AbcMed

Como acontece a espermatogênese?

Wednesday, February 21, 2024
Avalie este artigo
Como acontece a espermatogênese?

O que é espermatogênese?

A espermatogênese é o processo de produção de espermatozoides nos testículos do organismo masculino humano. Ele é um processo contínuo e complexo, que se passa em várias etapas de diferenciação celular e que se desenvolve desde a puberdade até a morte do indivíduo.

Já no período embrionário, as células germinativas primordiais migram da parede da vesícula vitelínica para a gônada ainda indiferenciada, e todos os processos de amadurecimento se darão no interior dela.

Em resumo, a espermatogênese é o processo contínuo de produção de espermatozoides nos testículos masculinos, envolvendo mitose, meiose e diferenciação celular, resultando na formação de células reprodutivas maduras capazes de fertilizar um óvulo. Ao final desse processo, temos um espermatozoide com características típicas (cabeça, colo e cauda), agora pronto para realizar o processo de fecundação.

Quais são as fases da espermatogênese?

Costuma-se descrever três fases da espermatogênese: (1) multiplicação, (2) crescimento e (3) maturação.

A espermatogênese começa nas células germinativas primordiais, presentes nos testículos desde muito cedo e que são as células-tronco que darão origem aos espermatozoides. Durante a puberdade, essas células se dividem por mitose e dão origem às células chamadas espermatogônias (precursoras precoces dos espermatozoides). As espermatogônias são células diploides que se dividem continuamente através de mitoses sucessivas.

Durante a fase de multiplicação, algumas espermatogônias permanecem como células-tronco para garantir a produção contínua de espermatozoides ao longo da vida. Outras espermatogônias se transformam em espermatócitos primários, que passam por um processo de meiose.

A meiose é um processo de divisão celular especializado que reduz o número de cromossomos pela metade. Os espermatócitos primários passam por duas divisões meióticas, resultando na formação de quatro células haploides chamadas espermátides.

Resumindo, a mitose produz células geneticamente idênticas, enquanto a meiose produz células com metade do número de cromossomos e promove a variabilidade genética.

As espermátides (precursoras imediatas dos espermatozoides) são células imaturas que passam por uma série de mudanças estruturais e funcionais, incluindo a formação de uma cabeça alongada, um flagelo (cauda) e a redução do citoplasma. Esse processo é chamado de espermiogênese. No final da espermiogênese, as espermátides se transformam em espermatozoides maduros, prontos para a fertilização.

Os espermatozoides maduros são liberados nos túbulos seminíferos dos testículos e, em seguida, passam por um processo chamado de espermiação, onde adquirem mobilidade e capacidade de fertilização. Eles são então armazenados no epidídimo, um ducto enrolado localizado na parte posterior dos testículos, até serem ejaculados durante a atividade sexual.

Leia sobre "Espermograma", "Polução noturna", "Ejaculação" e "Maca peruana".

Quais são os distúrbios da espermatogênese?

Alguns distúrbios da espermatogênese incluem:

  1. Azoospermia não obstrutiva e oligospermia, quando há uma produção ou maturação inadequada de espermatozoides nos testículos. Existem várias causas possíveis para a azoospermia não obstrutiva, incluindo: (a) problemas genéticos; (b) condições médicas que podem afetar a produção de espermatozoides, como lesões testiculares, infecções, varicocele, radioterapia ou quimioterapia, exposição a substâncias tóxicas, uso de certos medicamentos e algumas condições hormonais; (c) problemas imunológicos que podem atacar os espermatozoides, impedindo sua produção ou maturação adequada; (d) bloqueios no sistema de transporte dos espermatozoides, impedindo sua liberação no sêmen ejaculado. Em alguns casos, a causa exata da azoospermia não obstrutiva pode permanecer não identificada.
  2. Teratozoospermia, que se refere a uma alta proporção de espermatozoides com anormalidades morfológicas. Os espermatozoides podem apresentar cabeças, caudas ou outros componentes estruturais com conformações anormais.
  3. Necrozoospermia, que é a presença de espermatozoides mortos no sêmen ejaculado. Isso pode indicar problemas na produção, maturação ou transporte dos espermatozoides.
  4. Criptozoospermia, que é caracterizada pela presença de apenas alguns espermatozoides móveis no sêmen ejaculado. Embora haja uma baixa contagem, que dificulta muito ou impede a reprodução normal, ainda é possível obter espermatozoides para técnicas de reprodução assistida.
  5. Disgenesia testicular, que se refere a um desenvolvimento anormal dos testículos, resultando em uma produção inadequada de espermatozoides. Pode estar associada a outras anomalias genéticas ou cromossômicas.
  6. Varicocele, que é uma condição na qual as veias que drenam os testículos estão dilatadas. Isso pode causar aumento da temperatura local, prejudicando a espermatogênese.

Como o médico diagnostica os distúrbios da espermatogênese?

Os distúrbios da espermatogênese podem ser diagnosticados por meio de uma combinação de avaliação clínica, análise do histórico médico, exames físicos e testes laboratoriais especializados. Do ponto de vista da avaliação clínica e histórico médico, o profissional iniciará sua busca de diagnóstico fazendo perguntas detalhadas sobre os sintomas e histórico de doenças anteriores. O exame físico visa verificar a presença de anormalidades físicas nos testículos, epidídimos, cordão espermático e áreas relacionadas.

Deve ainda ser feita uma análise de esperma (espermograma), que avalia a contagem, motilidade e morfologia dos espermatozoides, com indicação das causas dos distúrbios da espermatogênese. Análises hormonais ajudarão a verificar os níveis hormonais, como os de testosterona, hormônio folículo-estimulante (FSH) e hormônio luteinizante (LH), que podem indicar problemas na produção de esperma.

Além dessas análises, podem ser empreendidos testes genéticos para identificar anormalidades cromossômicas ou mutações genéticas que possam afetar a espermatogênese.

Como o médico trata os distúrbios da espermatogênese?

O tratamento dos distúrbios da espermatogênese depende fundamentalmente da causa do problema, a qual deverá ser tratada com os recursos disponíveis. Devem ser evitados o consumo de álcool, tabaco e drogas recreativas, as toxinas ambientais e o superaquecimento dos testículos (uso excessivo de saunas ou roupas apertadas, por exemplo).

Em alguns casos, o médico pode prescrever suplementos ou medicamentos para melhorar a saúde do esperma. Se houver desequilíbrios de hormônios, o médico pode prescrever terapia hormonal para corrigir esses problemas. Se houver impedimentos da reprodução natural, o médico poderá indicar técnicas de reprodução assistida.

Veja também sobre "Perigos do sexo oral", "Vasectomia: perguntas e respostas" e "Vasectomia: o pós-procedimento".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Mayo Clinic e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Comentários