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Manifestações oculares de doenças sistêmicas

quarta-feira, 22 de setembro de 2021
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Manifestações oculares de doenças sistêmicas

O que são manifestações oculares de doenças sistêmicas?

Uma visão alterada nem sempre é problema primário dos olhos. Muitas vezes ela é decorrente de doenças sistêmicas que têm repercussões sobre os olhos e seus anexos, as quais podem se resumir apenas a uma simples vermelhidão passageira, como acontece num resfriado comum, até alterações retinianas graves que potencialmente podem levar à cegueira.

Os olhos são uma janela que nos permitem visualizar algumas doenças pelo corpo antes mesmo delas manifestarem seus sintomas.

Às vezes, é o clínico geral que se depara com pacientes com doenças sistêmicas que podem ter manifestações oculares ou, alternativamente, é o oftalmologista que primeiro atende pacientes com queixas oculares que, no entanto, decorrem de doenças sistêmicas ainda não reconhecidas. Por essas razões, ambos devem estar familiarizados com as complicações oculares comuns de doenças sistêmicas.

Veja também sobre "Síndrome de Sjogren - diminuição de lágrima e saliva", "Artrite reumatoide", "Hipovitaminoses" e "Anemias".

Quais são as doenças sistêmicas que têm manifestações oculares?

É impossível citar absolutamente todas as doenças sistêmicas que têm manifestações oculares, mas as principais são:

  1. Condições congênitas
  2. Diabetes
  3. Hipertensão arterial
  4. AIDS
  5. Artrite reumatoide
  6. Espondilite anquilosante
  7. Lúpus eritematoso
  8. Mistenia gravis
  9. Discrasias sanguíneas
  10. Doenças da tireoide
  11. Malignidades oculares
  12. Distúrbios do tecido conjuntivo
  13. Poliarterite nodosa
  14. Distúrbios autoimunes

1. Condições congênitas

Numerosas síndromes e doenças congênitas, incluindo síndrome de Down, síndrome de Marfan, distrofia miotônica, neurofibromatose, esclerose tuberosa, distúrbios metabólicos, etc. geram manifestações oculares, às vezes tão específicas que podem ser uma grande ajuda para estabelecer um diagnóstico definitivo.

2. Diabetes

O diabetes não controlado talvez seja a doença sistêmica que mais ostensivamente afeta os olhos. Ele comumente produz efeitos oculares significativos, se não reconhecidos e tratados a tempo, como a catarata, o glaucoma, a neuropatia óptica isquêmica, as paresias oculomotoras e as erosões ceráticas. A retinopatia diabética é a principal causa de cegueira adquirida, tanto nos Estados Unidos como no Brasil.

3. Hipertensão arterial

A hipertensão arterial sistêmica também pode afetar a retina, a circulação coroidal e o nervo óptico. Uma variedade de alterações vasculares da retina pode ser vista em pacientes hipertensos: sinais agudos ou crônicos de retinopatia hipertensiva, como constrição arteriolar, manchas algodonosas, hemorragias retinianas, exsudatos duros, coroidopatia hipertensiva, descolamento seroso da retina e edema de disco óptico. Essas alterações dependem em parte da gravidade e duração da hipertensão.

4. AIDS

Em pacientes com AIDS, são muito comuns os olhos secos, mas eles são um achado inespecífico. As três lesões clássicas mais frequentes são as manchas algodonosas retinianas, a retinite por citomegalovírus e o sarcoma de Kaposi da pálpebra ou da conjuntiva.

5. Artrite reumatoide

As manifestações oculares da artrite reumatoide são mais frequentemente vistas em pacientes com formas graves da doença e naqueles com complicações extra-articulares. Além de olhos secos, outras manifestações oculares comuns são inflamação da esclera, úlceras periféricas da córnea e uveíte.

