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Fibrose peniana

Wednesday, October 26, 2022
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Fibrose peniana

O que é a fibrose peniana?

A fibrose peniana é um problema que se caracteriza pelo desenvolvimento de nódulos fibróticos na parte interna do pênis, podendo causar mudanças em sua conformação ou funcionamento normais. A fibrose é a substituição de um tecido saudável de qualquer parte do corpo por um tecido cicatricial e disfuncional que, quando acontece no órgão sexual masculino, é conhecida por fibrose peniana. Mesmo sendo um problema que afeta a parte interna do pênis, é fácil identificar a fibrose peniana através da palpação.

Quais são as causas da fibrose peniana?

A causa exata da fibrose peniana é desconhecida, mas o fator mais comum que a acompanha são os traumas penianos, sobretudo lesões quando o pênis está ereto. Alguns fatores de risco têm sido identificados como:

  • envelhecimento;
  • infecções;
  • fatores genéticos;
  • problemas vasculares;
  • reações a certas drogas;
  • diabetes;
  • e pressão alta.

Quanto menos oxigênio no interior do pênis, ou seja, quanto menos sangue circulante, maior a chance da ocorrência de fibrose.

As situações que mais frequentemente causam lesões que levam à fibrose peniana são:

  • traumatismos do pênis;
  • priapismo;
  • falta de oxigenação;
  • diabetes;
  • relação sexual;
  • masturbação;
  • rolar sobre o órgão sexual durante as ereções noturnas; etc.
Leia sobre "Fratura do pênis", "Impotência sexual", "Ejaculação precoce" e "Ejaculação retrógrada".

Qual é o substrato fisiopatológico da fibrose peniana?

A fibrose peniana tem sido conceitualmente identificada como a placa fibrótica que se desenvolve na túnica albugínea do pênis ou com processos localizados induzidos nos corpos cavernosos por eventos isquêmicos ou traumáticos.

Recentemente, foi proposto que uma fibrose intracorporal do pênis, difusa, progressiva e mais leve, que afeta também a camada média das artérias penianas, é responsável pela disfunção erétil de origem vascular, associada ao envelhecimento, tabagismo, diabetes, hipertensão e pós prostatectomia radical.

Esses processos diferem em etiologia, curso de tempo, células-alvo e tratamento, mas têm muitas características em comum.

Estudos sugerem que o TGF-β1 (transforming growth factor beta 1) é um importante mediador da fibrose peniana. Estudos em animais mostraram que a injeção de TGF-β1 no tecido peniano induz fibrose in vivo. Com o aumento da idade, os níveis penianos de TGF-β1 aumentam, ligando assim a fibrose à disfunção erétil.

Além disso, algumas condições que causam diminuição de oxigenação no interior do pênis podem causar lesões e posteriores fibroses. É o caso, por exemplo, de pessoas diabéticas que tenham sofrido cirurgias da próstata ou não tenham ereção noturna regular.

Quais são as características clínicas da fibrose peniana?

Muitas vezes, a fibrose peniana é completamente assintomática. É mais comum em homens acima de 50 anos, mas pode aparecer em qualquer idade. Os principais sinais e sintomas que podem ocorrer são uma curvatura ou deformidade do pênis, presença de um módulo fibroso no interior do pênis, perda de elasticidade do órgão, dor durante a ereção e disfunção erétil.

A dor causada pela fibrose peniana, quando existe, geralmente resulta em impossibilidade de manter as relações sexuais.

Como o médico diagnostica a fibrose peniana?

Assim como as mulheres são incentivadas a fazer o autoexame da mama para detectar possíveis nódulos no seio, os homens devem incluir em seu cotidiano a palpação peniana. Mesmo sendo um problema que afeta a parte interna do pênis, é fácil identificá-lo através da palpação.

O autoexame deve ser feito com o pênis flácido, desde a base até o topo, na busca de qualquer evidência de caroço na região interna, que pode ser do tamanho de uma ervilha, do caroço de uma azeitona ou, eventualmente, do tamanho de uma moeda de um real. Algumas vezes as fibroses não são facilmente palpáveis, mas ao autoexame também podem ser notadas perda de elasticidade, curvatura anormal, afilamento ou encurtamento do órgão.

Diante de qualquer desses problemas o paciente deve procurar um urologista para um diagnóstico mais específico. Para chegar a um diagnóstico mais preciso, o especialista fará um exame físico, procurando avaliar a inflamação, o tecido fibroso, a curvatura e o comprimento do pênis. Ele também procurará colher a história médica do paciente. Caso esses dados não forem suficientes para um diagnóstico definitivo, ele pode pedir uma ressonância magnética, uma ultrassonografia e radiografias.

Como o médico trata a fibrose peniana?

Nos estágios iniciais, em que a fibrose peniana ainda não causou grande deformidade do pênis, a ponto de comprometer a possibilidade de ter e manter ereções, ela pode ser tratada farmacologicamente. Porém, se a doença progrediu para uma fase crônica e a severidade da curvatura peniana se tornou grave, medicações orais não mais farão efeito e a intervenção cirúrgica pode ser necessária para evitar futuras complicações.

Como evolui a fibrose peniana?

A fibrose peniana não é uma condição que ameaça a vida, mas ela afeta de modo significativo a qualidade de vida. Contudo, com o tratamento adequado, todas as pessoas com fibrose peniana podem viver uma vida normal.

Quais são as complicações possíveis com a fibrose peniana?

Se não for tratada por um período prolongado, a fibrose peniana pode levar a dificuldade em ter relações sexuais, disfunção erétil, ansiedade ou estresse sobre as habilidades sexuais e aparência do pênis, problemas de relacionamento devido ao estresse, etc.

Veja também sobre "Prótese peniana", "Micropênis" e "Priapismo".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente do site do NIH - National Institutes of Health.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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