Como é o câncer de endométrio? Por que ele aparece? Quais são os fatores de risco? Como deve ser diagnosticado e tratado? O que fazer para evitá-lo?

O que é o endométrio?
O endométrio é o revestimento interno do útero, formado por uma membrana ricamente vascularizada e composta por fibras lisas. Ele é composto de duas camadas: a funcional e a basal. A primeira, adjacente à cavidade uterina, é responsável pela execução das suas funções biológicas; a segunda, aderida ao miométrio (camada muscular intermediária do útero) é responsável pela reconstrução da camada interna, eliminada a cada ciclo menstrual. O endométrio é estimulado e prolifera graças à ação dos estrogênios produzidos pelos folículos ovarianos e pela progesterona, produzida pelo corpo lúteo ou amarelo e aumenta sua espessura e vascularização em razão da concentração destes hormônios no sangue, à espera da nidação de um óvulo fecundado que desenvolva uma gravidez. Nos primeiros meses da gravidez, se for o caso, ele dá formação também à placenta, que proporciona ao feto os nutrientes, oxigênio e anticorpos e elimina os produtos tóxicos do metabolismo. Em cada ciclo menstrual o endométrio se prepara, pois, para uma gravidez e é eliminado pela menstruação, se ela não acontece. Nas mulheres, o ciclo de proliferação e eliminação do endométrio, em condições normais é aproximadamente de 28 dias, podendo variar em razão de muitos fatores, como distúrbios hormonais, estresse, perda ou ganho de peso, por exemplo. O sangue que a mulher perde pela vagina ao fim do seu ciclo menstrual leva junto a camada funcional do endométrio. Esse processo só cessa com a menopausa, por volta dos 50 anos.
O que é o câncer de endométrio?
O endométrio, como qualquer outra parte do corpo humano, também está sujeito a doenças, entre elas vários tipos de neoplasias (câncer, quase sempre). O câncer de endométrio está em segundo lugar na lista entre os cânceres ginecológicos mais comuns entre as mulheres e acomete principalmente as mulheres maiores de 60 anos, embora também possa ocorrer antes, em menor porcentagem. As estatísticas revelam que somente 5% das mulheres acometidas têm idade inferior a 40 anos.
Quais são as causas do câncer de endométrio?
Desconhece-se a causa do câncer de endométrio, mas sabe-se que o aumento dos níveis de estrogênio é um fator desencadeante importante. O câncer de endométrio ocorre mais frequentemente nas mulheres entre 60 e 70 anos, embora possa também ocorrer antes. Alguns fatores de risco para o câncer de endométrio são conhecidos:
- Obesidade.
- Dieta rica em gordura animal.
- Histórico de pólipos endometriais.
- Infertilidade.
- Menstruações escassas.
- Algumas medicações.
- Aumento dos níveis de estrogênio e menores níveis de progesterona.
- Reposição hormonal.
- Ovários policísticos.
- Anovulação crônica.
- Início precoce da menstruação.
- Início tardio da menopausa.
- Hipertensão arterial.
- Diabetes mellitus.
- Histórico pessoal ou familiar de câncer.
- Hiperplasia endometrial.
Quais são os principais sinais e sintomas do câncer de endométrio?
Nas primeiras fases da doença o exame pélvico geralmente não apresentará anormalidades e as alterações físicas do útero e das estruturas vizinhas apenas podem ser vistas na doença mais avançada. O câncer de endométrio pode ser laboratorialmente classificado num sentido crescente de gravidade como de grau 1, 2 ou 3; sendo o grau 1 o menos agressivo e o grau 3 o mais agressivo. Num sentido clínico prático, pode-se distinguir o câncer que está apenas no útero, o câncer que atinge o útero e o colo do útero, o câncer que se espalhou para fora do útero, mas não fora da pélvis e o câncer que já atingiu outros órgãos do abdômen ou fora dele. O câncer de endométrio pode envolver também os linfonodos da pelve ou os que se localizam próximos da aorta (a maior artéria no abdome). É comum haver sangramentos no intervalo entre as menstruações, sangramento ou manchas de sangue vaginais, episódios de sangramento vaginal mesmo depois da menopausa, dor ou cólica no baixo abdome e corrimento vaginal após a menopausa. Se o tumor maligno de endométrio já se disseminou para outras áreas do corpo, os sintomas estarão relacionados ao comprometimento do órgão atingido.
Como o médico diagnostica o câncer de endométrio?
Uma boa história clínica e um exame clínico cuidadoso podem levantar a suspeita de câncer de endométrio, mas só revelam a presença da doença nas suas fases mais avançadas. No entanto, sangramentos vaginais, em especial na pós-menopausa, são altamente suspeitos e exigem uma avaliação ginecológica completa. Os exames de ultrassonografia, curetagem e histeroscopia são essenciais para realizá-la, porque permitem visualizar o interior do útero e retirar uma amostra de material para biópsia.
Como o médico trata o câncer de endométrio?
O tratamento do câncer de endométrio é basicamente cirúrgico, mas pode ser associado com radioterapia, braquiterapia, hormonioterapia ou quimioterapia. Conforme o caso pode ser recomendável uma histerectomia, associada com a retirada bilateral das trompas e dos ovários (salpingo-ooforectomia bilateral), mesmo no estágio I da doença. O acesso cirúrgico abdominal deve ser preferido em relação ao acesso vaginal porque ele permite uma observação dentro do abdome e a retirada de tecido para biópsia. Desde que diagnosticado precocemente, o câncer de endométrio é curável em 90% dos casos.
Como prevenir o câncer de endométrio?
- Combater a obesidade.
- Tratar adequadamente os ciclos ovulatórios irregulares.
- Fazer reposição hormonal adequada e criteriosa no climatério.
- Fazer avaliação periódica de pacientes assintomáticas de alto risco.
- Realizar periodicamente na menopausa uma ultrassonografia transvaginal.
- Cuidar das lesões precursoras nas mulheres com sangramento uterino anormal.