6. Espondilite anquilosante

Cerca de 25% dos pacientes com espondilite anquilosante tem um ou mais ataques de irite, uma forma de inflamação intraocular que pode preceder a artrite clínica. Classicamente, os pacientes se apresentam com fotofobia, vermelhidão e visão diminuída.

7. Lúpus eritematoso

Pacientes com lúpus eritematoso sistêmico podem ter muitas das mesmas manifestações associadas à artrite reumatoide, mas a manifestação mais grave do lúpus eritematoso sistêmico envolve a vasculatura da retina e do nervo óptico. O olho seco produz a sensação de corpo estranho no olho, vermelhidão e coceira.

8. Mistenia gravis

Cerca de 75% dos pacientes com miastenia gravis apresentam manifestações oculares, ptose palpebral bilateral, movimentos oculares limitados e/ou diplopia. Entre esses pacientes, aproximadamente 20% terão apenas manifestações oculares. Em qualquer paciente com ptose e diplopia de etiologia obscura, deve-se presumir a possibilidade de que tenha miastenia gravis.

9. Discrasias sanguíneas

Uma discrasia sanguínea é qualquer condição anormal ou patológica do sangue. Até 90% dos pacientes com discrasias sanguíneas apresentam manifestações oculares. As discrasias sanguíneas mais frequentes com manifestações oculares incluem hiperviscosidade, trombocitopenia e todas as formas de anemia, incluindo anemia falciforme, que podem causar diversas formas de retinopatias, manchas algodonosas e derrames oculares.

10. Doenças da tireoide

Anormalidades oculares também são comuns em pacientes que sofrem de disfunção tireoidiana. A oftalmopatia tireoidiana nem sempre está correlacionada com os níveis séricos de hormônio tireoidiano e pode ocorrer mesmo em pacientes eutireoideanos, e a doença ocular pode continuar progredindo após os exames da função da tireoide voltarem ao normal.

11. Malignidades oculares

As malignidades oculares são mais comumente lesões metastáticas, mas neoplasias decorrentes do tecido uveal dão origem ao melanoma ocular primário. Os melanomas oculares costumam ser facilmente tratáveis quando diagnosticados precocemente, mas podem ter consequências fatais se não forem reconhecidos e tratados de forma oportuna. Os linfomas de células gigantes do sistema nervoso central podem ter sua apresentação inicial na cavidade vítrea dos olhos de pessoas idosas. O diagnóstico pode ser obtido por meio de uma vitrectomia diagnóstica.

12. Distúrbios do tecido conjuntivo

Os distúrbios do tecido conjuntivo podem dar origem a vários problemas oculares, sendo o mais comum a deficiência de lágrimas, levando a olhos secos ou a ceratoconjuntivite seca. Os sintomas de ressecamento dos olhos incluem ardor, sensação de corpo estranho ou de olhos arenosos e fotofobia.

13. Poliarterite nodosa

A poliarterite nodosa é uma doença inflamatória generalizada que afeta os vasos sanguíneos de pequeno e médio porte, mais comumente em homens de meia-idade. Além de olhos secos e os sintomas decorrentes deles, as demais manifestações oculares são ulceração periférica da córnea, esclerite, retinopatia hipertensiva e vasculite retiniana primária.

14. Distúrbios autoimunes

Certos distúrbios autoimunes, como as doenças do tecido conjuntivo, doenças do olho causadas por distúrbios da tireoide e miastenia gravis, podem inicialmente apresentar-se apenas como manifestações oculares. Portanto, é extremamente importante o reconhecimento oftalmológico precoce desses distúrbios para que os pacientes possam receber o tratamento apropriado tão cedo quanto possível.

Outras doenças sistêmicas com manifestações oculares incluem metade das mais de cem doenças metabólicas e hereditárias, deficiências graves de vitaminas A e do complexo B, doenças gastrointestinais inflamatórias, hanseníase, outras doenças endócrinas além do diabetes, como doenças das paratireoides e suprarrenais, etc.

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da U.S. National Library of Medicine e da University of Virginia School of Medicine.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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