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Vaginose bacteriana - o que é?

Wednesday, June 28, 2017
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Vaginose bacteriana - o que é?

O que é vaginose bacteriana?

A vaginose bacteriana é uma infecção leve da vagina causada por bactérias. Normalmente, existem na vagina muitas bactérias "boas" e algumas bactérias "ruins". Os tipos bons ajudam a controlar o crescimento dos tipos ruins. Em mulheres com vaginose bacteriana, esse balanço está alterado e as bactérias “ruins” predominam sobre as bactérias “boas”, alterando a flora vaginal e gerando a doença. A principal bactéria dessa proliferação é a Gardnerella vaginalis, cuja quantidade aumenta muito.

Quais são as causas da vaginose bacteriana?

A vaginose bacteriana resulta do crescimento excessivo de uma das várias bactérias “ruins” naturalmente encontradas na vagina. Normalmente, bactérias "boas" (Lactobacillus sp) são mais numerosas que bactérias "ruins" (anaeróbias), mas, se existem muitas bactérias anaeróbicas, elas perturbam o equilíbrio natural de microrganismos na vagina e causam problema.

A vaginose bacteriana não é considerada uma doença sexualmente transmissível, embora a transmissão ocorra também pelo contato íntimo ou pela relação sexual. Ter múltiplos parceiros sexuais ou a prática de lavar a vagina com água e um agente de limpeza podem perturbar o equilíbrio natural e levar a um crescimento excessivo de bactérias anaeróbicas.

Saiba mais sobre "Doenças sexualmente transmissíveis" e "Relações sexuais".

Pode ocorrer também uma insuficiência natural de Lactobacillus sp, sendo esta espécie bacteriana a responsável pela determinação do pH ácido (3,8 a 4,5) que inibe o crescimento das demais espécies bacterianas nocivas à mucosa vaginal. Sendo assim, existe uma síndrome em que há diminuição importante dos lactobacilos e aumento dos agentes anaeróbicos, como a Gardnerella vaginalis, Bacteroides sp, Mobiluncus sp, Peptostreptococcus, micoplasmas, entre outros, principalmente entre mulheres em idade reprodutiva e naquelas sexualmente ativas.

Quais são as principais características clínicas da vaginose bacteriana?

Cerca de metade das mulheres não apresenta sintomas. A vaginose bacteriana geralmente é um problema leve que pode desaparecer sozinho em alguns dias, embora também possa, em certos casos, levar a problemas mais sérios. O sintoma mais comum dessa condição é um corrimento vaginal acinzentado, branco ou amarelo-esverdeado. Há também um cheiro desagradável, que pode piorar após o sexo, devido à proliferação das bactérias, e uma ardência ao urinar e/ou coceira no exterior da vagina. Por ter uma causa orgânica, ela não é considerada uma doença sexualmente transmissível.

Como o médico diagnostica a vaginose bacteriana?

Muitas vezes o diagnóstico da vaginose bacteriana é feito através do exame ginecológico de rotina chamado Papanicolau. Quando sintomática, o diagnóstico deve partir dos sintomas e do exame físico pélvico. Uma amostra da secreção vaginal pode ser recolhida para ser testada em laboratório.

O médico pode verificar o pH vaginal colocando uma tira de teste de pH na vagina. Um pH de 4,5 ou superior é um sinal de vaginose bacteriana. Como muitas outras causas podem levar à secreção vaginal anormal, impõe-se um diagnóstico diferencial a ser conduzido pelo médico para que o tratamento seja feito corretamente.

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Como o médico trata a vaginose bacteriana?

O tratamento normalmente é feito com antibióticos orais específicos e com cremes e óvulos a serem inseridos na vagina. A vaginose bacteriana geralmente desaparece em 2 ou 3 dias após iniciado o antibiótico, mas o tratamento deve continuar por 7 dias sob risco de aumentar a resistência bacteriana.

Como evitar a vaginose bacteriana?

As principais maneiras de prevenir a vaginose bacteriana são:

Quais são as complicações possíveis da vaginose bacteriana?

Na maior parte dos casos, a vaginose bacteriana não causa outros problemas de saúde, mas em certos casos pode levar a sérios problemas. Se a mulher estiver grávida, ela aumenta o risco de aborto espontâneo, parto precoce e infecção uterina após a gravidez. Se a mulher tiver a doença, qualquer procedimento pélvico (cesariana, aborto, histerectomia ou outro) pode fazer conduzir a uma infecção pélvica. A vaginose bacteriana pode aumentar a probabilidade de a mulher ser infectada por doenças sexualmente transmissíveis.

Veja também sobre "Vulvovaginite", "Gonorreia", "HPV (Papilomavírus humano)", "Herpes genital", "Tracoma" e "Sífilis".

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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