insônia", "Esgotamento mental ou Burnout" e "Cefaleia tensional".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas dos sites do Ministério da Saúde, do Hospital Israelita Albert Einstein, da Sociedade Brasileira de Cardiologia e do U. S. National Institute of Health.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Comentários
Estresse - conceito, causas, características clínicas, diagnóstico e tratamento | AbcMed