AbcMed

Tampões vaginais podem causar a síndrome do choque tóxico

Friday, February 15, 2019
Avalie este artigo
Tampões vaginais podem causar a síndrome do choque tóxico

O que é a síndrome do choque tóxico?

A síndrome do choque tóxico é uma condição/complicação rara causada por toxinas liberadas por certos tipos de infecções bacterianas (0,5 a 3/100.000/ano). Essa condição foi descrita pela primeira vez em 1927.

Quais são as causas da síndrome do choque tóxico?

Em geral, a síndrome do choque tóxico resulta de toxinas produzidas por bactérias Staphylococcus aureus (estafilococos), mas a condição também pode ser causada por toxinas produzidas por bactérias estreptococos do grupo A (estreptococos). A síndrome do choque tóxico tem sido associada principalmente ao uso de tampões femininos íntimos, ditos superabsorventes. Fatores de risco para síndrome do choque tóxico incluem feridas na pele, cirurgia e o uso desses tampões.

Qual é o mecanismo fisiopatológico da síndrome do choque tóxico?

O mecanismo subjacente à síndrome do choque tóxico envolve a produção de superantígenos durante uma infecção invasiva por estreptococo ou uma infecção localizada por estafilococos. Em ambos os casos da síndrome do choque tóxico, causada por Staphylococcus aureus ou por Streptococcus pyogenes, a progressão da doença decorre de uma toxina superantigênica.

Quais são as principais características clínicas da síndrome do choque tóxico?

A síndrome do choque tóxico pode afetar qualquer pessoa, em qualquer idade, incluindo homens, mulheres, crianças, adultos e idosos. Os sintomas podem incluir febre, erupção cutânea, descamação da pele e pressão arterial baixa. Também pode haver sintomas relacionados à infecção subjacente específica, como mastite, osteomielite, fasciíte necrosante ou pneumonia. Os sinais e sintomas da síndrome do choque tóxico variam dependendo da causa subjacente.

Saiba mais sobre "Mastite", "Osteomielite", "Fasciíte necrosante" e "Pneumonia".

A síndrome do choque tóxico resultante da infecção pela bactéria Staphylococcus aureus manifesta-se tipicamente em indivíduos saudáveis por meio de sinais e sintomas que incluem febre alta, pressão arterial baixa, mal-estar e confusão mental, que podem evoluir rapidamente para letargia, coma e falência múltipla de órgãos.

A erupção característica na pele, geralmente observada no início da doença, assemelha-se a uma queimadura solar e pode envolver qualquer região do corpo, incluindo os lábios, a boca, os olhos, as palmas das mãos e as solas dos pés. Em pacientes que sobreviveram à fase inicial da infecção, a erupção descama ou descasca após 10 a 21 dias.

Em contraste, a síndrome do choque tóxico causada pela bactéria Streptococcus pyogenes, apresenta-se tipicamente em pessoas com infecções de pele pré-existentes com a bactéria. Esses indivíduos frequentemente experimentam dor severa no local da infecção da pele, seguida pela rápida progressão dos sintomas.

A síndrome do choque tóxico causado por Staphylococcus envolve mais uma erupção semelhante à queimadura solar que a infecção por estreptococos.

Como o médico diagnostica a síndrome do choque tóxico?

O diagnóstico da síndrome do choque tóxico é baseado nos sintomas e no histórico clínico do paciente. Para a síndrome do choque tóxico estafilocócica, deve-se levar em conta uma temperatura corporal maior de 38,9°C, pressão arterial sistólica menor de 90 mmHg, eritrodermia macular difusa, descamação, especialmente das palmas das mãos e solas dos pés, 1 a 2 semanas após o início, vômito, diarreia, mialgia grave, creatina fosfoquinase aumentada, hiperemia da membrana mucosa, insuficiência renal, inflamação do fígado, contagem baixa de plaquetas e confusão mental sem quaisquer achados neurológicos focais.

Os resultados de culturas de sangue, garganta e líquido cefalorraquidiano para outras bactérias além de Staphylococcus aureus são negativos. Um diferencial deve ser estabelecido com o choque séptico, doença de Kawasaki, síndrome de Stevens-Johnson e escarlatina.

Leia sobre "Escarlatina", "Sindrome de de Stevens-Johnson" e "Choque séptico".

Como o médico trata a síndrome do choque tóxico?

A gravidade dessa doença frequentemente justifica a hospitalização e a admissão na unidade de terapia intensiva. Quase sempre são necessários cuidados de suporte como manejo agressivo de fluidos, ventilação, terapia renal substitutiva e uso de medicamentos para melhorar a função cardíaca e o débito cardíaco. O tratamento da síndrome do choque tóxico é feito com antibióticos, incisão e drenagem de qualquer abscesso e emprego de imunoglobulina intravenosa. A necessidade de remoção rápida de tecido infectado através de cirurgia naqueles com causa estreptocócica comumente é recomendada, mas é pouco apoiada por evidências. Alguns médicos recomendam retardar o desbridamento cirúrgico.

Qualquer mulher que esteja usando um tampão no início dos sintomas deve removê-lo imediatamente. E, toda mulher que usá-los, deve trocá-los com no máximo seis horas de uso. O ideal é não dormir com um tampão, mas se optar por fazê-lo, a mulher que dorme mais de seis horas seguidas deve acordar, no intervalo máximo de 6 horas, para trocar o tampão. Dessa forma, ela diminui o risco de uma infecção muito séria que pode levar à síndrome do choque tóxico.

Como evolui a síndrome do choque tóxico?

Com o tratamento adequado, as pessoas geralmente se recuperam em duas a três semanas. A condição pode, no entanto, ser fatal em algumas horas. O risco de morte da síndrome do choque tóxico é de cerca de 50% nas infecções estreptocócicas e de cerca de 5% nas infecções estafilocócicas.

Quais são as complicações possíveis da síndrome do choque tóxico?

Como dito antes, a síndrome do choque tóxico já é uma complicação de certos tipos de infecções bacterianas, com risco de vida.

Veja também sobre "Septicemia", "Bactérias Gram-positivas e Gram-negativas", "Celulite infecciosa" e "Necrose".

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Comentários
Tampões vaginais podem causar a síndrome do choque tóxico | AbcMed