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Distúrbios de refração dos olhos

sexta-feira, 8 de julho de 2022
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Distúrbios de refração dos olhos

O que é refração dos olhos?

Refração é a mudança de direção de uma onda que se propaga em um determinado meio ao passar para outro meio no qual a velocidade de propagação é alterada. A refração ocorre em diferentes tipos de onda, embora seja mais comumente associada à luz. Um bom exemplo de refração da luz obtém-se ao observar a imagem de um lápis parcialmente imergido num copo com água, que parece “quebrado”.

No que se refere à visão, os raios de luz refletidos pelos objetos atravessam vários meios diferentes antes de atingirem a retina, de onde partem estímulos nervosos que o cérebro converte em imagens. Eles sofrem, pois, diversos processos de refração, coordenados de modo a que atinjam plenamente a retina, proporcionando uma visão nítida dos objetos.

A maior parte da refração no olho ocorre quando raios de luz atravessam a superfície curvada e transparente do olho, a córnea. A lente natural do olho, o cristalino, também encurva os raios de luz. Até a camada lacrimal na superfície do olho e os fluidos no interior do olho (humor aquoso e humor vítreo) possuem algum grau de capacidade refrativa.

Leia sobre "Miopia degenerativa", "Deficiência visual" e "Cirurgia refrativa".

O que são os distúrbios de refração dos olhos?

Os distúrbios de refração dos olhos acontecem por quaisquer condições que façam os raios luminosos convergirem anteriormente ou posteriormente à retina, ocasionando em uma visão borrada, ou turva, dos objetos. Há quatro principais distúrbios oculares refrativos:

  1. Miopia
  2. Hipermetropia
  3. Astigmatismo
  4. Presbiopia

Quais são as causas e o substrato fisiopatológico dos distúrbios de refração dos olhos?

Os distúrbios de refração dos olhos acontecem por condições anatômicas ou fisiológicas do órgão que impedem os raios luminosos de serem exatamente focalizados sobre a retina.

Três fatores principais decidem a capacidade do olho de refratar e focar a luz sobre a retina: (1) o comprimento geral do olho, (2) a curvatura da córnea e (3) a curvatura do cristalino.

Um olho muito comprido fará com que a luz seja focada antes de chegar à retina, causando miopia. Um olho muito curto fará com que seja focada além da retina, causando hipermetropia. No caso de a córnea não ser perfeitamente esférica, em que essa correta focalização perfeita também não se dá, tem-se o astigmatismo. Já uma curvatura muito acentuada do cristalino causará miopia e, se ele for muito plano, o resultado será a hipermetropia.

Podem haver outros erros menos comuns de refração, relacionados a falhas na forma como os raios de luz são refratados ao atravessar o sistema ótico do olho.

Quais são as características clínicas dos distúrbios de refração dos olhos?

Os sintomas gerais comuns dos erros de refração incluem visão embaçada, visão dupla, visão turva, fadiga ocular, dores de cabeça, estrabismo, dificuldade ao trabalhar no computador ou ao ler e ver um halo brilhante ao redor de luzes brilhantes.

Mais especificamente, tem-se:

  1. miopia, que faz com que a imagem dos objetos focalizados seja formada à frente da retina, seja por uma menor distância focal do cristalino (mais curvo), seja por um alongamento anormal do olho ou por uma curvatura anormal da córnea, o que faz com que a pessoa míope veja os objetos distantes como se estivessem embaçados (desfocados), embora os mais próximos possam ser vistos com melhor nitidez. A pessoa míope enxerga melhor de perto do que de longe. Por isso, é comum que ela procure aproximar dos olhos aqueles objetos que deseja visualizar ou contraia os olhos na tentativa de ver com mais clareza.
  2. hipermetropia, que é uma alteração na focalização das imagens dos objetos percebidos, a qual passa a se formar para além da retina. Isso acontece ou porque o globo ocular é um pouco menor do que o normal ou porque a córnea ou o cristalino têm o seu poder refrativo diminuído. A pessoa hipermétrope geralmente enxerga melhor de longe que de perto. Se um objeto situado longe do olho for se aproximando pouco a pouco, será visto cada vez mais embaçado. Ao tentar enxergar de perto (para ler, por exemplo) a pessoa não consegue focalizar a imagem e sente desconforto visual, geralmente referido como cansaço ou dor de cabeça.
  3. O astigmatismo, que é uma anomalia da visão que consiste na formação de vários focos da imagem percebida, em vários eixos diferentes. Nos casos de astigmatismo, a curvatura da córnea é ovalada, e não redonda como normalmente, e esta alteração faz com que a luz se refrate em vários pontos da retina, em vez de se focar em apenas um ponto, como é normal. As imagens percebidas ficam embaçadas e, tanto os objetos próximos como os distantes, aparecem como distorcidos, como se estivessem sendo vistos através de um vidro ondulado.
  4. presbiopia (ou "vista cansada"), que não é uma doença, mas uma involução natural da visão. Ela é a perda progressiva da capacidade do olho para focalizar objetos próximos ou distantes, consequente ao envelhecimento, devido à perda de elasticidade do cristalino e da cápsula que o envolve, o que faz com que os músculos ciliares (pequenos músculos dentro do olho que modificam o formato do cristalino) não mais consigam realizar uma acomodação capaz de gerar uma boa focalização das imagens.

Como diagnosticar os erros de refração dos olhos?

Os erros de refração dos olhos devem ser diagnosticados pelo oftalmologista, mediante testes adequados.

Como corrigir os erros de refração dos olhos?

Os erros de refração são corrigidos por meio de óculos ou lentes de contato que procuram fazer as compensações refrativas necessárias. Em alguns raros casos, pode ser aconselhada a cirurgia refrativa.

Veja também sobre "Degeneração macular", "Incômodo com a claridade - pode ser fotofobia" e "Retinografia".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites do Hospital Clínic de Barcelona, do National Eye Institute e da Twin Lakes Vision Clinic.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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