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Queda em idosos

Thursday, November 1, 2018
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Queda em idosos

A realidade da queda em idosos

Um terço da população de idosos e 60% dos residentes em asilos sofrem pelo menos uma queda a cada ano, com diversas repercussões de maior ou menor gravidade. As quedas são frequentemente associadas a uma morbidade significativa e são uma das principais causas de mortes acidentais em pessoas com mais de 65 anos.

A taxa de mortalidade por quedas aumenta drasticamente com a idade, chegando a 70% das mortes acidentais em pessoas acima dos 75 anos de idade. Mais de 90% das fraturas de quadril ocorrem como resultado de quedas, com a maioria dessas fraturas ocorrendo em pessoas com mais de 70 anos de idade.

Saiba mais sobre "Queda da própria altura" e "Fratura óssea".

Quais são as causas e os fatores de risco da queda em idosos?

Os fatores de risco responsáveis por quedas em idosos podem ser intrínsecos ou extrínsecos. No primeiro caso, pode ser devido a alterações fisiológicas relacionadas com o próprio aumento da idade, como déficits motores e sensoriais, devido a doenças, incluindo comprometimento cognitivo, ou devido ao uso de medicamentos. Os fatores extrínsecos podem ser devidos a perigos ambientais. É essencial lembrar que uma única queda pode ter múltiplas causas e várias quedas repetidas podem ter, cada uma, uma etiologia diferente.

A frequência da queda está relacionada ao efeito acumulado de múltiplos transtornos, sobrepostos às mudanças relacionadas à idade. A literatura reconhece uma miríade de fatores de risco para quedas, e a probabilidade de ocorrência aumenta com o número de fatores de risco, os principais dos quais são: idade mais avançada, raça branca, morar sozinho, uso de bengala ou andador, quedas anteriores, doença aguda, distúrbios neuromusculares crônicos, uso indiscriminado de medicamentos, déficits físicos, comprometimento cognitivo e visão e/ou audição reduzidas. O risco de sofrer uma lesão devido a uma queda depende da suscetibilidade do paciente.

Quais são as consequências da queda em idosos?

O mecanismo mais comum de lesão na população idosa está diminuindo, graças a um maior cuidado com os idosos e a novos equipamentos de ajuda. Cerca de 30% a 50% das quedas em idosos resultam em ferimentos leves, incluindo contusões, escoriações e lacerações, mas estima-se que 10% de todas elas causem ferimentos graves, incluindo lesões intracranianas e fraturas. 1% de todas as quedas nesta população resultam em fraturas de quadril, que representam um risco significativo de morbidade e mortalidade pós-queda. As quedas são a principal causa de mortes relacionadas ao traumatismo cranioencefálico em pessoas com 65 anos ou mais.

Nos idosos, geralmente ocorre diminuição da resistência óssea, o que os expõe mais significativamente a fraturas decorrentes de quedas e outros traumatismos. Nas mulheres, sobretudo, a osteoporose é uma causa importante de enfraquecimento dos ossos, o que pode levar a fraturas por traumas mínimos ou inclusive a fraturas espontâneas. Uma fratura comum nelas, e que pode gerar graves consequências, é a fratura do colo do fêmur. Muitas vezes a pessoa (geralmente uma mulher) “caiu porque fraturou” e não “fraturou porque caiu”. Por outro lado, os idosos sofrem também uma diminuição do equilíbrio e da força muscular que os ajudaria a se reequilibrarem.

Quais são as principais características clínicas da queda em idosos?

A avaliação de um paciente que caiu inclui uma história clínica, um exame físico direcionado, testes simples de controle postural e função física global. Pacientes idosos que sofreram queda devem ser submetidos a uma avaliação completa para determinar e tratar a causa subjacente da queda. Isso pode devolver os pacientes à função de base e reduzir o risco de novas quedas.

As consequências das quedas em idosos vão desde lesões facilmente curáveis até a morte, passando por sequelas e incapacidades permanentes. Algumas das quedas levam a traumatismos cranianos que podem ocasionar a morte e outras, como as que produzem fratura de colo do fêmur, por exemplo, podem demandar cirurgia e a utilização de próteses.

É comum que após uma queda com fratura a qualidade de vida do idoso decaia muito, seja pela dor ou pelo incômodo, seja pelas limitações que impõe a ele. Muitos pacientes, após uma fratura, passam a usar bengalas, muletas, andadores ou mesmo cadeiras de roda.

Leia sobre "Traumatismos cranianos", "Fratura do colo do fêmur", "Dor no quadril" e "Artroplastia de quadril".

Como o médico trata a queda em idosos?

O tratamento médico é direcionado para as consequências e para as causas subjacentes da queda, visando retornar o paciente à sua função basal.

Como prevenir a queda em idosos?

Um fisioterapeuta pode adotar várias intervenções, trabalhando a marcha, o equilíbrio e o fortalecimento muscular nas pernas. Além disso, a prevenção pode ser ajudada pela suplementação de vitamina D e intervenções multifatoriais, que envolvam a criação de um plano personalizado com base na avaliação de risco individual.

Exemplos de coisas que poderiam ser abordadas incluem equilíbrio e marcha, saúde psicológica, cognição, visão, condições ambientais, dieta, nutrição e medicamentos. Essas recomendações se aplicam principalmente a adultos com 65 anos ou mais e que não tenham osteoporose conhecida ou deficiência marcante de vitamina D. O benefício potencial dessas intervenções é uma diminuição da taxa de quedas em pessoas de maior risco.

Quais são as complicações possíveis da queda em idosos?

As complicações dependem da gravidade das quedas. Algumas podem levar à morte; outras podem resultar em cirurgias.

Veja também sobre "Osteoporose", "Musculação para idosos" e "Deficiência de vitamina D".

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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