AbcMed

Como prevenir o câncer de próstata

segunda-feira, 23 de março de 2026
Avalie este artigo
Como prevenir o câncer de próstata

O câncer de próstata

A próstata é uma glândula localizada abaixo da bexiga masculina e que envolve a uretra. Ela produz parte do líquido seminal, responsável por nutrir e transportar os espermatozoides.

O câncer de próstata é um dos tipos mais comuns de câncer entre os homens, especialmente com o avanço da idade. É o segundo tipo de câncer mais frequente em homens no Brasil, atrás apenas do câncer de pele não melanoma. Apesar de sua alta prevalência, a maioria dos casos apresenta crescimento lento e comportamento indolente.

Estudos de autópsia mostram que uma grande proporção de homens idosos apresenta focos microscópicos de câncer de próstata, muitas vezes sem relevância clínica, o que explica a ideia popular de que muitos homens “terão” a doença ao longo da vida. No entanto, isso não significa necessariamente doença clinicamente significativa ou que necessite tratamento.

Alguns tumores crescem lentamente e podem ser acompanhados com segurança (estratégia conhecida como vigilância ativa). Outros são mais agressivos e podem exigir tratamento com cirurgia, radioterapia, terapia hormonal (privação androgênica), quimioterapia ou terapias sistêmicas modernas.

Veja sobre "Câncer de próstata - quando agendar uma consulta" e "Sonda vesical" e "Incontinência urinária".

Como prevenir o câncer de próstata?

Nenhuma medida previne de forma absoluta o câncer de próstata, mas várias estratégias ajudam a reduzir o risco e, principalmente, a possibilitar o diagnóstico precoce, quando as chances de cura são maiores. A prevenção envolve tanto hábitos de vida saudáveis quanto a discussão individualizada sobre rastreamento.

De forma geral, recomenda-se manter uma alimentação equilibrada, rica em frutas, vegetais e grãos integrais, com menor consumo de carnes processadas e gorduras saturadas, pois esses hábitos estão associados a menor risco de diversos tipos de câncer. Manter um peso adequado também é importante, já que a obesidade está relacionada a formas mais agressivas de câncer de próstata.

A prática regular de atividade física contribui para o controle do peso e melhora o metabolismo hormonal e inflamatório, fatores que podem influenciar o desenvolvimento da doença. Evitar o tabagismo é essencial, pois o cigarro está associado a maior risco de câncer em geral e pode estar relacionado a formas mais agressivas de câncer de próstata. O consumo de álcool deve ser moderado, já que o excesso também se associa ao aumento do risco de câncer.

A exposição ocupacional a substâncias químicas potencialmente carcinogênicas deve ser minimizada com o uso adequado de equipamentos de proteção individual, especialmente em ambientes industriais.

Além dessas medidas gerais, existem estratégias específicas relacionadas ao câncer de próstata, principalmente no que diz respeito ao rastreamento.

A Sociedade Brasileira de Urologia recomenda que o rastreamento seja discutido individualmente, geralmente a partir dos 50 anos para homens de risco habitual. Para aqueles com maior risco (como homens com histórico familiar de câncer de próstata em parentes de primeiro grau ou homens negros) essa discussão pode começar por volta dos 45 anos. Essa abordagem compartilhada considera benefícios e riscos do rastreamento, incluindo o risco de sobrediagnóstico e sobretratamento.

Os principais exames utilizados são o PSA (antígeno prostático específico) e o toque retal. O PSA é uma proteína produzida pelas células da próstata e detectável no sangue. O exame é simples, feito a partir de uma amostra sanguínea. O PSA é utilizado para auxiliar na detecção precoce do câncer de próstata, no acompanhamento de pacientes já diagnosticados e na avaliação de outras condições prostáticas, como hiperplasia prostática benigna e prostatite.

Seus valores não são específicos para câncer e devem sempre ser interpretados no contexto clínico. Isso porque níveis elevados de PSA não significam necessariamente câncer, podendo ocorrer em situações como infecções urinárias, prostatite, manipulação prostática recente ou até após atividade física intensa.

Valores de referência variam conforme a idade, mas, de forma geral, consideram-se limites aproximados: até 2,5 ng/mL para homens até 50 anos; até 3,5 ng/mL entre 50 e 59 anos; até 4,5 ng/mL entre 60 e 69 anos; e até 6,5 ng/mL acima de 70 anos. No entanto, atualmente valoriza-se mais a tendência de elevação (velocidade do PSA), a densidade do PSA e outros marcadores complementares do que um valor isolado.

Já o toque retal é um exame clínico em que o médico avalia a próstata por meio da palpação através do reto. É um procedimento rápido, geralmente indolor, embora possa causar leve desconforto. Ele permite identificar alterações como endurecimento, assimetria ou nódulos, que podem não ser detectados apenas pelo PSA.

Quanto ao uso de suplementos, não há evidências consistentes que recomendem o uso rotineiro de vitaminas ou substâncias como estratégia de prevenção do câncer de próstata. Embora compostos como o licopeno e a vitamina D tenham sido estudados, os resultados são inconclusivos. Além disso, alguns suplementos, como altas doses de vitamina E ou selênio, já foram associados a aumento de risco em estudos clínicos. Portanto, qualquer suplementação deve ser feita apenas com orientação médica.

Convivendo com o câncer de próstata

Mesmo adotando medidas preventivas, o câncer de próstata pode ocorrer. Na maioria dos casos, quando diagnosticado precocemente, o tratamento é eficaz e pode levar à cura.

Após o tratamento, é comum que o paciente experimente alívio, mas também preocupação com a possibilidade de recidiva. O acompanhamento regular é fundamental e faz parte do cuidado oncológico a longo prazo. Em alguns casos, a doença pode não ser completamente erradicada, exigindo tratamento contínuo ou vigilância. A vida após o câncer envolve retomar atividades habituais e manter cuidados com a saúde.

O seguimento clínico geralmente inclui dosagens periódicas de PSA e avaliação médica regular. A periodicidade dos exames varia conforme o risco individual e o tipo de tratamento realizado. O toque retal pode ser mantido em situações específicas, especialmente quando a próstata não foi removida.

As estratégias para reduzir o risco de recidiva incluem os mesmos princípios adotados na prevenção inicial, com foco em estilo de vida saudável e acompanhamento médico adequado. Caso ocorra recidiva, o tratamento dependerá da localização da doença, dos tratamentos prévios e das condições clínicas do paciente, podendo incluir novas abordagens locais ou sistêmicas.

Leia também sobre "Cirurgia da próstata", "Impotência sexual", "Prótese peniana" e "Radioterapia".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Oncoguia e do Instituto Vencer o Câncer.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Comentários