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Lagoftalmo - causas, sintomas, diagnóstico, tratamento e evolução

sexta-feira, 14 de maio de 2021
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Lagoftalmo - causas, sintomas, diagnóstico, tratamento e evolução

O que é lagoftalmo?

Lagoftalmo, ou lagoftalmia, é a situação patológica em que a pessoa não consegue fechar completamente os olhos devido a uma dificuldade do músculo orbicular de cerrar completamente a fenda palpebral. Se esse problema só acontece quando a pessoa dorme, a condição é chamada de lagoftalmo noturno.

Quais são as causas do lagoftalmo?

O lagoftalmo acontece por algum problema que esteja afetando o músculo orbicular, levando à impossibilidade de oclusão da fenda palpebral. Pode ter origem neural ou cicatricial, sendo o primeiro fator muito mais comum do que o segundo.

Essa impossibilidade de fechar os olhos pode então ocorrer:

  1. por um quadro de paralisia facial, em que o músculo orbicular dos olhos fica enfraquecido ou mesmo paralisado e isso determina alterações funcionais tanto na pálpebra superior como na inferior;
  2. por um evento cicatricial, devido a alguma lesão da pálpebra por acidente, cirurgia, queimaduras químicas, dilacerações ou condições crônicas como a xerodermia (desordem rara da pele que torna o indivíduo ultrassensível à luz ultravioleta do sol), que criam um processo restritivo, geralmente uma cicatriz, que impede a correta movimentação da pálpebra.

O lagoftalmo paralítico, de origem neural, é causado por paresias ou paralisias do nervo facial, que é o sétimo par dos nervos cranianos. O lagoftalmo paralítico isolado, que atinge apenas o nervo orbicular, é comumente observado em pacientes com Hanseníase.

Leia também sobre "Síndrome de Sjogren", "Enoftalmia e exoftalmia" e "Ptose palpebral".

Quais são as características clínicas do lagoftalmo?

O exemplo mais clássico de lagoftalmo é a situação que ocorre na paralisia facial periférica de Bell. Dependendo do grau de gravidade da questão, a oclusão da fenda pode ser inteiramente impossível, podendo haver desde uma simples epífora, que é um lacrimejamento involuntário e contínuo devido à obstrução nas vias lacrimais, até perfuração corneana e amaurose (cegueira).

O lagoftalmo paralítico é muito mais comum que o cicatricial e, como o músculo orbicular é também responsável pela manutenção da posição e movimentação da pálpebra inferior, os casos paralíticos de grande duração podem gerar ectrópio da pálpebra inferior (condição em que a pálpebra se dobra para fora).

No lagoftalmo cicatricial, na maioria das vezes, o músculo orbicular é normal, pois são os processos restritivos que impedem a descida da pálpebra superior.

Existe também um lagoftalmo noturno, em que os olhos permanecem inteiramente ou parcialmente abertos durante a noite, uma circunstância que ocorre somente durante o sono. Consequentemente, os pacientes sofrem também de insônia e sentem um incômodo significativo relativo aos seus olhos.

De todos os sintomas do lagoftalmo, o mais significativo é a secagem dos olhos, devido à falta da função de piscar, que é o mecanismo normal de lubrificação da superfície ocular.

Como o médico diagnostica o lagoftalmo?

O lagoftalmo é diagnosticado a partir dos seus sinais e sintomas e pela observação direta das pálpebras e dos olhos.

Como o médico trata o lagoftalmo?

A primeira providência no tratamento do lagoftalmo é manter os olhos hidratados para prevenir a ocorrência da ceratoconjuntivite (inflamação da córnea). É igualmente importante tentar restabelecer as funções de lubrificação da pálpebra. Enquanto ela não se restabelece, pomadas e/ou colírios oftálmicos devem ser aplicados durante o dia e a noite. Em casos extremos, a pálpebra deve ser mantida fechada.

Os tratamentos seguintes devem visar solucionar o problema causal. Se esses tratamentos não minorarem ou extinguirem o problema, uma segunda escolha é fazer uma tarsorrafia (costurar as pálpebras juntas). Outra técnica similar é colocar um peso pequeno, geralmente de ouro, na pálpebra superior, forçando-a a se fechar por ação gravitacional.

Em casos graves, o lagoftalmo pode representar uma urgência oftalmológica que exija procedimentos cirúrgicos emergenciais.

Como evolui lagoftalmo?

O lagoftalmo quase sempre tem uma boa taxa de recuperação se tratado prontamente. Compreender a causa é essencial para determinar a melhor estratégia de tratamento.

Quais são as complicações possíveis com o lagoftalmo?

O lagoftalmo de grande duração pode levar à formação de queratite e de úlceras da córnea, por deficiente lubrificação da superfície ocular pelo líquido lacrimal.

Veja mais sobre "Pálpebras inchadas - pode ser dermatocalaze", "Paralisia facial" e "Blefarite".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente do site da AAO – American Academy of Ophthalmology.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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